A via uruguaia

A experiência de José Mujica no poder poderia servir de inspiração a outros governos de viés progressista na região

O presidente do Uruguai, José Mujica

Os países latino-americanos que assumiram uma via à esquerda confrontam-se atualmente com a necessidade de reinventar seus caminhos. Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, Brasil e Peru passam, cada um à sua maneira, por desafios oriundos de seus modelos de governo.

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Brasil: Geopolítica e Desenvolvimento

Por que esforço de afirmação internacional do país é titubeante? Que arranjos geopolíticos ele precisaria desafiar? Quais as resistências internas? 

Por José Luis Fiori


“A impotência dos economistas não é culpa da economia,
é culpa do ‘desenvolvimento’
que não cabe dentro dos limites estreitos da própria economia.”

J.L.Fiori, Poder, Geopolítica e Desenvolvimento, Editora Boitempo (no prelo)

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Egito: quando a “Revolução” é pura farsa

Vale ler Marx, para compreender ditadura que apela às massas e ao nacionalismo, enquanto reprime brutalmente e reata laços com Washington

Por Kaveh L AfrasiabiAsia Times Online | Tradução Vila Vudu

“O gigante pressupõe o anão.
Cesar, o herói, deixou atrás de si um Otaviano…”

(Karl Marx)

Quando o novo homem forte do Egito, general Abdel Fattah al-Sisi, convocou seus apoiadores para que manifestassem sua solidariedade ao Exército na 6ª-feira (26/7), 57º aniversário da nacionalização do Canal de Suez, ato do carismático Gamal Abdel Nasser, minha reação instintiva foi correr à prateleira, para reler O 18 de Brumário de Luis Bonaparte, de Karl Marx, em homenagem à analogia histórica.[1]

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O mundo orwelliano da NSA

Onde internet e telefonia globais são interceptadas? Como Obama manteve espionagem ilegal de Bush? Por que esquema faz lembrar “1984″?

Por James Bamford, New York Review of Books | Tradução: Cristiana Martin |Imagem: William Betts

Desde 20 de maio, quando Edward Snowden obteve licença para deixar a base de espionagem da NSA no Havaí e tomou um avião para Hong Kong, abriu-se uma caixa preta de segredos muito relevantes, até então ocultados da opinião pública. As revelações são feitas aos poucos. Sabe-se que os Estados Unidos articularam e operam uma imensa rede de espionagem global, capaz de interceptar virtualmente toda a comunicação humana por internet e telefone. Continuar lendo

Pensar uma política que supere o fordismo

Jovem pensador político italiano sustenta: declínio da representação reflete mudanças sociológicas profundas. Estado e partidos perderão seu monopólio. Mas que virá depois?

Por Christophe Ventura, da Medelu | Traduzido por Cristiana Martin

Desde 2011, diversos choques contestatórios percorrem o mundo em diferentes regiões: sul da Europa, mundo árabe, América do Norte – Canadá e Estados Unidos – Turquia, América do Sul e Ásia.

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A possível economia pós-petróleo

Novo estudo sugere: já temos condições tecnológicas para assegurar vida digna a todos os habitantes planeta, sem depender dos combustíveis fósseis

Por Danny Chivers, no World Development Movement | Tradução: Antonio Martins

A grande maioria das pessoas, em todo o mundo prefere energias renováveis a combustíveis fósseis e centrais nucleares. É o que demonstram, cada vez mais, as pesquisas globais de opinião pública, e é por isso que as sociedades estão se opondo a projetos de extração de combustíveis e reivindicando alternativas mais limpas, em todo o mundo.

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O lado mais sujo da Monsanto

Para impor seus produtos em todo o mundo, empresa mobiliza agências de espionagem norte-americanas, vigia cientistas e dispara ataques cibernéticos

Por Marianne FalckHans Leyendecker Silvia Liebrich, no Süddeutsche Zeitung |Tradução: Regina Richau Frazão | Imagem: Eric Drooker

O grupo americano Monsanto (1) é um gigante no agronegócio – e é o número um na área da controvertida tecnologia genética “verde”. Para seus opositores, a Monsanto é um inimigo assustador. E continuam acontecendo coisas intrigantes que fazem o inimigo parecer ainda mais aterrorizante.

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Os zapatistas criam sua Escuelita global

Professora da Escuelita zapatista. [Foto: Moysés Zúñiga Santiago]

Crônica da Chiapas — onde EZLN abre, para 1700 “alunos” de todo planeta, primeira vivência em práticas de liberdade e autonomia

Por Marta Molina, de Chiapas | Tradução: Bruna Bernacchio

Depois de três dias de festa nos cinco Caracóis zapatistas pelo 10º aniversário das Juntas de Bom Governo (JBG) já está tudo pronto para a tão esperada Escuelita da Liberdade, que começou hoje (12/8) simultaneamente em La Realidad, Oventic, Morelia, La Garrucha, Roberto Barrios, assim como no Centro Indígena de Capacitação Integral (Cideci) em San Cristóbal de Las Casas”.

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O massacre no Cairo e sua herança

Robert Fisk escreve: Ocidente ensina muçulmanos a desprezar democracia; intelectuais e ativistas que apoiaram militares não escaparão da vergonha moral

Por Robert FiskThe Independent | Tradução Cauê Seignemartin Ameni

O cristal egípcio rompeu-se. A “unidade” do Egito – aquela cola patriótica e essencial que manteve o país unido desde a derrubada da monarquia, em 1952 e o governo de Nasser – derreteu em meio aos massacres, tiroteios e fúria, ontem no ataque brutal à Irmandade Muçulmana. Uma centena de mortos – 200, 300 “mártires” [o número de vítimas continua subindo: 638, na quinta-feira à noite, segundo o New York Times] – não faz diferença o resultado: para milhões de egípcios, o caminho da democracia tem sido dilacerado entre balas e brutalidade. Os muçulmanos que buscam um Estado baseado em sua religião poderão confiar nas urnas novamente?

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Para que servem as negociações entre israelenses e palestinos?

Autoridade Palestina e governos de EUA e Israel têm diversos objetivos por trás da retomada do diálogo

Em vista do ceticismo generalizado sobre a possibilidade de sucesso da nova rodada de negociações entre israelenses e palestinos, que terá inicio nesta quarta-feira (14/08), muitos analistas se perguntam o que leva as três partes envolvidas (o governo israelense, a Autoridade Palestina e o governo norte-americano) a reiniciar o diálogo.

De acordo com o plano do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, dentro de nove meses as negociações deverão levar à solução do conflito entre os dois povos, que já dura cerca de 130 anos.

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