Para especialista francês, EUA não são mais uma democracia

Éric Denécé*

Os americanos hoje estão imersos nestas práticas escandalosas e, no momento, o presidente Barack Obama não disse que iria pedir para a Agência de Segurança Nacional parar com isto. Desde 2002, os EUA não são mais uma democracia real no sentido europeu do termo. Eles continuam a viver sob a imagem maravilhosa de uma sociedade muito democrática, mas não é de todo a realidade. Porque, em primeiro, colocaram toda a sua população sob escuta. É um poder que tende a uma forma de totalitarismo.

Não esqueçamos que os americanos ainda não fecharam a prisão de Guantánamo, nem que fazem ataques com drones por todo lado no mundo no quadro da luta antiterrorista. Não esqueçamos que as escutas do Prism estão relacionadas aos terroristas, mas também aos cidadãos e igualmente às empresas estrangeiras. Há uma verdadeira espionagem econômica instalada. E, para mim, isto não é mais uma democracia. A eficiência de escuta em termos de luta antiterrorista é muito moderada. Quer dizer que sua aplicação serve também a outras coisas, a estimular a indústria americana da eletrônica e da informática.

Temos hoje nos EUA, além de um lobby militar, um lobby da indústria dita de segurança. Retornamos a uma época como a do macarthismo (o período de caça às bruxas anticomunista, nos anos 1950), de uma suspeição generalizada de todos que estão em solo americano. E é um meio de fazer uma espionagem econômica maciça para tirar vantagem na competição internacional. Os americanos estão prontos a fazer tudo para sair da crise antes dos europeus, dos países emergentes, da China. Os riscos de algo assim ocorrer na Europa são muito pequenos. Talvez no Reino Unido, que funciona um pouco como os EUA, e tem uma lei extremamente fraca para a proteção de dados pessoais.

Na França, temos a lei mais dura e mais estrita para isto. Sempre houve abusos em todos os países, mas aqui é mais difícil de acontecer. E é preciso lembrar que os recursos enormes gastos pelos EUA com as escutas não têm impacto real em matéria de luta antiterrorista. Gastam 100 vezes mais do que a França, e não são 100 vezes mais eficazes do que nós. É dinheiro gasto também com outros objetivos. O Obama que recebeu o Prêmio Nobel da Paz não questionou a política de (George W.) Bush, aumentou a prática de escutas de cidadãos americanos, aumenta os ataques com drones e não fecha Guantánamo. Os desvios do governo americano são extremamente preocupantes.

*Diretor do Centro Francês de Pesquisa sobre Inteligência Correspondente, em depoimento ao correspondente Fernando Eichenberg

Fonte: O Globo

Fonte: http://www.geodireito.com/?p=6669

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