Obsolescência planejada: arma estratégica do capitalismo

Para que lucros floresçam, produtos precisam quebrar mais rápido, tornar-se ultrapassados ou indesejados. Preço é eterna angústia dos consumidores e devastação da natureza

Por Valquíria Padilha, Renata Cristina A. Bonifácio

“É comum um telefone celular ir ao lixo com menos de oito meses de uso ou uma impressora nova durar apenas um ano. Em 2005, mais de 100 milhões de telefones celulares foram descartados nos Estados Unidos. Uma CPU de computador, que nos anos 1990 durava até sete anos, hoje dura dois anos. Telefones celulares, computadores, aparelhos de televisão, câmeras fotográficas caem em desuso e são descartados com uma velocidade assustadora. Bem-vindo ao mundo da obsolescência planejada! Continuar lendo

Espaço urbano: uma trajetória histórica

Para entendermos a atual dinâmica do espaço urbano, devemos vislumbrar quais processos dão origem a sua complexidade organizacional, sua forma, seu conteúdo e produção.

por Guilherme Freitas Hartmut Behm*

Como diria Lewis Mumford no estudo da história das cidades em seu livro A Cidade na História: “Se quisermos identificar a cidade, devemos seguir a trilha para trás, partindo das mais completas estruturas e funções urbanas conhecidas, para seus componentes originários, por mais remotos que se apresentem.”

Avenida Paulista em 4 tempos: 1. A Pintura de Jules Martin mostra a Avenida Paulista na época de sua inauguração. A Paulitsta foi inaugurada por Joaquim Eugênio de Lima no dia 8 de Dezembro de 1891. Fonte: Acervo do Museu Paulista da Universidadede São Paulo (reprodução do livro Álbum Iconográfico da Avenida Paulista de Benedito Lima de Toledo). 2. Foto de 1935 mostra a vista aérea da Avenida Paulista do trecho que vai da Rua Minas Gerais a Rua Augusta. Do lado direito, a grande construção é o Colégio São Luiz e ao fundo o bairro do Pacaembu. 3. Durante as décadas de 60 e 70, com a valorização imobiliária da região, começam a surgir na Avenida Paulista os característicos “espigões”, edifícios de escritórios com 30 andares em média. 4. Durante sua evolução, a Avenida Paulista passou por várias reformas paisagísticas. Os locais destinados aos carros foram alargados e criaram-se calçadões com desenhos de mosaicos portugueses em branco e preto.

O mundo nem sempre foi como hoje, urbano. No passado, antes da produção do excedente  , no período Paleolítico, os homens eram nômades, não tinham moradia fixa. Contudo, foi justamente nesse período que apareceram as primeiras manifestações e o interesse de se fixar  em algum lugar. Continuar lendo

Tragédias permanentes

Atualmente, 20 países mantêm arsenais de armas químicas e bacteriológicas

A área litorânea de Latakia a Tartús concentra os sírios alauítas. Caso caia o regime ditatorial de Bashar al-Assad, pode virar um enclave. Ao redor de Alepo até Daraa, passando pela capital Damasco, estão os sunitas. Encostado às Colinas de Golã e na fronteira com a Jordânia encontra-se o chamado “setor druso”, que engloba as cidades de Daraa e Suwayda. No norte, os curdos dominam o território conhecido como Curdistão sírio e cuja cidade principal é Hasaka. Ismaelitas estão ao lado do coração do país, formado, além da capital, pelas cidades de Hama e Homs. Os cristãos pipocam pelo território em médias concentrações e os beduínos circulam pelo deserto. O Estado sírio, nas suas fronteiras formais, vê-se por esse quadro, não existe mais unitariamente. No território estão presentes interesses de potências planetárias e regionais.

A Síria enfrenta acusações de uso de gás de ataca o sistema nervoso e que matou ao menos 1.400 rebeldes em agosto

Os cinco integrantes com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU têm envolvimento. A França e a Grã-Bretanha, com a veleidade de reconquistarem papel ao tempo do domínio colonial, fornecem armas aos insurgentes e, por tabela, aos jihadistas que tentam derrubar Assad. Do lado oposto, e em apoio ao ditador, estão a China e a Rússia, esta que, nos portos sírios, mantém bases navais. Os atores regionais contra Assad são a ainda laica Turquia e os sunitas Catar e Arábia Saudita. A sustentar Assad estão os xiitas do Irã, com os grupos Pasdaran e o Basij a adestrar alauí-tas e xiitas sírios, como, por exemplo, as diversas milícias. Há ainda o braço armado do partido libanês Hezbollah. Enquanto isso, o outro ator, Israel, destaca o risco de o arsenal de armas químicas passar para as mãos de terroristas islâmicos. Continuar lendo

Sem tempo para sonhar: EUA têm mais negros na prisão hoje do que escravos no século XIX

No dia histórico do discurso “eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, panorama social é dramático aos afrodescendentes norte-americanos

O presidente norte-americano, Barack Obama, participa nesta quarta-feira (28/08) em Washington de evento comemorativo pelo aniversário de 50 anos do emblemático discurso “Eu tenho um Sonho”, de Martin Luther King Jr. – considerado um marco da igualdade de direitos civis aos afro-americanos. Enquanto isso, entre becos e vielas dos EUA, os negros não vão ter muitos motivos para celebrar ou “sonhar com a esperança”, como bradou Luther King em 1963.

De acordo com sociólogos e especialistas em estudos das camadas populares na América do Norte, os índices sociais – que incluem emprego, saúde e educação – entre os afrodescendentes norte-americanos são os piores em 25 anos. Por exemplo, um homem negro que não concluiu os estudos tem mais chances de ir para prisão do que conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Uma criança negra tem hoje menos chances de ser criada pelos seus pais que um filho de escravos no século XIX. E o dado mais assombroso: há mais negros na prisão atualmente do que escravos nos EUA em 1850, de acordo com estudo da socióloga da Universidade de Ohio, Michelle Alexander. Continuar lendo