Envelhecimento da população no Brasil: os novos velhos

O Brasil vive um processo de prolongamento da expectativa de vida. De onde sairão os recursos para garantir qualidade de vida aos idosos?

Léa Maria Aarão Reis (*)

O ano termina com notícias mais positivas para os idosos brasileiros. Depois de décadas de descaso, omissão e silêncio por parte do Estado, principalmente sobre a população pobre de mais idade, o Estatuto do Idoso, que completou dez anos em 2013, veio dispor na forma da Lei n. 10 741 diversas obrigações e prioridades relacionadas aos cidadãos com mais de 60 anos.

Lamentável é ver o Estatuto desrespeitado pela própria justiça, há pouco tempo, pelos mesmos funcionários que devem cumpri-la.  Pretensos guardiães da lei, funcionários de serviço público discriminaram e negaram atendimento prioritário devido por motivo de idade, como reza o Estatuto, ao ex-ministro José Dirceu.  A defesa do dirigente petista invocou a Lei 10 741 para que seu cliente fosse (ou não) autorizado, com mais rapidez, a trabalhar fora da penitenciária onde continua indevidamente encerrado em regime fechado. Deve-se levar em conta que esse era um caso de repercussão nacional. Continuar lendo

O genocídio dissimulado

As evidências de que o Brasil é dividido por uma espécie de racismo institucional, no qual o próprio Estado, por seus agentes, atua de forma discricionária com base na cor da pele, aparecem em quase todos os indicadores

Por Luciano Martins Costa

Pequena nota escondida no meio de uma coluna do Estado de S.Paulo e uma reportagem mais extensa no Globo mostraram, na sexta-feira (18/10), como a imprensa brasileira, tão homogênea ao lidar com a política e a economia, pode divergir e até ser negligente ao tratar de assuntos mais complexos.

Os dois textos se referem a um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil. Basta citar uma das conclusões do trabalho para ilustrar como esse tema deveria merecer muito mais destaque nos jornais: por causa da violência seletiva, a expectativa de vida de um homem jovem brasileiro, negro ou pardo, é menos que a metade da de um homem branco da mesma idade. Continuar lendo

A via uruguaia

A experiência de José Mujica no poder poderia servir de inspiração a outros governos de viés progressista na região

O presidente do Uruguai, José Mujica

Os países latino-americanos que assumiram uma via à esquerda confrontam-se atualmente com a necessidade de reinventar seus caminhos. Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, Brasil e Peru passam, cada um à sua maneira, por desafios oriundos de seus modelos de governo.

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Nomadizar, constituir, fazer multidão

Findos os anos da retórica neoliberal, o “retorno do estado” vem acompanhado da expansão e aprofundamento do capitalismo no Brasil. A hora seria de grandes oportunidades para o país. O desenvolvimento é perpassado por uma vontade geral de modernização, cuja marcha para o futuro imporia a erradicação dos resíduos de subdesenvolvimento. A modernização do estado e da sociedade é situada como o maior desafio do governo, contra o patrimonialismo, a corrupção e a ineficiência. O ‘timing’ brasileiro, na contratendência da crise, significaria aproveitar o robusto mercado interno para pavimentar o caminho em direção ao primeiro mundo. Nesse contexto, o que significaria ser brasileiro? Colocar-se à altura dos tempos e se preparar com as novas qualidades de flexibilidade, inovação e empreendedorismo, demandadas por um “mercado sempre em mutação” e seus novos modelos de negócio e crédito.

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ESPECIAL DA RÁDIO AGÊNCIA NP: “Venezuela, nos passos do desenvolvimento”

Governada pelo presidente Hugo Chávez desde 1999 e país vizinho do Brasil, a Venezuela possui 28,5 milhões de habitantes.  Mesmo com a proximidade geográfica, sabemos pouco sobre o país que tem o menor índice de desigualdade social da América Latina. Nesta série especial Venezuela, nos passos do desenvolvimento”, a Radioagência NP apresenta, por meio de sete reportagens, os potenciais e desafios de uma nação que, em pouco mais de uma década, se destacou no cenário geopolítico internacional.

A fronteira com o Brasil se estende por 1,5 mil quilômetros, sendo a saída prioritária para o Caribe, a partir da região amazônica brasileira. No ano de 2011, as trocas comerciais entre Brasil e Venezuela movimentaram 5,9 bilhões de dólares, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Recentemente, a Venezuela foi certificada como detentora da maior reserva de petróleo do mundo, com aproximadamente 297 bilhões de barris. Esse potencial energético atingiu dimensões políticas, econômicas e sociais inéditas quando o Estado assumiu o controle da PDVSA, principal empresa do setor petrolífero, em 2003. Continuar lendo