Como a cisão sunita-xiita divide o mundo

A Arábia Saudita não se recusa a ocupar seu assento no Conselho de Segurança da ONU somente por causa da Síria, é também uma resposta à ameaça iraniana.

Robert Fisk

A petulante decisão da Arábia Saudita de não ocupar seu assento entre os membros sem direito a voto no Conselho de Segurança da ONU, algo sem precedentes entre os membros da Organização das Nações Unidas, tinha como objetivo expressar o descontentamento da monarquia ditatorial com Washington, que se recusou a bombardear a Síria depois do uso de armas químicas em Damasco. Mas também representou o medo dos sauditas de que Barack Obama possa responder às aberturas iranianas para uma melhor relação com o Ocidente.

O chefe da inteligência saudita, o príncipe Bandar Bin Sultan, amigão do presidente George W. Bush durante os 22 anos em que foi embaixador em Washington, já bateu no seu tamborzinho de lata para avisar os estadunidenses que a Arábia Saudita vai fazer uma “grande mudança” em sua relação com os EUA, não porque eles deixaram de atacar a Síria, mas pela inabilidade em promover um acordo de paz entre Israel e Palestina. Continuar lendo

Conheça 7 ataques químicos que os EUA se negam a comentar

Às vésperas de uma possível ação militar sob a justificativa de uso de armas químicas, relembre episódios que Washington não faz questão de citar

Por Dodô Calixto

1. O Exército norte-americano no Vietnã. Durante a guerra, no período de 1962 até 1971, as Forças Armadas dos EUA despejaram cerca de 20 milhões de galões – 88,1 milhões de litros aproximadamente – de armamento químico no país asiático. O governo vietnamita estima que mais de 400 mil pessoas morreram vítimas dos ataques; 500 mil crianças nasceram com alguma deficiência física em função de complicações provocadas pelos gases tóxicos. E o dado mais alarmante: mais de um milhão de pessoas têm atualmente algum tipo de deficiência ou problema de saúde em decorrência do Agente Laranja – poderosa arma química disparada durante o conflito. Continuar lendo

Para que servem as negociações entre israelenses e palestinos?

Autoridade Palestina e governos de EUA e Israel têm diversos objetivos por trás da retomada do diálogo

Em vista do ceticismo generalizado sobre a possibilidade de sucesso da nova rodada de negociações entre israelenses e palestinos, que terá inicio nesta quarta-feira (14/08), muitos analistas se perguntam o que leva as três partes envolvidas (o governo israelense, a Autoridade Palestina e o governo norte-americano) a reiniciar o diálogo.

De acordo com o plano do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, dentro de nove meses as negociações deverão levar à solução do conflito entre os dois povos, que já dura cerca de 130 anos.

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Entre o êxodo e a perda de vidas

No decorrer dos últimos 20 anos, cerca de 2,5 milhões de afegãos perderam suas vidas em diversos conflitos. Atualmente, o Afeganistão é o país de maior êxodo do mundo e estima-se que a maior parte dos refugiados afegãos se encontre em países vizinhos, como o Irã e o Paquistão, e que representem 6,3 milhões de pessoas

Luciana Garcia de Oliveira

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Síria: uma guerra de todos contra todos

Eleição do moderado Rowhani no Irã complica guerra civil na Síria, onde EUA e al-Qaeda estão do mesmo lado

Por Roberto Cattani

Até agora, sob a presidência de Mahmoud Ahmadinejjad, o Irã era o principal suporte econômico e financeiro do regime de Bashar al-Assad, o grande aliado estratégico, e o maior fornecedor de armas, por intermediário do movimento xiita libanês Hezbollah.

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Número de refugiados e deslocados no mundo supera 45 milhões, diz ONU

De acordo com relatório das Nações Unidas, uma pessoa se torna refugiada a cada quatro segundos no mundo

O número de refugiados e deslocados no mundo bate recorde em quase vinte anos e alcança uma cifra de 45,2 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas, que alerta para a crise na Síria como um dos principais fatores de deslocamento global.

Segundo o Relatório Tendências Globais 2012, divulgado nesta quarta-feira, (19/06), de 2011 para 2012, 2,6 milhões de novos refugiados e deslocados se somaram aos já existentes 42,5 milhões (2011). Dos quais, 28,8 milhões de pessoas foram forçadas a fugir dentro das fronteiras de seus próprios países e 15,4 milhões obtiveram o status de refugiado em outros países.

