Jurandyr Ross em 1989

Este último geógrafo tentou reunir em seu estudo os dois critérios citados anteriormente, ou seja, em sua classificação ele associou informações sobre o processo de erosão e de sedimentação dominantes na atualidade (critérios geomorfoclimáticos) com informações da base geológico-estrutural do terreno e com o nível altimétrico (critério geomorfológico).
a) Quanto ao critério:
As classificações das macrounidades do relevo brasileiro sofreu uma evolução quanto aos critérios e métodos utilizados. A pioneira classificação da década de 40, de Aroldo de Azevedo, utilizava como critério de classificação a altimetria, sob a qual as superfícies acima de 200m seriam os planaltos e, as que estivessem entre o nível do mar até 200m seriam as planícies. A classificação de Aziz Ab’Saber, da década de 50, adota o conceito de processo erosivo para classificar as macrounidades: planaltos são superfícies em que predomina o desgaste erosivo, enquanto planícies são aquelas em que predominam os processos de acumulação dos sedimentos. Quanto ao seu critério Jurandyr Ross associou informações sobre o processo de erosão e de sedimentação dominantes (critério geomorfoclimáticos) com informações da base geológico-estrutural do terreno e com o nível altimétrico (critério geomorfológico).
– Critério morfoestrutural (Estrutura Geológica). Segundo as características morfoestruturais ele classificou em três níveis o relevo:
    – considera altimetria da superfície (planalto, planície ou depressão);
    – considera a estruturação das macro-unidades: base geológica (ex.: sedimentar, cristalino…);
– Critério morfoclimático (Ação do clima)
– considera os processo intemperísticos (ganho ou perda de sedimentos):
– Critério morfoescultural (Agentes externos)
   – considera o processo de erosão.
b) quanto a classificação:
A classificação do relevo brasileiro de Jurandyr Ross, elaborada com base em imagens de radar das décadas de 80 e 90, possibilitou ampliar a complexidade da geomorfologia do Brasil. Ross propôs a criação de uma terceira macro-unidade além dos planaltos e planícies, as depressões; além de ter estendido para quase trinta as unidades de relevo.
-Planaltos: superfícies acima de 300 metros de altitude que sofrem desgaste erosivo. Contém formas de relevo irregulares como morros, serras e chapadas.
-Planícies: são superfícies planas, com altitude inferior a 100 metros, formada pelo acúmulo de sedimentos de origem marinha, fluvial e lacustre.
-Depressões: superfícies entre 100 e 500 metros de altitude sendo mais planas que os planaltos (é uma superfície com suave inclinação) e mais rebaixadas que as áreas do entorno, além de sofrerem desgaste erosivo (formada por prolongados processos de erosão) e apresentarem elevações residuais como inselbergs e planaltos residuais.
c) Quanto as mudanças ocorridas:
c.1) Planaltos: São formas de relevo elevadas e aplainadas, com altitudes superiores a 300 metros, marcadas por escarpas onde o processo de desgaste é superior ao acúmulo de sedimentos. Podem ser encontradas em qualquer tipo de estrutura geológica. Nas bacias sedimentares, os planaltos se caracterizam pela formação de escarpas em áreas de fronteiras com as depressões. Formam também as chapadas, extensas superfícies planas de grandes altitudes. Os planaltos são chamados de “formas residuais” (de resíduo, ou seja, do que ficou do relevo atacado pela erosão). Quanto à estrutura geológica, podemos considerar alguns tipos gerais de planaltos:
Os Planaltos continuaram dominando o território brasileiro, só que passaram a ser subdivididos em:c.1.1) Planalto em bacias sedimentares – são os planaltos da Amazônia Oriental (Amazônia e Pará), os planaltos e chapadas da bacia do Parnaíba (Pará, Maranhão e Piauí) e da bacia do Paraná (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul);

c.1.2) Planaltos em intrusões e coberturas residuais de plataforma – são os chamados escudos cristalinos. Temos como exemplo o Planalto Norte-Amazônico (chamado de Planalto das Guianas nas classificações anteriores);

