Síria, entenda a crise e os conflitos.

Introdução

A mais sangrenta e violenta das Revoltas da chamada “Primavera Árabe” visando derrubar ditadores no mundo árabe (a luta teve início em março de 2011). 

Mais de 100 mil pessoas já morreram desde o início do conflito na Síria, há mais de dois anos, afirmou nesta quarta-feira o Observatório Sírio para Direitos Humanos, baseado em Londres. Segundo o grupo, um total de 100.191 pessoas morreram nos 27 meses de conflito. Desse número, 36.661 são civis.

No lado do governo, 25.407 são membros das forças armadas do presidente Bashar Assad, 17.311 são combatentes pró-governo e 169 são militantes do grupo libanês Hezbollah, que têm lutado ao lado das tropas do Exército. Entre os oponentes de Assad, morreram 13.539 rebeldes, 2.015 desertores do Exército e 2.518 combatentes estrangeiros.

No início do mês, a Organização das Nações Unidas afirmou que o número de mortos nos conflitos estava em 93 mil entre março de 2011 até o fim de abril deste ano.

O governo não divulgou números oficiais. A imprensa estatal publicava os nomes dos mortos no lado do governo nos primeiros meses de conflitos, mas depois interrompeu as publicações. 

Fonte: Associated Press.

Entenda:

O conflito na Síria continua causando sofrimento humano e destruição imensuráveis. Dados compilados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) indicam que 100 mil pessoas foram mortas desde março de 2011, quando começou o levante contra o presidente Bashar al-Assad.

A estimativa é que 6,8 milhões de pessoas necessitem de assistência humanitária urgente – incluindo 3,1 milhões de crianças. Desse total, 4,25 milhões são deslocados internos. Até 1º de julho, já havia mais de 1,7 milhão de refugiados sírios nos países vizinhos e Norte da África.

Cerca de 1,2 milhão de famílias tiveram suas casas atingidas de acordo com a Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental (ESCWA). Cerca de 400 mil delas foram completamente destruídas, 300 mil parcialmente destruídas e 500 mil sofreram danos de infraestrutura.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) estima que 400 mil palestinos refugiados na Síria (80%) precisem de assistência urgente. Cerca de 180 mil deles tiveram que fugir de Damasco por causa dos bombardeios e confrontos nos arredores.

O denso deslocamento populacional e a higiene precária aumentam o risco de piolhos, sarna, leishmaniose, hepatite A e outras doenças infecciosas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) está monitorando a situação e oferecendo tratamento em diversas áreas do país. A estimativa é de 2,5 mil casos de febre tifoide em Deir Ez-Zor e 14 mil de leishmaniose em Hassekeh.

Cerca de 57% dos hospitais públicos foram danificados ou destruídos e 37% estão fechados, segundo a OMS. Muitos profissionais de saúde estão fugindo do país e os que permanecem têm muita dificuldade para chegar aos postos de trabalho por causa da insegurança.

Muitos hospitais estão sem remédios essenciais como insulina e antibióticos. Também acabaram os estoques do Ministério da Saúde para tratamentos de queimados e feridos em unidades de terapia intensiva. O hospital de Aleppo, por exemplo, reportou no meio de abril ter atendido 3,5 mil pacientes com ferimentos de guerra sem que houvesse banco de sangue e, muitas vezes, realizou operações sem anestesia ou fios de sutura.

A OMS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estão trabalhando em campanhas de prevenção e fornecimento de kits laboratoriais para diagnóstico de hepatite A, além da aquisição inicial de 400 mil doses de remédio contra leishmaniose e medicamentos suficientes para tratar 6 mil casos de febre tifoide.

Para purificar a água e ajudar na prevenção das doenças, o UNICEF distribuiu no começo do ano aproximadamente 240 toneladas métricas hipoclorito de sódio para cerca de 20 mil pessoas em Aleppo, Ar-Raqqa, Damasco, Hama, Homs, Idleb e Damasco Rural.

O apoio da ONU ao setor de saúde garantiu a vacinação de 550 mil crianças contra sarampo, caxumba, rubéola e pólio em seis regiões.