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O desafio de ser refugiado

Convivemos hoje com o maior contingente de refugiados na história da humanidade – 160 milhões de pessoas. São homens, mulheres e crianças deslocados por flagelos como guerras, perseguições políticas e religiosas, intolerância de natureza étnica e racial.

Washington Araújo

À medida que o mundo avança para o terceiro milênio e quando se torna inadiável uma nova configuração do ordenamento jurídico internacional, existe um contingente de cerca de 160 milhões de pessoas (equivalente a mais que quatro populações da Argentina) fora de seus países de origem. São os refugiados. Aqueles que foram forçados a fugir por recearem pela sua vida e liberdade, e que na maioria dos casos, abandonaram tudo – casa, bens, família e país – rumo a um futuro incerto em terras estrangeiras. Convivemos, neste limiar do século XXI, com o maior contingente de refugiados na história da humanidade. Um número tão impressionante que representa nada menos que o triplo do número total de refugiados registrados na Europa, no início do século 20.

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O que os especialistas em “Brazil” pensam do Brasil

Aos olhos dos norte-americanos que estudam o país, Brasil promete se tornar potência global, mas falha em necessidades básicas

“Quando o brasileiro se vê representado, isso valida e reproduz a posição dele. Quando o brasileiro quer consumir o que o New York Times diz sobre ele, ele se coloca na posição de objeto do outro e reverencia esses gestos”, disse José Luiz Passos, diretor da Universidade da Califórnia em Los Angeles, a Daniel Buarque, autor do recém-lançado Brazil – um país do presente

[O autor Daniel Buarque durante lançamento do seu livro, em São Paulo]

Justamente em busca de entender essa visão do outro sobre o brasileiro, mais especificamente do ponto de vista dos EUA, é que o jornalista e escritor Daniel Buarque entrevistou mais de cem especialistas no Brasil, os chamados brasilianistas, para criar um amplo retrato em seu livro: de economia à Amazônia, de imigração a política.

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Ecos de uma guerra por petroléo

Tempos atrás, os responsáveis norte-americanos asseguraram: a invasão do Iraque − que completará dez anos no dia 20 de março de 2013 − não tinha como objetivo a exploração do petróleo, mas sim a busca por armas de destruição em massa. Entretanto, documentos recentemente desclassificados pelos EUA mostram outra história

por Jean-Pierre Séréni

Membros da unidade de antiterrorismo iraquiana protegem instalação de petroléo na cidade de Basra

Para a população iraquiana, é muito claro; para os falcões do Pentágono, um contrassenso. A guerra do Iraque, que desde março de 2003 fez ao menos 650 mil mortos, 1,8 milhão de exilados e tantas outras pessoas deslocadas, foi uma guerra pelo petróleo? Graças a uma série de documentos norte-americanos recentemente desclassificados1 e apesar das negações de George W. Bush, de seu vice-presidente Dick Cheney, de seu ministro da Defesa Donald Rumsfeld, assim como de seu fiel aliado Tony Blair, primeiro-ministro britânico no momento da invasão, o historiador agora pode responder a essa pergunta com uma afirmativa.

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Fracassam as negociações sobre Tratado de Comércio de Armas

Oposição de Irã, Coreia do Norte e Síria foi crucial, disse presidente.
Secretário-geral da ONU se disse ‘profundamente decepcionado’.

Os países da ONU fracassaram nesta quinta-feira (28) em alcançar um acordo sobre um projeto de tratado para regulamentar o comércio internacional de armas, devido à oposição de Irã, Coreia do Norte e Síria, informou o presidente da conferência, Peter Woolcott, segundo a France Presse.

“Não há consenso para este ano”, declarou Woolcott, após Teerã, Pyongyang e Damasco reafirmarem sua negativa ao tratado em sessão plenária.

Em nota, o secretário-geral da ONU disse que os países estavam muito perto de um acordo com regras globais sobre compra e vendas de armamentos e declarou que está “profundamente decepcionado” com o fracasso. O objetivo do tratado era evitar que armas letais chegassem às mãos de facções guerrilheiras, terroristas, piratas e criminosos.

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