Espaço urbano: uma trajetória histórica

Para entendermos a atual dinâmica do espaço urbano, devemos vislumbrar quais processos dão origem a sua complexidade organizacional, sua forma, seu conteúdo e produção.

por Guilherme Freitas Hartmut Behm*

Como diria Lewis Mumford no estudo da história das cidades em seu livro A Cidade na História: “Se quisermos identificar a cidade, devemos seguir a trilha para trás, partindo das mais completas estruturas e funções urbanas conhecidas, para seus componentes originários, por mais remotos que se apresentem.”

Avenida Paulista em 4 tempos: 1. A Pintura de Jules Martin mostra a Avenida Paulista na época de sua inauguração. A Paulitsta foi inaugurada por Joaquim Eugênio de Lima no dia 8 de Dezembro de 1891. Fonte: Acervo do Museu Paulista da Universidadede São Paulo (reprodução do livro Álbum Iconográfico da Avenida Paulista de Benedito Lima de Toledo). 2. Foto de 1935 mostra a vista aérea da Avenida Paulista do trecho que vai da Rua Minas Gerais a Rua Augusta. Do lado direito, a grande construção é o Colégio São Luiz e ao fundo o bairro do Pacaembu. 3. Durante as décadas de 60 e 70, com a valorização imobiliária da região, começam a surgir na Avenida Paulista os característicos “espigões”, edifícios de escritórios com 30 andares em média. 4. Durante sua evolução, a Avenida Paulista passou por várias reformas paisagísticas. Os locais destinados aos carros foram alargados e criaram-se calçadões com desenhos de mosaicos portugueses em branco e preto.

O mundo nem sempre foi como hoje, urbano. No passado, antes da produção do excedente  , no período Paleolítico, os homens eram nômades, não tinham moradia fixa. Contudo, foi justamente nesse período que apareceram as primeiras manifestações e o interesse de se fixar  em algum lugar.

É no período seguinte, o Mesolítico que a cidade  surge, como afirma Maria Encarnação B. Sposíto emCapitalismo e Urbanização: “É efetivamente no período […], Mesolítico que se realiza a primeira condição necessária para o surgimento das cidades: a existência de um melhor suprimento de alimentos através da domesticação dos animais, e da prática de se reproduzirem os vegetais comestíveis por meio de mudas. Isto se deu há cerca de 15 mil anos e todo esse processo foi muito lento, porque somente três ou quatro mil anos mais tarde essas práticas se sistematizaram, através do plantio e da domesticação de outras plantas com sementes e da criação de animais em rebanho.”

Lewis Mumford Nasceu em Nova York e estudou no City College e na New School for Social Research, na sua cidade nativa. Colaborou em publicações e seus primeiros textos publicados em jornais e revistas firmaram seu interesse por questões urbanas. Em suas obras advertia de que a sociedade tecnológica deveria entrar em harmonia com o desenvolvimento pessoal e as aspirações particulares. Costumava dizer: “A tecnologia ensinou uma lição à humanidade: nada é impossível.”

Produção do excedente
É produzir além do necessário para sua subsistência.
Fixar
Como diz Aristóteles nos fixamos “pela necessidade de convivência”. Já Lewis Mumford acha que essa necessidade de se fixar aparece pela preocupação do homem paleolítico com os mortos, quando diz que a “A cidade dos mortos antecede a cidade dos vivos.”
Cidade 
O Conceito de Cidade Estado surge nas cidades gregas conhecidas como pólis, há mais de 2 mil anos a.C. A pólis significava a união de todos os cidadãos na manutenção dos espaços públicos. Nestas cidades, os agregados populacionais eram de grande dimensão. A cidade-estado no mundo grego era a unidade política básica.

Portanto, a cidade surge a partir de uma produção para além da subsistência e do consumo próprio. Ela se desenvolve com o escambo  e as primeiras aldeias  , que ainda não são cidades.

A aldeia como aglomerado humano precede a cidade, mas ainda não pode ser considerada cidade, pois não apresenta características urbanas. Para alcançar o patamar de cidade, era necessária uma maior complexidade social, uma divisão do trabalho mais elaborada, sobretudo planejada, dotada de intencionalidade e da acumulação  .

A constituição de cidade pede a presença de vários elementos como bem explicita Paul Singer: “Ela é, ao mesmo tempo, uma inovação na técnica de dominação e na organização da produção. Ambos os aspectos do fato urbano são analiticamente separáveis, mas, na realidade, podem ser intrinsecamente interligados. A cidade antes de mais nada concentra gente em um ponto do espaço.[…] A cidade é o modo de organização espacial que permite à classe dominante maximizar a transformação do excedente alimentar, não diretamente consumido por ele, em poder militar e este em dominação política.”