O apuro das pessoas atingidas pela violência é ampliado pela falta de comida, água, combustível e o inverno rigoroso. Há cortes prolongados de luz em diversas áreas do país. A insegurança está impedindo o acesso de muitas pessoas a serviços e produtos de necessidade básica.

As agências da ONU estão reforçando abrigos e distribuindo itens de inverno para milhares de pessoas. Só em 2013, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) já distribuiu itens como cobertores, roupas e kits de cozinha para 452 mil pessoas.

Três quartos das crianças estão traumatizadas pela guerra

Uma pesquisa conduzida por Turquia, Estados Unidos e Noruega mostra que três quartos das cerca de 8,4 mil crianças sírias – a maioria entre 10 e 13 anos – refugiadas no campo de Gaziantep Islahiye, na Turquia, perderam ao menos um parente no conflito.

O estudo revela que a maioria delas apresenta sinais de estresse e trauma e 44% presenciaram ao menos cinco de 11 eventos adversos associados com guerra e desastres. Metade das crianças sofre depressão e muitas estão preocupadas com familiares que permanecem no país.

O UNICEF está provendo atividades educativas e apoio psicológico para mais de 85 mil meninos e meninas.

O Fundo também doou ao Ministério da Educação materiais escolares, kits de recreação e musicais para atender quase 25 mil crianças em Aleppo. Em todo o país, 154 mil estudantes foram beneficiados com doações do UNICEF.

De acordo com a agência, cerca de 20% das escolas não estão funcionando. Das 22 mil unidades do país, estima-se que mais de 2,4 mil tenham sofrido danos de infraestrutura por causa da guerra. A violência tirou muitas crianças das salas de aula, especialmente meninas. Nos locais onde as escolas tentam manter suas atividades, a frequência é bastante reduzida. Em Aleppo, apenas 6% dos alunos estão comparecendo às aulas.

Violência prejudica produção agrícola

A produção agrícola foi duramente comprometida com a crise, somando um prejuízo de 1,8 bilhão de dólares. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), só 5% dos agricultores conseguiram colher toda sua produção de trigo e cevada. Cerca de 20% dos produtores perderam inteiramente suas plantações e 55% dos pecuaristas registraram redução substancial nos estoques de gados e aves.

O programa de emergência da FAO tem objetivo de atender 20,7 mil famílias (com oito indivíduos) vulneráveis de agricultores e pecuaristas, beneficiando um total de 165 mil pessoas. Até o começo de janeiro, a FAO alcançou 8 mil pessoas com a doação de comida animal. Insumos agrícolas também foram dados a outras 4,5 mil pessoas e mais 4 mil receberam pacotes de ajuda específico para criação de aves.

Ajuda alimentar para 2,5 milhões de pessoas

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), com apoio de parceiros, alcançou 2 milhões de pessoas em março, 300 mil a mais que no mês anterior. O objetivo é chegar a 2,5 milhões de pessoas dentro da Síria até o fim de abril.

Mulher recebe suprimentos do Programa Mundial de Alimentos em Damasco, capital da Síria.

Por causa do baixo financiamento, a cesta de alimentos provê mil calorias diárias por pessoa. Ela inclui 12 quilos de arroz, 3 kg de trigo, 5 litros de óleo vegetal, 3 kg de açúcar, 4 kg de leguminosas secas, 1kg de leguminosas enlatadas, 4kg de macarrão e 400g de massa de tomate.

ONU distribui mais de 6 milhões de dólares em ajuda financeira emergencial

Desde 16 de dezembro, o ACNUR tem oferecido ajuda em dinheiro a deslocados internos e famílias de refugiados palestinos em Damasco e Hassakeh. Mais de 73 mil pessoas já foram beneficiadas.

Um jovem refugiado sírio envolve-se em um cobertor grosso, parte da ajuda para sua família no inverno do norte do Iraque.

Durante o mês de dezembro, a UNRWA também distribuiu mais de 5 milhões de dólares em assistência financeira emergencial para 94 mil palestinos em Damasco. Em janeiro, mais 23 mil foram beneficiados com 1 milhão de dólares.

UNFPA leva atendimento de saúde gratuito a milhares de grávidas

A resposta do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para a crise inclui ambulâncias, equipamentos e suprimentos médicos de obstetrícia para atender milhares de grávidas.

