Como entender Pyongyang?

Desenvolver a economia e o Exército, esse é o objetivo oficial de Kim Jong-un, no comando da República Democrática Popular da Coreia desde dezembro de 2011. Por ora, ele multiplica provocações, enquanto manobras militares de Seul e Washington na costa norte-coreana atiçam as tensões

por Philippe Pons

(Kim Jong-un em plenária do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte)

Mais uma vez, a República Democrática Popular da Coreia (RDPC) deixa o resto do mundo sem fôlego: onda de ameaças – ataques nucleares aos Estados Unidos, rejeição do armistício de 1953,1 uma inevitável “Segunda Guerra da Coreia” – e baterias de mísseis apontados para o Japão e para a base norte-americana de Guam. Desde meados de março, a propaganda norte-coreana intensificou-se, e os meios de comunicação internacionais, ao difundir com complacência esses arroubos belicosos sem medir quais são realmente as ameaças verossímeis, propiciaram que essa propaganda ecoasse de forma desmedida, para a grande satisfação da capital Pyongyang.

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Entenda a cronologia da escalada de tensões entre as Coreias

Teste nuclear realizado em 12 de fevereiro pela Coreia do Norte foi sucedido por uma série de ameaças destinadas à Coreia do Sul e aos Estados Unidos

7 de abril – Turistas assistem ao ritual tradicional de troca da guarda em frente ao antigo palácio no centro de Seul. Mesmo com a tensão que cerca a região, os sul-coreanos parecem inabaláveis Foto: AFP

Em 12 de fevereiro de 2013, a Coreia do Norte realizou o terceiro teste nuclear de sua história , dando a largada para uma escalada da retórica belicista e ameaças de ataque norte-coreanas contra a Coreia do Sul e os Estados Unidos.

A comunidade internacional reagiu ao teste com uma condenação veemente e promessa de resposta firme em caso de qualquer agressão militar. Contudo, o regime norte-coreano do jovem líder Kim Jong-un iniciou em fevereiro a divulgação de uma série de vídeos um deles ainda antes do teste, com ameaças de ataque aos Estados Unidos.

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Saiba o que está por trás da retórica agressiva da Coreia do Norte

7 de abril – Imagem mostra um cachorro militar norte-coreanos atacando um boneco com a foto do Ministro de Defesa da Coreia do Sul Kim Kwan-Jin Foto: Reuters

Nenhum lugar do mundo é como a Coreia do Norte, e nada se assemelha à sua retórica.

Acompanho a propaganda política de Pyongyang desde os anos 1960. É uma tarefa deprimente, avivada por um estranho sorriso irônico.

A maioria da prosa de Pyongyang é pesada e estridente. Bravatas e hipérboles, além de idolatria, são recursos comuns, exaltando ou ameaçando incessantemente.

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Coreia do Norte aceita suspender programa nuclear em troca de ajuda alimentar

Estão suspensos o enriquecimento de urânio e os testes nucleares; visitas da AIEA voltam a ser permitidas

O governo da Coreia do Norte aceitou a paralisação de seu programa nuclear em troca de um pacote de 240 mil toneladas de alimentos dos Estados Unidos. O anúncio do acordo foi divulgado nesta quarta-feira (29/02) pelos dois países. Com a decisão, estão suspensos o enriquecimento de urânio e os testes de armas nucleares, como por exemplo, os mísseis de longo alcance, segundo o Departamento de Estado dos EUA. Continuar lendo