Escambo
Permuta ou troca direta. Na história do Brasil, o escambo teve papel importante na exploração da mão de obra indígena pelos colonizadores.
Acumulação
Acontece devido ao desenvolvimento da técnica que possibilita a ampliação do excedente e, por consequência do escambo, apresentando já uma das características do modo de vida urbano, atividades do terceiro setor econômico, alterando cada vez mais o espaço e a relação da sociedade com a natureza, e a relação entre os homens, principalmente no âmbito político e social.

Aldeias
São definidas por Paul Singer (1973) como “um aglomerado de agricultores” por ainda apresentarem a principal característica de uma economia baseada no primeiro setor da economia.

Urbano
Zona Urbana é a área de um município caracterizada pela edificação contínua e a existência de equipamentos sociais destinados às funções urbanas básicas, como habitação, trabalho, recreação e circulação.

As megacidades
Elas são definidas como áreas urbanas com mais de cinco milhões de habitantes. Os cientistas estimam que em 2015 o mundo terá cerca de 60 megacidades, acolhendo em seu conjunto mais de 600 milhões de pessoas.

Cidades com mais habitantes e previsões futuras
Cidades com mais habitantes (em milhões)
1. Tóquio
 (Japão) > 36
2. Cidade do México (México) > 19,4
3. Nova York (EUA) > 18,7
4. São Paulo (Brasil) > 18,3
5. Mumbai (Índia) > 18,2
6. Nova Délhi (Índia) > 15

Cidades com mais habitantes por km²
1. Mumbai 
(Índia) > 26.650 mil
2. Calcutá (Índia) > 23.900 mil
3. Karachi (Paquistão) > 18.900 mil
4. Lagos (Nigéria) > 18.150 mil
5. Shenzen (China) > 17.150 mil
6. Seul (Coréia do Sul) > 16.700 mil

Cidades com as maiores populações em 2015 (em milhões)
1. Tóquio 
(Japão) > 35,5
2. Mumbai (Índia) > 21,9
3. Cidade do México (México) > 21,6
4. São Paulo (Brasil) > 20,5
5. Nova York (EUA) > 19,9
6. Nova Délhi (Índia) > 18,6
7. Xangai (China) > 17,2
8. Calcutá (Índia) > 17,0
9. Daca (Bangladesh) > 16,8
10. Jacarta (Indonésia) > 16,8B

Fonte: Divisão de população da ONU.

Atualmente, Tóquio é um dos mais importantes centros urbanos do planeta. A cidade tem menos arranha-céus em comparação com outras cidades de sua magnitude, principalmente devido ao risco de terremotos. É por isso que a maior parte dos seus edifícios não tem mais de 10 andares.

Fragmentado
É o resultado de processos sociais, sendo esse resultado o reflexo de uma sociedade em um determinado espaço e tempo.

Características da cidade e as visões dos autores 
Dessa forma, vemos que outra característica da cidade e do urbano é a aglomeração de pessoas em um ponto do espaço, mas que é engendrado em uma produção organizada, seguindo a ideologia e determinado controle de uma classe dominante, com o objetivo de ampliar a produção.

Para explicar melhor o que é urbano, Roberto Lobato Correia traz a ideia de Munford e Aristóteles, ou seja, que o surgimento da cidade e do modo de vida urbano, produto da cidade, não tem apenas um viés econômico, de mercado, mas possui também uma ligação afetiva. O autor exemplifica a cidade em seu livro Espaço Urbano como: “Fragmentada  , articulada, reflexo e condicionante social, a cidade é também o lugar onde as diversas classes sociais vivem e se reproduzem. Isto envolve o quotidiano e o futuro próximo, bem como as crenças, valores e mitos criados no bojo da sociedade de classes e, em parte, projetados nas formas espaciais: monumentos, lugares sagrados, uma rua específica etc.”

“Mercado era apenas o sítio na qual se localizava a cidade e sua origem era religiosa e política” 
(Lewis Munford)

Bombaim ou Mumbai atrai migrantes de toda Índia e de países vizinhos, devido às oportunidades comerciais e ao seu nível relativamente elevado. A cidade tornou-se o núcleo cosmopolita de várias comunidades e culturas.

A cidade e o urbano 
Para não haver confusão sobre o conceito de cidade e o de urbano, Milton Santos vai dizer que: “a cidade é o concreto, o conjunto de redes, enfim, a materialidade visível do urbano enquanto que este é o abstrato, o que dá sentido a natureza da cidade.” Dessa forma vemos que a cidade é o produto do urbano, onde o urbano é o modo de vida e a cidade a materialização dele. Michele Tancman Candido da Silva diz que a cidade pode ser entendida como: “[…], um espaço social onde todos os moradores teriam, a priori, o direito de ir e vir, de compartilhar a cultura, a riqueza, os bens de serviços, desfrutar o conhecimento coletivo, direito ao trabalho e a participação nas decisões do uso dos espaços da cidade.” Esse trecho reforça a ideia de que a cidade surge não somente para corporificar o mercado, mas também para dar um novo significado à vida humana, o sentido da afetividade, do compartilhamento dos recursos, bens, direitos, serviços e da política, ou seja, da convivência harmônica, da expressão da cidadania.

