Nossas cidades são bombas socioecológicas

A urbanista da USP Ermínia Maricato não se surpreende com o fato de o transporte ter sido o estopim das manifestações que vêm ocorrendo nas cidades brasileiras. Nesta entrevista, ela fala sobre o caos urbano e quase tudo que o compõe, como mobilidade, mercado imobiliário, interesses das corporações, condições de vida e saúde. Por Rose Spina, da revista ‘Teoria e Debate’

Rose Spina – Teoria e Debate

São Paulo – Não foi por falta de aviso! A urbanista Ermínia Maricato há alguns anos chama a atenção para os impasses na política urbana brasileira e alerta para o fato de nossas cidades serem verdadeiras bombas-relógio. Continuar lendo

É possível um outro sistema financeiro?

A natureza particular da atividade financeira transforma o setor em elemento que sintetiza as contradições sociais e econômicas de toda a sociedade. Ali estão presentes os aspectos mais marcantes do capitalismo contemporâneo. O sistema financeiro é intrinsecamente portador e reprodutor da desigualdade.

Paulo Kliass

Apenas poucos dias após os principais bancos privados apresentarem seus resultados relativos ao primeiro semestre deste ano, agora vem a notícia bombástica do Banco do Brasil (BB). A maior instituição financeira nacional, um banco bicentenário e constituído sob a forma de empresa de economia mista, registrou em seu balanço o maior lucro semestral de uma instituição do gênero no País. Foram R$ 10 bilhões de lucro líquido no período de janeiro a junho.

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As raízes da crise egípcia

As raízes da crise egípcia

A chamada “primavera árabe” foi, de forma afoita, chamada por alguns de uma revolução. Foi muito importante, principalmente porque quebrou um eixo fundamental da política dos EUA para a região – a ditadura de Mubarak. Não por acaso o país ocupa o segundo lugar na lista de receptores de apoio militar dos EUA, só superado por Israel.

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Primavera não, pleno inverno

Do golpe de Estado que derrubou Morsi brota o inevitável, o contrário da democracia. Por Gianni Carta

638 civis e 49 policiais mortos: são os números da tragédia que ensanguentou as praças do Cairo

Nos sangrentos choques que abalaram o Egito na quarta-feira 14, segundo números oficiais 638 civis e 49 policiais morreram. Somente na mesquita incendiada Rabaa Al-Adawiya jazem 250 corpos à espera do enterro. À beira de uma guerra civil, o Egito tornou-se o primeiro país da chamada Primavera Árabe a produzir o oposto da almejada democracia: uma ditadura militar. Continuar lendo