Somente de 9 a 22 de abril, 7,5 mil mulheres foram atendidas em serviços de saúde reprodutiva, incluindo cuidados obstétricos de emergência em Damasco, Damasco Rural, Aleppo e Homs. Cerca de 400 partos normais e cesárias foram realizados com vouchers de atendimento gratuito fornecidos pela agência da ONU.

O sistema de vouchers beneficiou 28 mil mulheres durante o mês de março em Aleppo. O atendimento direto do UNFPA alcançou 11,8 gestantes no período.

No começo do ano, a agência da ONU entregou ao Ministério da Saúde equipamentos para atendimento de saúde reprodutiva e serviços de planejamento familiar em apoio a cerca de 180 mil mulheres em Damasco, Aleppo, Idlib, Homs e Ar-Raqqa. Entre 5 e 18 de fevereiro, mais 60 mil foram beneficiadas em saúde reprodutiva e 150 mil em planejamento familiar.

Apelo é por 1,5 bilhão de dólares para o primeiro semestre de 2013

O plano de resposta humanitária para a Síria requer 519 milhões de dólares para cobrir 61 projetos em dez setores durante o primeiro semestre de 2013. Já o plano de resposta regional para refugiados pede 1 bilhão de dólares para apoiar 1,1 milhão de refugiados sírios no Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia no primeiro semestre de 2013.

O Fundo de Resposta Emergencial para a Síria recebeu, até 22 de abril, 43,8 milhões de dólares – dos quais 19,1 milhões foram alocados em 66 projetos.

Em 30 de janeiro, uma conferência de doadores foi realizada no Kuwait com a participação de mais de 60 países, que se comprometeram a doar o total de 1,5 bilhão de dólares para minimizar a crise humanitária. Até 22 de abril, apenas 700 milhões de dólares foram financiados.

Em 2012, apenas 55% da ajuda solicitada para a resposta humanitária foi financiada, totalizando uma arrecadação de 191 milhões de dólares, quando o necessário era 348 milhões. A ajuda aos refugiados também foi subfinanciada no ano passado. Dos 488 milhões de dólares solicitados, apenas 248 milhões chegaram, atendendo a cerca de 69% das necessidades.

Missão de observadores e escritório de contato da ONU

Como a persistência do combate na Síria, as condições para dar continuidade à Missão da ONU de Supervisão na Síria (UNSMIS) no país não foram satisfeitas, anunciou em agosto de 2012 o Subsecretário-Geral de Operações de Paz, Edmund Mulet. Os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, no entanto, concordaram neste mesmo mês com a criação de um escritório de contato para apoiar os esforços de uma solução política para o conflito e o respeito dos direitos humanos.

Veículo da ONU foi danificado por uma multidão enfurecida em El-Haffeh, Síria, ao tentar acessar a cidade.

Inicialmente criada em abril de 2012 para durar 90 dias – por meio da resolução 2043 –, o mandato da UNSMIS foi prorrogado por mais 30 dias no final de julho, quando o Conselho aprovou a resolução 2059.

Essa resolução também indicou que uma renovação posterior a este prazo só seria possível se fosse confirmado que o uso de armas pesadas houvesse cessado e uma redução da violência por todos os lados era necessário para permitir à Missão implementar o seu mandato, o que não ocorreu.

Representante Especial tenta saída negociada pacífica para a crise

Em fevereiro de 2012, o ex-Secretário-Geral das Nações Unidas Kofi Annan (na foto abaixo, à esquerda) foi anunciado como o enviado especial da Missão Conjunta da Liga Árabe e da ONU para a Síria. Annan, que havia ocupado o cargo máximo da Organização entre 1997 e 2006, se tornou à época Alto Representante da ONU e da Liga Árabe para resolver a crise e será apoiado por um Vice-Representante. “O enviado especial proporcionará bons ofícios destinados a pôr fim a toda a violência e violações dos direitos humanos, e promover uma solução pacífica para a crise da Síria”, afirmou o comunicado conjunto no dia 23.

Kofi Annan, Ban Ki-moon e Lakhdar Brahimi.

No dia 2 de agosto do mesmo ano, no entanto, Annan renunciou ao cargo após tentativas frustradas de aplicar o chamado Plano de Seis Pontos, que pede o fim da violência, o acesso de agências humanitárias para o fornecimento de apoio à população civil, a libertação dos detidos, o início de um diálogo político inclusivo e livre acesso ao país para a mídia internacional.

