O mapa da América Latina sem o Brasil

Se o país fosse eliminado do continente, este se transformaria em uma figura irreconhecível

José Saramago, o falecido Nobel de Literatura português, me fez reparar certo dia que na Espanha, quando mostram a previsão do tempo na televisão, nunca eliminam Portugal. E me comentou: “É que vós, os espanhóis, se arrancais Portugal do mapa, sentis complexo de castração”.

E é verdade: a pele de touro ibérica, sem Portugal, aparece como uma imagem mutilada, esquisita, na acepção negativa do vocábulo português [ao contrário do espanhol “exquisito”, que significa excelente].

Discute-se cada vez mais se o Brasil pertence integralmente à América Latina. Os brasileiros, em geral, não se sentem de todo latino-americanos, e sim simplesmente “brasileiros”, por múltiplas razões históricas, entre as quais a língua que os separa dos outros povos do continente. Continuar lendo

ESPECIAL NELSON MANDELA – 9 matérias sobre o líder africano

O Evangelho segundo Mandela

Não podemos nos esquecer que países como Israel, EUA e Inglaterra apoiaram durante décadas o regime do apartheid. Se dependesse deles, Mandela teria morrido na prisão, a África do Sul ficaria afundada no caos e o mundo não teria a oportunidade de fabricar a lenda do novo Messias

por Alain Gresh

Um herói do nosso tempo”, afirmava o Courrier Internacional de junho de 2010. “Ele mudou a história”, valoriza ainda mais a revista Le Nouvel Observateur de maio de 2010. Acompanhadas de fotos de Nelson Mandela sorridente, essas duas capas são o testemunho de uma adoração quase unânime, a qual o filme Invictus, do diretor Clint Eastwood, levou à apoteose. Com a Copa do Mundo de futebol, se intensifica o culto ao profeta visionário que rejeitou a violência e guiou seu povo em direção a uma terra prometida onde vivem, em harmonia, negros, mestiços e brancos. O presídio de Robben Island, onde ele ficou encarcerado por 18 anos, passou a ser lugar de visitação obrigatória para turistas estrangeiros, e lembra um passado um pouco nebuloso, do tempo em que oapartheid desonra e suscita condenação universal, em primeiro lugar, a dos democratas ocidentais.

Cristo foi morto na cruz há aproximadamente dois mil anos. Muitos pesquisadores se perguntam sobre a correspondência entre o Jesus dos Evangelhos e o Jesus histórico. O que conhecemos da vida terrestre do “filho de Deus”? De quais documentos dispomos para definir sua pregação? Os testemunhos resgatados no Novo Testamento são realmente confiáveis? Continuar lendo