c.1.3) Planaltos dos cinturões orogênicos – originaram-se da ação da erosão sobre os dobramentos sofridos na era pré-cambriana. São as Serras do Mar, da Mantiqueira, do Espinhaço e as Serras do atlântico Leste-Sudeste;

c.1.4) Planaltos em núcleos cristalinos arqueados – isolados e distantes uns dos outros, possuem a mesma forma arredondada. São o Planalto da Borborema e o Planalto Sul-Rio-Grandense;

c.2) Planície: São superfícies relativamente planas, onde o processo de deposição de sedimentos é superior ao desgaste. São formações de relevo geologicamente muito recentes. Sua formação ocorre em virtude da sucessiva deposição de material de origem marinha, lacustre ou fluvial em áreas planas. Normalmente, estão localizadas próximas do litoral ou dos cursos dos grandes rios e lagos. As planícies brasileiras podem ser divididas em:
c.2.1) Planícies costeiras: Encontradas no litoral como as Planícies e Tabuleiros Litorâneos, e a Planície da Lagoa dos Patos e Mirim.
c.2.1) Planícies continentais: Situadas no interior do país, como a Planície do Pantanal. Na Amazônica, são consideradas planícies as terras situadas junto aos rios.
Obs1. As Planícies (exclusivamente em bacias sedimentares) passaram a ocupar uma porção bem menor do território brasileiro. Surgem as planícies costeiras (na área costeira nordestina aparecem as planícies e os tabuleiros costeiros – baixos planaltos que sofrem erosão e podem ter como limite, junto ao mar, as falésias) e as planícies continentais (planície do pantanal e as planícies fluviais junto aos rios). Na classificação de Ross as planícies são em menor número que os planaltos e as depressões. Isto se deve ao fato de que muitas áreas que antes eram consideradas planícies, correspondem na verdade as depressões ou planaltos desgastados. A planície Amazônica que na classificação de Aroldo de Azevedo e Aziz Ab’Saber ocupava cerca de 2 milhões de km2, ocupa na classificação atual cerca de 100 mil km2
Obs2. Com relação as áreas classificadas como planícies essas são formadas por sedimentos que tem sua origem em material de origem marinha, lacustre ou fluvial em áreas planas como se verifica nas várzeas e “igapós” da Amazônia, no Pantanal Matogrossense ou na planície Mato-Grossense, que avança em direção à Bolívia e ao Paraguai, numa área de sedimentação aluvial recente, com oscilação de altitude entre 100 e 150 m. No litoral do Rio Grande do Sul podem se destacar as planícies das lagoas dos Patos e Mirim. Nas planícies costeiras e nas várzeas fluviais em geral. Temos também planícies tabulares na orla litorânea, com suas “falésias” e “barreiras”, formações cristalinas ou sedimentares que constituem paredões junto ao mar.
c.3) Depressões: São áreas rebaixadas em consequência da erosão que se formaram no limite das bacias sedimentares (planícies) com os maciços antigos (planaltos) devido a processos erosivos, rebaixando o relevo, principalmente na Era Cenozóica. São onze no total e recebem denominações diferentes conforme suas características  e localização, se subdivido em:
c.3.1) Depressão periférica: Nas regiões de contato entre estruturas sedimentares e cristalinas (área deprimida que aparece na zona de contato entre terrenos sedimentares e cristalinos). Tem forma alongada. Exemplificando:
– Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná,
– Sul-Rio-Grandense – nº 22 no mapa de Ross)
c.3.2) Depressões Marginais: margeiam as bordas de bacias (terrenos) sedimentares, esculpidas em estruturas cristalinas.
Exemplificando:
– Depressão sul Amazônica e Norte Amazônica.
c.3.3) Depressões Interplanálticas: São áreas mais baixas em relação aos planaltos que as circundam.
Exemplificando:
– Depressão Sertaneja e do São Francisco.

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