A Primavera Árabe ainda não disse sua última palavra

Três anos após o início do movimento que derrubou presidentes, a contestação no mundo árabe, ameaçada pelas ingerências externas e pelas divisões confessionais, procura um novo fôlego. Se a Síria vive o pior dos cenários, a Tunísia confirma que o desejo por cidadania pode desembocar em um progresso real

por Hicham Ben Abdallah El Alaoui

Em seus primórdios, a Primavera Árabe deitou por terra os preconceitos ocidentais. Ela colocou em maus lençóis os clichês orientalistas sobre a incapacidade congênita dos árabes de conceber um sistema democrático e abalou a crença segundo a qual eles não mereceriam nada melhor do que ser governados por déspotas. Três anos depois, as incertezas permanecem intactas quanto ao desfecho do processo, que entra em sua quarta fase.

Na primeira etapa, concluída em 2011, teve início uma onda gigantesca de reivindicações relativas à dignidade e à cidadania, alimentada por protestos intensos e espontâneos. A etapa seguinte, em 2012, marcou um momento em que as lutas se voltaram para si mesmas, para o contexto local e para o ajustamento delas à herança histórica de cada país. Simultaneamente, forças externas começaram a reorientar esses conflitos para direções mais perigosas, levando os povos à situação que conhecem hoje. Continuar lendo

Como a cisão sunita-xiita divide o mundo

A Arábia Saudita não se recusa a ocupar seu assento no Conselho de Segurança da ONU somente por causa da Síria, é também uma resposta à ameaça iraniana.

Robert Fisk

A petulante decisão da Arábia Saudita de não ocupar seu assento entre os membros sem direito a voto no Conselho de Segurança da ONU, algo sem precedentes entre os membros da Organização das Nações Unidas, tinha como objetivo expressar o descontentamento da monarquia ditatorial com Washington, que se recusou a bombardear a Síria depois do uso de armas químicas em Damasco. Mas também representou o medo dos sauditas de que Barack Obama possa responder às aberturas iranianas para uma melhor relação com o Ocidente.

O chefe da inteligência saudita, o príncipe Bandar Bin Sultan, amigão do presidente George W. Bush durante os 22 anos em que foi embaixador em Washington, já bateu no seu tamborzinho de lata para avisar os estadunidenses que a Arábia Saudita vai fazer uma “grande mudança” em sua relação com os EUA, não porque eles deixaram de atacar a Síria, mas pela inabilidade em promover um acordo de paz entre Israel e Palestina. Continuar lendo

OIT diz que falta igualdade de direitos para os trabalhadores domésticos no mundo

Reformas legislativas estes empregados foram concluídas em vários países, incluindo Argentina, Bahrein, Brasil, Espanha, Filipinas, Tailândia e Vietnã

Levantamento feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que apenas 10% dos trabalhadores domésticos em todo o mundo têm os mesmos direitos que os demais trabalhadores. Ainda segundo a OIT, os trabalhadores domésticos ao redor do planeta estão sujeitos a condições de trabalho consideradas deploráveis, exploração do trabalho e abuso dos direitos humanos.

O estudo foi feito pelo Escritório Internacional do Trabalho – criado para discutir políticas para melhorar a condição dos trabalhadores domésticos no mundo e analisar a implementação da Convenção dos Trabalhadores Domésticos. O resultado foi divulgado pelo Conselho de Administração da OIT na semana passada, em reunião em Genebra que avaliou as ações dos países-membros no sentido de ampliar os direitos desses trabalhadores. Continuar lendo

A geopolítica não considera direitos

por Silvio Caccia Bava

O que estamos aprendendo nos dias de hoje é que os Estados não se movem pela defesa dos direitos humanos. Eles obedecem à lógica do acúmulo e manutenção do poder. Aprendemos também que as guerras chamadas humanitárias têm muito pouco de humanitárias.

Sempre é possível comparar situações semelhantes em contextos diferentes: no caso da Líbia, por exemplo, as forças da Otan, Estados Unidos à frente, se posicionaram em apoio à revolução. Aí estava em jogo garantir um futuro governo alinhado com os interesses ocidentais, garantindo o indispensável fluxo do petróleo para irrigar suas economias. No caso do Bahrein, algo muito emblemático, as forças da Liga Árabe que ocuparam o país, sob orientação dos EUA, se posicionaram contra a revolução e em apoio ao governo ditatorial, mas para quê? De novo, para garantir o indispensável fluxo do petróleo da região para irrigar suas economias. E para isso é indispensável garantir também sua posição de força na região. Dois pesos, duas medidas. Continuar lendo

ESPECIAL PRIMAVERA ÁRABE – uma matéria e um vídeo sobre a onda de revoltas no Mundo Árabe

Após 6 meses, ‘Primavera Árabe’ vive de violência e incertezas

Tariq Saleh

De Beirute, Líbano, para a BBC Brasil

Mais de seis meses após seu início, a “Primavera Árabe”, onda de levantes populares que começou na Tunísia e se espalhou por vários países da região, se encontra em um impasse de violência, mortes, frustrações e dúvidas quanto a mudanças práticas. Continuar lendo