Após fugir da pobreza, milhares de haitianos enfrentam discriminação no Chile

Subempregos e preconceito racial são realidades cotidianas dos imigrantes no país sul-americano

A entrevista com o presidente da OSHEC (Organização Sociocultural dos Haitianos do Bairro Estación Central) estava marcada para as 13h. Adneau Desinord, de 27 anos, precisava daquela manhã para descansar, depois de cobrir o turno da madrugada, no posto de gasolina onde trabalha como frentista, em Santiago.

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Às 8h, pouco depois de deixar o trabalho, Desinord liga pedindo para adiantar a conversa para as 9h30. Seu chefe havia pedido que voltasse para cumprir o horário das 14h às 20h. “Não posso dizer que não, para não perder o trabalho, e também porque se não faço turnos extras. Não sobra nada além do dinheiro para os gastos básicos”, se justifica.

Desinord vive no Chile desde 2009. Os sacrifícios laborais não são algo raro em sua vida e a mesma regra serve para a maioria dos haitianos que vivem no país. “Estamos sempre sujeitos às piores tarefas, horários e condições”. Entre os cerca de 300 compatriotas associados à OSHEC, são raros os que não possuem experiências profissionais degradantes, afirma o presidente.

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