Bolsões de pobreza

Conurbação
É um fenômeno urbano que ocorre quando duas ou mais cidades se desenvolvem uma ao lado da outra, de tal forma que acabam se unindo como se fossem apenas uma.

Nas megacidades é que se concentram os grandes bolsões de pobreza, principalmente nos países subdesenvolvidos, apresentando baixos rendimentos e poucos investimentos em infraestrutura, saneamento, educação, segurança e saúde. Tudo isso agrava os problemas pré-existentes, o que faz a população aumentar, se tornando um ciclo, pois, quanto mais aumenta a população, maior é o agravamento dos problemas urbanos, e quanto maior o problema urbano, e acesso à mobília da cidade, principalmente a educação e saúde, maiores serão as taxas de natalidade e mortalidade. Normalmente, as megacidades se desenvolvem no contexto de uma região metropolitana, ou seja, em uma cidade central, como polo de economia e na junção das cidades que se desenvolvem no entorno, devido ao fenômeno conhecido como conurbação.

Nova York se tornou a área urbanizada mais populosa do mundo em 1920, ultrapassando Londres e a sua região metropolitana. A cidade tornou-se a primeira megacidade da história. É também a cidade mais populosa dos Estados Unidos.

“A cidade Industrial é também analisada como espaço de reprodução capitalista. A produção do espaço urbano, embora apresente uma aparente desordem, se dá dentro de uma ordem coerente com o modo de produção dominante. Entretanto, pode ser a cidade um tecido de luta de classes, há constantes fissuras nessa ordem hegemônica.”
Michele Tancman Candido da Silva (2002)

Cidades na história 

Pólis
Exercia soberania política em seu território, sendo autônoma na produção, na política e na economia.


Contudo, vemos que a cidade surge de fato na Antiguidade, por volta de 3.500 a.C, na Mesopotâmia, entre o Rio Tigre e Eufrates (hoje Iraque), no entorno do Rio Nilo (hoje Egito) e do Rio Amarelo (hoje China), sendo Ur, Babilônia, Mari e Nínive as principais cidades do mundo nessa época.

As cidades na Antiguidade tinham características em comum; além de se localizarem perto de rios, apresentavam um caráter teocrático, tanto na organização espacial quanto política, onde o rei era o centro do comando e os templos marcavam o centro das cidades.

A Mesopotâmia foi o centro da difusão do urbano para o Egito antigo, Mediterrâneo e o interior da China, essas cidades eram conhecidas como Cidades-Estados, construídas como fortalezas, como o objetivo de se refugiar de animais e outras cidades inimigas.

Seu território era demarcado pelas grandes muralhas que a cercavam. Nesse período é que começa o processo de urbanização, quando as populações deixam as aldeias em direção às cidades, para ocupar as áreas no entorno delas. Fora das muralhas, continuaram a exercer atividades baseadas no primeiro setor, surgindo a primeira característica de submissão do espaço rural ao espaço urbano, ou da supremacia da economia e do modo de vida urbano sobre o rural. É nesse momento que surge a pólis  , cidade-estado grega e a ampliação do processo de urbanização, como afirma Maria Encarnação B. Sposito (2005): “O aumento da importância das cidades da Mesopotâmia começou a partir de 2500 a.C, quando estas cidades começaram a formar Estados independentes. Ur teria atingindo provavelmente os 50 mil habitantes e a Babilônia, os 80 mil.”

Burgos
Considerado por Maria Encarnação B. Sposíto como:“Pontos fortificados, cercados por muralhas e rodeados por fossos e eram construídos sob ordens dos senhores ou príncipes feudais, com o objetivo de servir de refúgio a eles e seus servos, e para armazenamento de animais e alimentos, em caso de perigo. Abrigavam também uma igreja.”

Após a queda do Império Romano Ocidental, a sociedade medieval, que é baseada em um sistema organizacional conhecido como feudalismo, faz a cidade perder importância e o modo de produção torna-se quase que exclusivamente agrícola, sendo baseado em latifúndios e na servidão. Nessa época, a produção artesanal volta para o campo. O uso da terra é idealizado pela igreja como dádiva de Deus; o voto de pobreza garante o esvaziamento do urbano, reduzindo as cidades a funções administrativas e religiosas.

