Iraque dez anos depois: a guerra é um grande negócio!

Reginaldo Mattar Nasser

“A guerra é um crime… facilmente, o mais rentável, certamente, o mais cruel … É o único em que os lucros são contados em dólares e as perdas em vidas …. Ela é conduzida para o benefício dos poucos, à custa dos muitos….. eu passei a maior parte do meu tempo como um “ defensor de alta classe” para os Grandes Negócios, para Wall Street e para os banqueiros. Em suma, eu era um gângster, um gangster para o capitalismo. “( Major General Butler)

O ataque norte-americano ao Iraque completou dez anos nesta semana com a constatação por grande parte dos analistas de que a estratégia do governo Bush foi um fracasso: os Estados Unidos e seus aliados não conseguiram alcançar os objetivos anunciados e as consequências da operação militar foram desastrosas, seja do ponto de vista moral, econômico ou militar. Mas o que o discurso sobre a derrota dos EUA não revela é que essa guerra foi e continua sendo uma grande vitória para alguns.  Continuar lendo

O legado dos EUA no Iraque, dez anos após a invasão

Patrick Cockburn – The Nation

Dez anos atrás, iraquianos, ainda que originalmente opostos a eles, esperavam que a invasão dos Estados Unidos e a ocupação trariam ao menos um fim ao sofrimento que enfrentavam sob as sanções e outros desastres consequentes da derrota na primeira Guerra do Golfo, de 1991. Hoje, o povo em Bagdá reclama ainda o mesmo estado de permanente crise causada pela violência criminosa e sectária, corrupção estrutural, infraestrutura fragilizada e um governo disfuncional. Muitos iraquianos dizem que o que realmente querem em 2013 é o mesmo que queriam em 2003: a possibilidade de visto para outro país, onde podem conseguir emprego.

Bagdá já foi uma cidade onde sunitas, xiitas e cristãos viviam lado a lado, conscientes de suas crenças distintas, mas não amedrontados um pelo outro. Isso tudo mudou durante a guerra civil de 2006-2008, que, em seu pico, matou mais de 3.700 iraquianos num só mês, e desses mortos a grande maioria era de Bagdá. “Não existem mais tantas áreas mistas hoje”, diz uma mulher xiita que vive com sua mãe num distrito de maioria sunita e que tenta esconder sua identidade dos seus vizinhos sunitas. A mulher está preocupada com a possibilidade de ser interrogada a fim de entregar evidências que incriminem um destes vizinhos, que está na prisão acusado de matar um xiita cinco anos atrás. Ela suspeita que o detido tenha deixado munições em frente a sua casa como ameaça; a mulher não quer entregar qualquer evidência, porque isso traria às claras seu grupo (sunita) e a deixaria exposta a retaliações. Continuar lendo

ESPECIAL CONFLITOS NO ORIENTE MÉDIO – 5ª PARTE – 2 matérias sobre o envolvimento do Iraque e Saddam Husseim nos conflitos recentes do Oriente Médio

As guerras do Golfo Pérsico

Tida por muitos séculos como uma região desimportante sob o ponto de vista econômico, a região do Golfo Pérsico, especialmente depois da IIª Guerra Mundial, passou a deter as atenções do mundo inteiro pela importância cada vez maior que o petróleo passou a assumir no século XX. A riqueza impressionante do seu subsolo, que acolhe mais de 60% das reservas de óleo cru conhecidas, terminou por gerar cobiças e desejos de conquista e dominação, fazendo do Golfo Pérsico uma interminável praça de guerra.

A região do Golfo Pérsico foi, por séculos a fio, uma área pobre, esquecida e abandonada do mundo. Só despertava o interesse das expedições arqueológicas, visto ser o epicentro das imemoriais culturas mesopotâmicas, nascidas nas margens dos rios Tigre e Eufrates (como a da caldéia, da assíria e da babilônia, consideradas matrizes da civilização). Historicamente, ela separa o mundo árabe dos persas, e, até 1918, fazia a fronteira entre o reino da Pérsia e o Império Turco Otomano, a verdadeira potência daquela região. Até então, o Império Britânico tinha uma pequena presença por lá, limitando-se a tutelar, desde o século XVIII, o emirado do Kuwait e controlar o estreito de Omã. Continuar lendo

ESPECIAL CONFLITOS NO ORIENTE MÉDIO – 4ª PARTE – 5 matérias e 2 vídeos sobre a Invasão do Iraque em 2003

A Guerra do Iraque 2003

A Invsão do Iraque em 2003,(de 20 de Março a 1 de Maio de 2003) foi liderada pelos Estados Unidos, conjuntamente com o Reino Unido e pequenos contigentes da Austrália, Dinamarca, Polónia e Espanha. Continuar lendo