Em seu lugar, as duas organizações apontaram no dia 17 de agosto de 2012 o diplomata veterano argelino Lakhdar Brahimi (à direita) como novo facilitador da paz na região. Brahimi deve assumiu a função no dia 31 de agosto, quando terminou o mandato de Annan, e desde então tem feito esforços constantes para uma saída negociada pacífica para a crise.

Confrontos acirraram crise que teve início em março de 2011.

Poucos dias após o confronto armado entre as forças pró-governo e opositores ter chegado à capital do país, Damasco, um atentado suicida atingiu nesta quarta-feira o centro nervoso do regime de Bashar al-Assad, causando a morte de alguns dos principais nomes de sua cúpula de segurança.

Segundo a imprensa estatal Síria, morreram no ataque o ministro da Defesa do país, general Dawoud Abdelah Rayiha, seu vice-ministro, general Assef Shawkat (cunhado de Assad), e o general sírio Hassan Turkmani, chefe do grupo governamental encarregado da crise, ex-ministro da Defesa e até então assistente do vice-presidente.

Outros membros importantes do governo sírio também teriam ficado “gravemente” feridos, como o ministro do Interior, Mohammad Ibrahim al-Shaar, e o o chefe do serviço de Inteligência, Hisham Ikhtiar.

Analistas já consideram a investida contra o alto escalão do governo como um prenúncio da derrocada do regime.

Veja abaixo um série de perguntas e respostas sobre o conflito na Síria.

Como os protestos começaram?

As manifestações contra o governo começaram na cidade de Deraa, no sul da Síria, em março de 2011, quando um grupo de pessoas se uniu para pedir a libertação de 14 estudantes de uma escola local.

Protestos na Síria começaram de forma pacífica em março de 2011, na cidade de Deraa.

Os alunos haviam sido presos e supostamente torturados por terem escrito no mural do colégio o conhecido slogan dos levantes revolucionários na Tunísia e no Egito: “As pessoas querem a queda do regime”.

O protesto reivindicava maior liberdade e democracia na Síria, mas não a renúncia do presidente Bashar al-Assad.

A manifestação, pacífica, foi brutalmente interrompida pelas forças do governo, que abriram fogo contra os opositores, matando quatro pessoas.

No dia seguinte, em meio ao funeral das vítimas, o governo sírio fez uma nova investida contra os moradores de Deraa, causando a morte de mais uma pessoa.

A reação desproporcional do governo acabou por impulsionar o protesto para além das fronteiras de Deera.

Cidades como Baniyas, Homs e Hama, além dos subúrbios de Damasco, juntaram-se a partir desse episódio aos protestos contra o regime.

Quantas pessoas já morreram? Qual a extensão dos estragos?

Segundo a ONU, mais de 9 mil pessoas foram mortas por forças de segurança e, pelo menos, outras 14 mil foram presas.

Já o governo estima o número de mortos em cerca de 4 mil – aproximadamente 2,5 civis e o restante integrantes das forças de segurança.

O que pedem os manifestantes? O que conseguiram até o momento?

Inicialmente, a principal reivindicação dos manifestantes era por um sistema político mais democrático e maior liberdade de expressão em um dos países mais repressivos do mundo árabe.

Contudo, ao passo em que as forças pró-governo abriram fogo contra protestos originalmente pacíficos, os opositores ao regime começaram a pedir a renúncia do presidente Bashar al-Assad.

Assad, por outro lado, afirmou que não deixaria o poder, porém, nas poucas declarações públicas que fez desde o início do conflito, o presidente sírio anunciou algumas concessões e prometeu reformas.

Como resultado, o estado de sítio, que durou 48 anos, foi abolido em abril de 2011 e uma nova Constituição, propondo eleições multipartidárias para além do partido dominante Baath, foi aprovada mediante um referendo em fevereiro deste ano.

O governo também alega que concedeu anistia a presos políticos. Na versão oficial, milhares foram libertados, mas cerca de 37 mil ainda permanecem trancafiados nas penitenciárias do país, segundo agências humanitárias.

