Nomadizar, constituir, fazer multidão

Findos os anos da retórica neoliberal, o “retorno do estado” vem acompanhado da expansão e aprofundamento do capitalismo no Brasil. A hora seria de grandes oportunidades para o país. O desenvolvimento é perpassado por uma vontade geral de modernização, cuja marcha para o futuro imporia a erradicação dos resíduos de subdesenvolvimento. A modernização do estado e da sociedade é situada como o maior desafio do governo, contra o patrimonialismo, a corrupção e a ineficiência. O ‘timing’ brasileiro, na contratendência da crise, significaria aproveitar o robusto mercado interno para pavimentar o caminho em direção ao primeiro mundo. Nesse contexto, o que significaria ser brasileiro? Colocar-se à altura dos tempos e se preparar com as novas qualidades de flexibilidade, inovação e empreendedorismo, demandadas por um “mercado sempre em mutação” e seus novos modelos de negócio e crédito.

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O Brasil entre o presente e o futuro

Lula contou com a bonança de um capitalismo sem crise e com um Estado fortalecido e uma economia organizada. Porém, o aumento da renda dos trabalhadores com pouca qualificação parece estar no limite, o mesmo ocorrendo com as elevações do salário mínimo sem incremento de produtividade e com a ampliação do crédito

por José Maurício Domingues

Em meados da década de 1980 começou o que se pode chamar de uma nova história do Brasil. Com a conclusão da “modernização conservadora” – baseada na aliança entre latifundiários e burguesia industrial –, o país se mostrava, à sua maneira, contemporâneo da modernidade que se afirmava planetariamente, ao mesmo tempo que uma verdadeira revolução democrática ocorria no país. Agora é o futuro que se põe como desafio, não a simples realização da modernidade.

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