Os palestinos são os novos judeus

Gideon Levy – Haaretz

Olhe para os palestinos e olhe para nós. Olhe para os seus líderes e lembre dos nossos. Não, é claro, dos que temos hoje, mas dos que um dia tivemos, aqueles que estabeleceram um estado para nós. Os palestinos são os novos judeus e seus líderes são impressionantemente parecidos aos ex-líderes sionistas.

O David Ben-Gurion deles não está mais com eles – Yasser Arafat morreu em circunstâncias misteriosas – mas olhe para Mahmoud Abbas: não é ele Levi Eshkol? Saeb Erekat – não é Abba Eban? Salam Fayyad – não é ele Pinhas Sapir ou Eliezer Kaplan? A mesma moderação, a mesma personalidade discreta, o mesmo pragmatismo, a mesma sabedoria política e até, em certo grau, o mesmo senso de humor. Para alcançar o que é alcançável, desistir dos grandes sonhos – no plano de partição e também na solução dos dois estados. Continuar lendo

10 países avançados com problemas extremamente primitivos

Todos nós já ouvimos a expressão “problemas de primeiro mundo”, irmão mais velho do “classe média sofre”. É um meme do Twitter, uma alfinetada desdenhosa dirigida a quem fica decepcionado porque seu moccachino não tinha era espuma o suficiente (ou qualquer outra coisa do gênero, que certamente não é um problema de verdade em face a outros muito piores). E embora os países mais avançados de fato tenham “problemas” que fariam as outras nações chorarem de inveja, existem algumas áreas onde até mesmo os ricos poderiam usar uma mão amiga. Confira:

10. A Rússia é um paraíso de senhores de escravos

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Como a cisão sunita-xiita divide o mundo

A Arábia Saudita não se recusa a ocupar seu assento no Conselho de Segurança da ONU somente por causa da Síria, é também uma resposta à ameaça iraniana.

Robert Fisk

A petulante decisão da Arábia Saudita de não ocupar seu assento entre os membros sem direito a voto no Conselho de Segurança da ONU, algo sem precedentes entre os membros da Organização das Nações Unidas, tinha como objetivo expressar o descontentamento da monarquia ditatorial com Washington, que se recusou a bombardear a Síria depois do uso de armas químicas em Damasco. Mas também representou o medo dos sauditas de que Barack Obama possa responder às aberturas iranianas para uma melhor relação com o Ocidente.

O chefe da inteligência saudita, o príncipe Bandar Bin Sultan, amigão do presidente George W. Bush durante os 22 anos em que foi embaixador em Washington, já bateu no seu tamborzinho de lata para avisar os estadunidenses que a Arábia Saudita vai fazer uma “grande mudança” em sua relação com os EUA, não porque eles deixaram de atacar a Síria, mas pela inabilidade em promover um acordo de paz entre Israel e Palestina. Continuar lendo

Guatemala: um campo de extermínio da Guerra Fria

Leonardo Severo

“Na Guatemala, o terror se transformou num espetáculo: soldados, comissionados e patrulheiros civis estupravam as mulheres diante dos maridos e dos filhos. O zelo anticomunista e o ódio racista se disseminaram no desempenho da contrainsurgência. As matanças eram inconcebivelmente brutais. Os soldados matavam crianças, lançando-as contra rochas na presença dos pais. Extraíam órgãos e fetos, amputavam a genitália e os membros perpetravam estupros múltiplos e em massa e queimavam vivas algumas vítimas”.

O relato extraído do livro “A revolução guatemalteca”, (Greg Grandin, Editora UNESP, 2004), descreve os pormenores da política de terrorismo de Estado promovida pelos governos dos EUA – com apoio de Israel – contra os movimentos de resistência da nação maia nos anos 70 e 80.

Vale lembrar, destaca o autor, que “as práticas ensaiadas na Guatemala – como as desestabilizações e os esquadrões da morte dirigidos por agências de inteligência profissionalizadas – propagaram-se por toda a região nas décadas subsequentes”. E ganharam o mundo, afirmamos nós, como o comprovam as invasões do Iraque e da Líbia, onde o número de mercenários superou em muito o do exército regular. O fato destas “empresas” estarem entre as principais doadoras das bilionárias campanhas eleitorais estadunidenses não é um mero detalhe. Assim como o fato do secretário de Estado norte-americano Foster Dulles, advogado/acionista da United Fruit, ter comandado a campanha – ao lado de seu irmão Allen Dulles, chefe da CIA – pela derrubada do presidente guatemalteco Jacobo Árbenz, consumada em 28 de junho de 1954. O motor do golpe que levou ao poder o coronel Castillo Armas foi a nacionalização de terras da “Frutera” e sua distribuição a camponeses pobres e a indígenas.