Para ativista de oposição, as promessas de Assad têm pouco efeito diante da violenta repressão que continua a ser imposta pelo regime.

Existe uma oposição organizada?

Exilado em Paris, Burhan Ghalioun é um dos principais líderes da oposição síria.

As autoridades sírias sempre restringiram a atuação de partidos políticos de oposição e ativistas. Por essa razão, analistas avaliam que esses grupos tiveram um papel pouco preponderante na eclosão do levante popular.

Porém, à medida que as manifestações ganharam contornos nacionais, os grupos de oposição começaram a declarar seu apoio às reivindicações dos manifestantes e, em outubro do ano passado, anunciaram a formação de uma frente unida, o Conselho Nacional Sírio (CNS), composto, em sua maioria, pela comunidade de muçulmanos sunitas, há décadas perseguida por Assad.

O CNS é liderado pelo dissidente sírio Burhan Ghalioun, atualmente radicado em Paris, e pela Irmandade Muçulmana.

A principal frente de oposição Síria, no entanto, não conta com o apoio dos cristãos e dos alauítas (minoria muçulmana à qual pertence Assad), que, juntos, correspondem a 10% da população Síria e até agora têm se mantido leais ao governo.

A primazia do CNS, todavia, tem sido desafiada pelo Comitê de Coordenação Nacional (CCN), um bloco de oposição liderado por antigos dissidentes do regime, alguns dos quais são avessos à presença de islamitas no CNS.

A desunião frustou a comunidade internacional. Em meados de março deste ano, os grupos de oposição concordaram em colocar suas diferenças de lado e se comprometeram a atribuir ao CNS o papel “de interlocutor e representante formal da população síria”.

Ainda assim, a frente de oposição tem tido dificuldade de angariar o apoio do Exército Livre Sírio (ELS), que reivindicou a autoria do atentado contra a cúpula de segurança de Assad.

O ELS tem sede na Turquia e, equipados com melhor armamento, apesar de inferior ao do governo, tem lançado uma série de ataques contra as forças de segurança do regime.

O líder do ELS, Riyad al-Asaad, afirma que suas tropas somam 15 mil homens, ainda que estimativas oficiais deem conta de que o número não passa de 7 mil.

Quem apoia Assad?

Assad é apoiado majoritariamente pela minoria alauíta, da qual faz parte, e por cristãos, que temem perseguições religiosas.

A maioria dos opositores, entretanto, é de origem sunita, que já foi massacrada pelo regime no início dos anos 1980.

Qual a posição da comunidade internacional?

Especialistas apontam a Síria como um dos países mais importantes do Oriente Médio, uma vez que temem um “efeito-ricochete” em nações vizinhas devido à proximidade do governo de Assad com grupos como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, nos territórios autônomos da Palestina.

Governo americano é um dos principais defensores de uma intervenção militar na Síria.

O país também é um dos principais aliados do Irã, arqui-inimigo dos Estados Unidos, de Israel e inclusive da Arábia Saudita, o que pode levar qualquer conflito armado na região a uma crise de grandes proporções internacionais.

A Liga Árabe inicialmente permaneceu em silêncio diante do conflito, mas acabou impondo sanções econômicas àSíria em uma tentativa de forçar Assad a renunciar ao poder.

Em janeiro de 2012, a entidade divulgou um ambicioso plano de reforma política para a Síria, que propunha a substituição do presidente sírio pelo seu vice-presidente, o início das conversas com setores da oposição e, finalmente, a convocação de eleições multipartidárias supervisionadas por observadores internacionais.

A Liga pediu então apoio do Conselho de Segurança da ONU. Mas a resolução elaborada pelas Nações Unidas, que propunha, em última análise, uma intervenção militar, foi vetada pela China e pela Rússia, que possui laços militares e econômicos estreitos com a Síria.

Em 12 de março deste ano, após aproximadamente um mês de intensos bombardeios na cidade de Homs que deixaram mais de 700 mortos, ao norte de Damasco, a ONU e a Liga Árabe enviaram Kofi Annan, o ex-secretário-geral do organismo multilateral, ao país.