O período medieval é marcado pelo efeito contrário da urbanização, onde as cidades se esvaziaram e minimizaram suas funções. Elas foram alteradas em sua estrutura, quando surgem os burgos  , cidades extremamente fortificadas que visavam estreitamente a proteção e a vigilância dos que ali viviam.

Nesse processo, com o fim das invasões pela militarização dos feudos e a redução de guerras, a população acabou por aumentar, gerando mais consumidores, a necessidade de comércio, geração de renda e trabalho, assim como o desenvolvimento da produção agrícola graças ao aperfeiçoamento da técnica. Esses fatores fazem aumentar a produção do excedente e o aparecimento dos centros urbanos como localidades e prestação de serviços, principalmente em regiões próximas às estradas e portos, onde era mais fácil o fluxo de pessoas e mercadorias.

É nesse sentido que surge a cidade industrial a partir da Revolução Industrial  , o que resultou numa série de complexas relações sócio-espaciais solidárias e contraditórias que vão dar origem à cidade em que vivemos hoje.

Na era da globalização
A cidade na era da globalização apresenta várias facetas e formas, onde a rapidez do fluxo de informação se amplia, se produz e se tomam as decisões. O jogo político cotidiano se manifesta entre os homens, se segrega e integra, aliena e se racionaliza, se joga, se crê, se cria afetividade ou desafeto. A cidade é um laboratório onde tudo se experimenta e se transforma, onde expressamos nossos anseios e felicidades, damos sentido ao nosso modo de vida.
Revolução Industrial
Fez acelerar o processo de acumulação de capital, nesse sentido, a cidade assume assim o papel principal na produção capitalista do espaço, aparecendo como palco principal das relações de trabalho e produção, deixando de ser meramente um centro político e administrativo se transformando no espaço da produção. Maria Encarnação B. Sposíto afirma: “A cidade assumiu, com o capitalismo, uma capacidade de produção, que a diferenciava totalmente do processo de urbanização ocorrido na Antiguidade. A cidade romana, para nos referirmos à organização política que permitiu maior urbanização no período antigo, era o lócus da gestão políticoadministrativa, de exercício do poder, de moradia das elites dominantes.”
Megacidades
As megacidades se estendem no espaço e formam verdadeiras nebulosas urbanas onde se integram campo e cidade, criatividade e problemas sociais. Elas são aglomerações de grandes dimensões (10 milhões de habitantes, às vezes mais, às vezes menos) que concentram o essencial do dinamismo econômico, tecnológico, social e cultural dos países e estão conectadas entre si numa escala global.
verysedap

Manuel Castells
Sociólogo espanhol que lecionou na Universidade de Paris. Escreveu vários livros, entre eles, no mais famoso, A Sociedade em Rede, defende o conceito de capitalismo informacional. Segundo o Social Sciences Citation Index, Castells foi o quarto cientista social mais citado no mundo no período de 2000 a 2006.

A Revolução Industrial e as cidades
A Revolução Industrial altera todo o arranjo espacial da cidade. O advento da fábrica, da máquina a vapor e da ferrovia vai direcionar a população a um processo de urbanização nunca antes visto. Segundo Silva, cerca de 25 milhões de pessoas viviam em cidades enquanto a população total do mundo era cerca de 1 bilhão de habitantes, ou seja, um aumento espantoso na população urbana.

Ao longo dos séculos seguintes, XIX e XX, a população aumentou ainda mais nas cidades. O processo de urbanização se acelera e cria os aglomerados urbanos da atualidade. Esse grande aumento populacional foi o responsável pelo agravamento dos problemas urbanos.

Já no capitalismo mercantil, as cidades continuam tendo um caráter político-administrativo das cidades da Antiguidade, porém, assumem também o papel de produtora de mercadorias.

Todos esses elementos ampliam a divisão social do trabalho, principalmente no que se refere à função, especialização de cada cidade, a de compreendermos aqui também, que ela não é apenas o palco da produção, mas é no bojo desses entraves que se constrói a vida cotidiana, prazeres e desprazeres, repetições e surpresas.

Portanto, a cidade que surge como o palco da produção desvenda-se também como o lugar, ou seja, o palco da afetividade, da cotidianidade, onde se constrói a vida dos comuns, se tornando consequentemente o espaço de produção social da vida, como a reprodução das relações.

É nesse sentido que vemos a cidade industrial também como o espaço dos movimentos sociais, da luta de classes, e que apesar de apresentar um aparente caos, segue uma ordem: a do capital.

Esse rápido processo de acumulação propiciou um rápido crescimento das cidades, surgindo o que o pesquisador espanhol Manuel Castells  vai chamar de “megacidades “.

*Guilherme Freitas Hartmut Behm é geógrafo.

Fonte: http://geografia.uol.com.br/geografia/mapas-demografia/41/artigo249938-1.asp

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