O Brasil mantém a aposta na agricultura contra a crise dos emergentes

A valorização do dólar e até uma estiagem, que deve reduzir a oferta de alimentos, deixam o setor do agronegócio otimista com as perspectivas para os preços das commodities

Trabalhador na época da colheita do café.

Enquanto os mercados financeiros globais passam a olhar com desconfiança para os países emergentes, o Brasil mantém a sua aposta nas commodities agrícolas contra a crise que mudou o status do país de bola da vez para patinho feio. Embora tenham caído entre 9% e 25% na Bolsa em relação ao ano passado, os preços das principais matérias-primas agrícolas exportadas pelo país, como soja, milho e açúcar, foram compensados pela alta do dólar. A cadeia do agronegócio corresponde a 25% do PIB brasileiro e em 2013 suas exportações geraram receitas de 82,6 bilhões de dólares, ou 34,5% do total nacional. A expectativa dos exportadores é, ao menos, repetir o número. Em janeiro, o Índice de Commodities agropecuárias do Banco Central (IC-Br) subiu 1,9% e acumula uma alta de 5,9% nos últimos três meses. Continuar lendo

As perspectivas da economia mundial para 2014

Carta Maior conversou com John Bowler, diretor de Análise de Países da Unidade de Inteligência da The Economist, que apontou um panorama complicado em 2014

Marcelo Justo

Londres – Como todo começo de ano, este início de 2014 é rico em previsões para a economia mundial.  A maioria fala de um crescimento global de 3,6%, cerca de 0,7% mais que no ano passado. As análises econômicas se caracterizam por não acertar no alvo nesta arte quase impossível das previsões, mas para além das porcentagens manuseadas está claro que o mundo segue sem se recuperar da crise de 2008. Em 2013, a zona do euro ficou estagnada e os Estados Unidos cresceram um pouco com altos e baixos. A China desacelerou seu crescimento e até as chamadas economias emergentes, que tinham sustentado o crescimento em 2012, tiveram um desempenho modesto.

A Carta Maior conversou com John Bowler, diretor de Análise de Países da Unidade de Inteligência da revista The Economist, que apontou um panorama complicado para este 2014. Continuar lendo

Ler novamente Keynes

A “insensatez” dos países dominantes, criticada pela Unasul na sexta-feira passada, se dá no marco de um “grande experimento” em política econômica do mundo desenvolvido. Se a primeira reação ao estouro financeiro de 2008 foi um acordo “keynesiano” do G-20 para evitar uma recessão como a de 1930, uma vez neutralizado o pânico, os governos centrais se inclinaram, com uma ou outra exceção, a atacar o déficit com a tradicional receita de corte do gasto público e de aumentos impositivos para aplacar os mercados financeiros (que acabam por resgatar).

Eminente autoridade em John Maynard Keynes, Lorde Robert Skidelsky, professor emérito da Universidade de Warwick e autor de Keynes: the return of the master [Keynes. O retorno do mestre], acredita que os países centrais transformaram suas próprias economias em um grande laboratório de ensaio. “Estão colocando à prova a teoria keynesiana que serviu para sair da débâcle dos anos 1930. Se a consolidação fiscal for a estrada da recuperação, devemos enterrar Keynes. Se, pelo contrário, os mercados financeiros e os políticos que lhes obedecem forem os “asnos” de que falava Keynes, teremos que pensar no que fazer com os mercados para poder voltar a governar”, assinalou Lord Skidelsky. Continuar lendo