Sensibilizando sem tomar o poder

Os cinco dias de vivência que tive no mundo zapatista não foram suficientes para uma compreensão plena da complexidade de seu funcionamento, da relação entre as instituições armadas e políticas e da dinâmica de liderança. Pude ver, porém, o comprometimento da luta dos indígenas chiapanecos

por Felipe Addor

O contexto histórico

Há pouco mais de trinta anos, um grupo de seis militantes de esquerda, sendo três indígenas,1 embrenharam-se nas selvas do estado de Chiapas, um dos mais ricos e desiguais do México, com um único objetivo: constituir um foco de resistência aos avanços das políticas que atentavam contra o bem-estar da população mexicana e promoviam a privatização e a concentração das propriedades rurais. Graças à convivência de aprendizado mútuo com as comunidades indígena descendentes dos povos maias, começou a consolidar-se uma nova luta, que misturava a formação socialista daqueles militantes com a cultura indígena, baseada na organização comunitária, nas decisões coletivas e na luta pela autonomia. Não menos importante, desenvolveu-se uma sólida formação militar, que tinha como estratégia o conhecimento dos meandros do território da Selva Lacandona. Continuar lendo

A Índia reconhece os transexuais como um “terceiro gênero”

A Suprema Corte arremete contra a discriminação em um país onde as relações homossexuais são ilegais

Ativistas homossexuais da Índia.

“Não sou homem nem sou mulher: sou transexual. Este é um grande dia para as pessoas como eu na Índia. Seremos aceitos pelo que somos”, diz Kiran ao saber da notícia. A Suprema Corte da Índiareconhece a partir desta terça-feira as pessoas transexuais como um terceiro sexo, diferente do feminino e do masculino, uma medida que busca acabar com sua discriminação em um país onde, entretanto, as relações homossexuais são ilegais. “Os transexuais são também cidadãos deste país. É direito de todo ser humano escolher seu gênero”, afirma o veredicto, dizendo tratar-se de uma questão “de direitos humanos”. Continuar lendo