Disputando espaço em um mundo superpovoado

ALAN MATTINGLY

A discussão sobre os recursos consumidos neste planeta cada vez mais povoado se volta fortemente à energia: como alimentar a sede crescente por energia de maneiras que não destruam nosso ar, nossa água, nosso clima. Mas uma necessidade humana mais fundamental, envolvendo um recurso que é finito, impõe sua própria necessidade de invenção. Trata-se da necessidade de um espaço para ser, simplesmente.

Os desafios enfrentados para atender a essa necessidade são variados, movidos por fatores geográficos, econômicos e de oportunidade. As soluções encontradas são igualmente diversas.

Cingapura tem 5,4 milhões de habitantes, número previsto para chegar a quase 7 milhões até 2030, e seu espaço está se esgotando. Com opções limitadas, a cidade estuda a possibilidade de construir para baixo.

“Cingapura é pequena. Quer tenhamos 6,9 milhões de habitantes, quer não, sempre existe a necessidade de encontrar mais espaço para a construção”, disse ao “New York Times” Zhao Zhiye, da Universidade Tecnológica Nanyang.

Em apartamentos de Hong Kong, moradores vivem em cubículos alugados que têm espaço apenas para colchão, TV e prateleiras

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Solução urbana

Por que as cidades são o melhor remédio contra os males da superpopulação no planeta

por Robert Kunzig
Renascimento na Cidade de Nova York A Times Square vibra com energia renovada. Um projeto de reforma urbana que durou 30 anos transformou um trecho decadente da Broadway no atual centro de compras e entretenimento iluminado por néon. Há quem não aprecie o comércio gritante, mas todos estão satisfeitos com a animada presença nas ruas do recurso mais valioso em uma cidade – as pessoas. Para obter esta imagem, Stephen Wilkes fotografou durante dez horas de um único ponto, mesclando digitalmente os instantâneos de modo a construir esta cena única

Renascimento na Cidade de Nova York A Times Square vibra com energia renovada. Um projeto de reforma urbana que durou 30 anos transformou um trecho decadente da Broadway no atual centro de compras e entretenimento iluminado por néon. Há quem não aprecie o comércio gritante, mas todos estão satisfeitos com a animada presença nas ruas do recurso mais valioso em uma cidade – as pessoas. Para obter esta imagem, Stephen Wilkes fotografou durante dez horas de um único ponto, mesclando digitalmente os instantâneos de modo a construir esta cena única

No tempo de Jack, o Estripador, uma época difícil para Londres, também vivia na capital britânica um afável estenógrafo chamado Ebenezer Howard – e ele merece ser lembrado porque acabou tendo um impacto significativo e duradouro no modo como pensamos as cidades. Calvo, com bigode farto que lhe cobria a boca e óculos de armação metálica, Howard tinha o ar distraído de um sonhador. E não estava nada contente com seu trabalho, que era o de transcrever discursos parlamentares. Sua inquietação levou-o a investigar o espiritismo, aprender o esperanto, uma língua que acabara de ser criada, e inventar uma máquina de taquigrafia. Além disso, sonhava com imóveis. Em carta de 1885 à esposa, ele afirma que o melhor para a família deles seria uma casa com “um jardim muito agradável e talvez até uma quadra de tênis”. Após gerar quatro filhos ao longo de seis anos enquanto morava em uma apertada casa alugada, Howard concebeu um plano para despovoar Londres. Continuar lendo