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Arábia Saudita recusa assento no Conselho de Segurança da ONU e pede “reformas”

Falhas em resolver conflitos sírio e palestino e questão nuclear iraniana motivaram governo saudita a rejeitar convite

A Arábia Saudita rejeitou nesta sexta-feira (18/10) assento como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para o qual havia sido indicada no dia anterior junto a Chade, Chile, Nigéria e Lituânia.  É a primeira vez que um país se recusa a participar do órgão, composto por 15 assentos, dos quais apenas cinco são permanentes e pertencem aos Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.

Citando as falhas do conselho em resolver a disputa entre Israel e Palestina, a guerra na Síria e a proliferação de armas nucleares na região, o governo saudita disse que o órgão mais perpetuou conflitos do que ajudou em sua solução. Era a primeira vez em que a Arábia Saudita era convidada a ocupar o posto.

“Nos abstemos de assumir o posto no Conselho de Segurança da ONU até que este seja reformado e possa, efetivamente, desenvolver suas funções e exercer suas responsabilidade em manter a segurança e a paz internacional”, diz o comunicado do Ministério de Relações Exteriores de Riad. “O reino acredita que o mecanismo e o método de trabalho além do padrão duplo adotado impede o conselho de arcar com suas responsabilidades”, acrescenta o texto. Continuar lendo

Mar Morto: a praia onde nenhum banhista corre risco de afundar

A salinidade é dez vezes superior à dos oceanos. Com 30% de sais minerais em suspensão, a água pesa mais que o corpo humano. Em nenhum lugar do mundo é tão fácil nadar.

Os paredões por onde a equipe do Globo Repórter passou marcam o nível do mar. Daqui pra frente, estamos abaixo dos oceanos.

A equipe entrou na depressão do Mar Morto, a mais profunda do planeta, com 411 metros.

O Mar Morto, que, na verdade, é um lago salgado de 80 quilômetros de extensão, é compartilhado por Israel e Jordânia. Uma linha imaginária, no meio do lago divide os dois países.

Da rodovia israelense, se avistam, do outro lado, as montanhas da Jordânia. É onde, até hoje, os dois países se encaram, frente a frente. E eles estão cada vez mais perto porque o lago é cada vez menor.

Nos últimos 50 anos, o nível baixou 22 metros por causa da retirada excessiva da água do Rio Jordão, principalmente para a irrigação.

Difícil é ficar embaixo da água. A salinidade é dez vezes superior à dos oceanos.

Com 30% de sais minerais em suspensão, a água pesa mais que o corpo humano. Em nenhum lugar do mundo é tão fácil nadar. Ninguém precisa de socorro. Salva-vidas lá, vive desempregado. Continuar lendo

Conheça 7 ataques químicos que os EUA se negam a comentar

Às vésperas de uma possível ação militar sob a justificativa de uso de armas químicas, relembre episódios que Washington não faz questão de citar

Por Dodô Calixto

1. O Exército norte-americano no Vietnã. Durante a guerra, no período de 1962 até 1971, as Forças Armadas dos EUA despejaram cerca de 20 milhões de galões – 88,1 milhões de litros aproximadamente – de armamento químico no país asiático. O governo vietnamita estima que mais de 400 mil pessoas morreram vítimas dos ataques; 500 mil crianças nasceram com alguma deficiência física em função de complicações provocadas pelos gases tóxicos. E o dado mais alarmante: mais de um milhão de pessoas têm atualmente algum tipo de deficiência ou problema de saúde em decorrência do Agente Laranja – poderosa arma química disparada durante o conflito. Continuar lendo

Israel e Palestina: entre “diálogo” e possível ruptura

Por que conversações, que Washington comemora, são jogo de cena? O que exige cada parte? Como sacudir atual status quo?

Por Immanuel Wallerstein | Tradução: Cristiana Martin

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, obteve, após intensas discussões com o governo israelense e a Autoridade Palestina (AP), a retomada dos chamados “diálogos de paz”. Isto foi considerado um grande avanço. Mas será, de fato?

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Israel mantém 2.000 refugiados africanos em cadeia no deserto

Imigrantes sem papeis não têm direitos reconhecidos por governo isralense; temperatura em Saharonim chega a 40 graus

Presos ficam em barracas e mulheres não recebem visitas médicas em Saharonim

Na prisão de Saharonim, que fica no deserto do Negev, no sul de Israel, se encontram homens, mulheres e crianças do Sudão e da Eritreia, que tentaram entrar no país a pé, através da península egípcia do Sinai.

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Síria: uma guerra de todos contra todos

Eleição do moderado Rowhani no Irã complica guerra civil na Síria, onde EUA e al-Qaeda estão do mesmo lado

Por Roberto Cattani

Até agora, sob a presidência de Mahmoud Ahmadinejjad, o Irã era o principal suporte econômico e financeiro do regime de Bashar al-Assad, o grande aliado estratégico, e o maior fornecedor de armas, por intermediário do movimento xiita libanês Hezbollah.

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