Annan propôs a Assad um plano de paz com seis pontos, que reivindicava, entre outras coisas, um cessar-fogo entre todas as partes e a libertação de presos. Assad, por sua vez, concordou com o plano no dia 27 do mesmo mês, apesar do ceticismo mundial. A violência, no entanto, não cessou.

Recentemente, o Brasil, que havia se posicionado contra a intervenção estrangeira, subiu o tom das críticas em comunicados divulgados pelo Itamaraty, condenando o massacre de civis.

Qual o papel da Rússia no conflito?

A Rússia tem ligações econômicas e militares estreitas com a Síria. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês), sediado na Suécia, o país liderado por Vladimir Putin é o principal fornecedor de armas ao governo de Assad, seguido pelo Irã.

Aliada da Síria, Rússia tem laços econômicos e militares estreitos com governo de Assad.

Mas, na análise do comentarista político Konstantin von Eggert, da rádio russa Kommersant, ao apoiar Damasco, o Kremlin diz ao mundo que nem a ONU ou qualquer outro grupo de países tem o direito de dizer quem pode ou não governar um Estado soberano.

Segundo o comentarista, desde a queda de Slobodan Milosevic, até então presidente da extinta Iugoslávia, em 2000, e especialmente depois da “Revolução Laranja” de 2004 na Ucrânia, a liderança russa é obcecada pela idéia de que os Estados Unidos e a União Europeia arquitetam a queda dos governos que, por algum motivo, julgam inconvenientes.

Eggert avalia que Putin e sua equipe temem que algo parecido possa também acontecer na Rússia.

Além disso, diz o comentarista, a crise líbia no ano passado teria reforçado a desconfiança russa sobre a retórica humanitária ocidental, que não passaria, segundo Moscou, de “camuflagem para a troca de regimes”.

Muitos dirigentes russos, incluindo Putin, consideram a abstenção do então presidente Medvedev na votação do Conselho de Segurança da ONU que autorizou uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia um desastre.

A Al-Qaeda está envolvida no conflito?

Em entrevista à BBC, Nawaf al-Fares, ex-embaixador da Síria no Iraque e até agora o político mais importante ligado ao governo de Assad a ter desertado, disse que o regime colaborou com militantes sunitas da rede Al-Qaeda em uma série de atentados atribuídos às forças opositores ao governo sírio.

Principal político sírio a ter desertado, Nawaf al-Fares aponta conexões entre al-Qaeda e Assad.

Fares também afirmou que a Síria possui um grande estoque de armas químicas de destruição em massa e que Assad não descartaria usá-las caso sua queda fosse prenunciada.

A alegação, no entanto, causa surpresa, uma vez que Assad é da minoria alauíta (um ramo do islamismo xiita). Mesmo assim, Fares afirmou que “há suficiente evidência na história de que muitos inimigos se unem quando há um interesse comum”.

“A Al-Qaeda está buscando espaço para atuação e novas fontes de apoio, ao passo que o regime quer encontrar formas de aterrorizar a população síria”, disse o ex-embaixador de Assad à BBC.

Entenda quem é quem no conflito na Síria

Quando se trata das forças do governo sírio, existe uma relação muito complexa e pouco clara entre os militares, as milícias, as agências de inteligência e os vários centros de poder que os controlam.

Esta é uma das razões pelas quais é tão difícil determinar responsabilidades por massacres como o que ocorreu na última sexta-feira, em Houla, e porque o presidente da Síria, Bashar al Assad, tem sido capaz de manter uma aparência de respeitabilidade enquanto nega qualquer culpa pelas atrocidades recentes.

Veja quem é quem no conflito sírio:

Militares

A Síria tem um Exército poderoso, equipado com armamentos fornecidos principalmente pela Rússia e pelo Irã.

Quando uma área civil – como Baba Amr, em Homs – é atacada, é mais provável que seja pelo Exército sírio, agindo sob as ordens de uma cadeia de comando militar.

Drones, ou aviões comandados por controle remoto, fornecidos pelo Irã desde o início da revolta contra o governo de Assad, há 15 meses, têm sido amplamente utilizados para guiar unidades de artilharia sobre que alvos atacar.

Também há relatos de que a Rússia tem enviado grandes carregamentos de armas à Síria – um antigo aliado -, incluindo milhares de rifles usados por franco-atiradores membros das forças do governo, posicionados no alto de prédios, para atingir ativistas nas ruas.

