“O maior legado da Copa foi a especulação imobiliária”

O coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, expõe as razões que levaram o movimento a tornar-se um dos protagonistas dos protestos contra o Mundial.

Guilherme Boulos (esq.) encontrou com Dilma, antes de inauguração do Itaquerão, para discutir desapropriação de terreno no entorno do estádio

Desde o início das obras da Arena Corinthians, há três anos, os apartamentos no bairro de Itaquera, na zona leste de São Paulo, apresentaram uma valorização de 50%, segundo o índice Finpe/Zap. Entre 2008 e 2011, o aumento dos preços não passou de 10%. Não há como negar a relação entre o advento da estrutura para a Copa do Mundo na região e a disparada da especulação imobiliária. Nesse cenário, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) tem assumido um protagonismo maior nos protestos contra o megaevento. Em 2 de junho, o grupo liderou a ocupação de um terreno em frente ao Parque do Carmo, em Itaquera, a quatro quilômetros do palco de abertura do Mundial. Mais de 2 mil famílias montaram barracões na chamada “Copa do Povo”. Na quinta-feira 8, o coletivo Resistência Urbana, capitaneado pelo MTST, organizou três frentes de protestos em São Paulo. Os alvos foram as sedes das construtoras OAS, Odebrecht e Andrade Gutierrez, responsáveis por erguer mais de metade das arenas para a Copa.

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Álcool mata mais do que aids e violência

Relatório da OMS alerta que ingestão nociva de bebidas alcoólicas faz mais de três milhões de vítimas por ano no mundo. Consumo no Brasil é mais alto do que a média global

Em um estudo feito em 194 países, as mortes relacionadas a bebidas alcoólicas corresponderam a 5,9% do total de 2012

O consumo nocivo de álcool causou a morte de 3,3 milhões de pessoas no mundo em 2012, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta segunda-feira 12.

Segundo o estudo, feito em 194 países, as mortes relacionadas a bebidas alcoólicas corresponderam a 5,9% do total de 2012, cifra superior às mortes ligadas ao HIV (2,8%), à violência (0,9%) ou à tuberculose (1,7%).

“Precisamos fazer mais para proteger a população das consequências negativas do consumo de álcool”, diz Oleg Chestnov, diretor-geral adjunto da OMS para doenças não transmissíveis e saúde mental. Continuar lendo

Boko Haram, de seita extremista a grupo armado

Pregando um islã radical e rigoroso, movimento culpa os valores ocidentais, instaurados pelos colonizadores britânicos, por serem a fonte todos os males sofridos pelo país africano

Vídeo divulgado pelo grupo mostra meninas sequestradas

O grupo radical islâmico Boko Haram, autor do sequestro de mais de 200 estudantes na Nigéria, nasceu de uma seita que atraiu a juventude do norte do país com um discurso crítico em relação ao regime nigeriano corrupto. Pregando um islã radical e rigoroso, Mohammed Yusuf, o fundador, acusava os valores ocidentais, instaurados pelos colonizadores britânicos, de serem a fonte todos os males sofridos pelo país. Boko Haram significa “a educação ocidental é pecaminosa” em haussa, a língua mais falada no norte da Nigéria.

O grupo também atraiu a juventude de Maiduguri, capital do estado de Borno, com um discurso agressivo contra o governo. Os novos recrutas estão principalmente entre os “almajirai”, os estudantes corânicos itinerantes, que não tiveram acesso a uma educação de qualidade por serem muito pobres. Também recebe apoio de intelectuais que consideram que a educação ocidental corrompe o islã tradicional. Continuar lendo