A exclusão no espaço doméstico

Já pensaram que o “social” ser antítese do “serviço”, em prédios e condomínios, significa que aqueles que trabalham não fazem parte da sociedade?

Por Fernando Luiz Lara. 

(Confira o primeiro artigo desta série aqui)

Os apartamentos onde vivem uma significativa parcela da população urbana brasileira são espacialmente idênticos. De um lado, o eixo social: sala-corredor-quartos-banheiros; do outro, o eixo de serviços: cozinha-área-quarto de empregada. Cada eixo com sua porta abrindo para o hall dos elevadores e uma porta de conexão entre eles (LARA, 2009).

Essa brevíssima descrição acima já contém várias das idiossincrasias do espaço doméstico brasileiro. A começar pela famigerada porta de serviço que discuti rapidamente no texto anterior. Estou absolutamente convencido de que a porta de serviço é um resquício da relação entre casa grande e senzala, que sobreviveu os 125 passados anos desde a abolição da escravatura. Impressionante como algumas coisas mudam rápido e outras mudam tão devagar.

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