Assim como a maioria dos países, a Síria tem um Exército, uma Marinha e uma Aeronáutica. Dois terços dos cerca de 200 mil integrantes do Exército convencional são da minoria alauíta, como o presidente Assad.

Desde o início dos protestos contra o regime de Assad, tanques e armamentos pesados se tornaram uma visão constante em áreas de manifestações.

A retirada desses armamentos pesados das ruas é um dos pontos do plano de paz proposto pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan.

Mas como isso ainda não aconteceu, os rebeldes estão tentando adquirir o mesmo tipo de armamentos anti-tanque que causaram danos em tanques israelenses durante a invasão do Líbano, em 2006.

Com a ajuda da Rússia, a Síria tem uma ampla rede de defesa aérea, que poderia tornar difícil a manutenção de uma zona de exclusão aérea, caso uma fosse implementada no futuro.

Agências de inteligência

A Síria tem uma rede de 17 agências de inteligência que se dividem em quatro categorias amplas, todas com o objetivo principal de manter o regime no poder.

A inteligência militar, conhecida como al-Mukhabarat, está sob o controle do presidente e se concentra em monitorar dissidentes.

A inteligência da Aeronáutica é um dos ramos da segurança do Estado mais profundamente estabelecidos e com maior penetração. Foi responsável pela tentativa mal-sucedida de colocar uma bomba a bordo de uma aeronave israelense que partia do aeroporto britânico de Heathrow em 1986.

O Diretório Geral de Segurança é ligado ao Ministério do Interior, enquanto o Diretório de Segurança Política é talvez o mais enérgico de todos na perseguição de opositores do regime dentro do país.

Calcula-se que pelo menos 150 mil pessoas trabalhem na inteligência Síria, e os informantes estão por toda parte, relatando – por uma módica recompensa – comentários considerados críticos ao presidente ou a seu regime.

Tais comentários, se inventados, podem levar a meses de tortura em centros de detenção, às vezes acabando em morte.

Os centros de detenção estão espalhados pelo país, e alguns dos abusos cometidos neles são bem documentados por organizações de defesa dos direitos humanos.

As milícias

Conhecidas como shabiha, que significa ‘os fantasmas’, elas são sem dúvida responsáveis por algumas das maiores atrocidades já cometidas.

São basicamente criminosos de rua, geralmente com ficha policial, e alguns com conexões com máfias de contrabando.

Sem status oficial ou uniformes – além de sua preferência por jaquetas de couro pretas -, eles são matadores de aluguel, que abundam em determinadas regiões para onde são enviados, especialmente às sextas-feiras, que se tornaram o dia tradicional de protestos no mundo árabe.

A shabiha opera em um nível bem local, o que torna difícil rastrear seus crimes até encontrar alguma conexão com altos funcionários do governo em Damasco.

Muitos, mas não todos, são alauítas, como o presidente. Mas sua lealdade parece ser oferecida a quem quer que pague, e não a etnias ou religiões específicas.

No caso do massacre de Hula, é bem possível que, após os bombardeios, tenham sido enviados por alguém em nível local, para ‘terminar o serviço’, cortando as gargantas de sobreviventes ou atirando à queima-roupa.

Fontes locais dizem que eles também podem ter sido cotratados para levar adiante atos de vingança contra sunitas da aldeia, depois que os rebeldes do Exército Sírio Livre atacaram aldeias alauítas na vizinhança.

A shabiha não aparece em nenhuma estrutura de comando oficial, mas analistas afirmam que eles são ‘uma ferramenta útil para o governo’ para levar a cabo atos de repressão.

O governo sírio continua a negar que seja responsável por repressão ou tortura.

Documentário: Diário da Síria – A Guerra Vista Por Dentro – Documentário russo legendado

Como ajudar

Você pode fazer doações para duas das diversas agências que estão atuando no país:

o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR):
Clique aqui

http://donate.unhcr.org/syria

ou para o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU:
Clique aqui

https://www.wfp.org/donate/syria-e

Fonte: http://www.cpturbo.org/cpt/index.php?showtopic=384209&st=0&p=4199356&hl=s%EDria&fromsearch=1&#entry4199356
Responsável: Rodolfo Shadow

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