Desenvolvimento sustentável na prática

Para geocientista, exercer a sustentabilidade não deve estar relacionado apenas à inspiração para embalagens eco design, mas também a planejar e produzir produtos que possam ser totalmente reciclados no fim de sua vida útil

Roberto Naime

As empresas e as pessoas não vão ficar discutindo conceitos existenciais e herméticos sobre desenvolvimento sustentável no seu cotidiano. Por exemplo, muitas organizações, sejam elas públicas, sejam privadas, não conseguem transformar em prática as ideias de desenvolvimento sustentável defendidas e divulgadas pela então primeira-ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland, que apresentou, para a Assembleia-Geral da ONU, o documento “Nosso Futuro Comum”, que ficou conhecido como Relatório Brundtland (VEIGA, José Eli da. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI, 2005, p. 191).

A tradução dessas ideias foi realizada de maneira pragmática pelas organizações. Elas começaram por introduzir o conceito de eco design em seus produtos, sendo que esse conceito não significa apenas inspiração para temas ecológicos e, sim, planejar e produzir produtos que possam ser totalmente reciclados quando terminar sua vida útil. No caso de embalagens de alimentos, por exemplo, que elas possam ser totalmente reaproveitadas, ou recicladas.

OS 5 SENSOS

O conceito dos 5 Sensos surgiu no Japão, na década de 1950, para transformar a cultura fabril, introduzindo um novo tipo de organização:Seiri: Senso de utilização. Refere-se à prática de verificar todas as ferramentas, materiais etc. na área de trabalho e manter somente os itens essenciais para o trabalho que está sendo realizado. Tudo o mais é guardado ou descartado. Este processo conduz a uma diminuição dos obstáculos à produtividade do trabalho.Seiton: Senso de ordenação. Enfoca a necessidade de um espaço organizado. A organização refere-se à disposição das ferramentas e equipamentos em uma ordem que permita o fluxo do trabalho. Ferramentas e equipamentos deverão ser deixados nos lugares onde serão posteriormente usados. O processo deve ser feito de forma a eliminar os movimentos desnecessários.

Seiso: Senso de limpeza. Designa a necessidade de manter o mais limpo possível o espaço de trabalho.

Seiketsu: Senso de normalização. Criar normas e sistemáticas que todos devem cumprir. Tudo deve ser devidamente documentado. A gestão visual é fundamental para o fácil entendimento de cada norma.

Shitsuke: Senso de autodisciplina. Refere-se à manutenção e à revisão dos padrões. Uma vez que os 4 Sensos anteriores tenham sido estabelecidos, configura-se uma nova maneira de trabalhar, não permitindo um regresso às antigas práticas. Somente quando surge uma nova melhoria, ou uma nova ferramenta de trabalho, ou a decisão de implantação de novas práticas, pode ser aconselhável a revisão dos quatro princípios anteriores.

A PRÁTICA DOS 3RS
Esse cenário muda ao iniciar a prática dos 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar). Após reduzir os desperdícios de energia, as empresas adotam programas de eficiência energética, calculando as iluminações e a potência dos motores que movimentam máquinas. Existe também a possibilidade de produzir energias alternativas, como a solar e a eólica, criando programas permanentes de aperfeiçoamento e melhorias contínuas nessa área.

A seguir, passaram a cuidar da racionalização do uso de recursos hídricos superficiais ou subterrâneos. Em todas as organizações que poluem a água, a implantação de eficientes e eficazes sistemas de tratamento de efluentes foi realizada e o controle por padrões de descarga dos efluentes passou a ser rigoroso.

Em conjunto com essas atividades, passaram a implantar cuidadosos sistemas de gestão de resíduos sólidos, tanto domésticos quanto industriais, privilegiando a prática dos 3Rs.

Ao mesmo tempo, os governos começaram a controlar as emissões atmosféricas de organizações que produzem grande quantidade de gases e que utilizam caldeiras, como polos petroquímicos. Para diminuir a emissão desses poluentes, filtros, lavadores de névoas e outros equipamentos de prevenção de poluição foram instalados em cada um desses empreendimentos.

PROGRAMA 5 SENSOS
A seguir, foram criados programas de responsabilidade socioambiental muito amplos, envolvendo todas as partes interessadas (fornecedores, colaboradores, clientes, ONGs, governo etc.).

Em geral, a sequência inicia-se com a implantação de programas 5 Sensos, acompanhados de programas de treinamento de pessoal e de melhoria contínuos, que logo evoluem para certificações de qualidade (série ISO 9000) e certificações ambientais (série ISO 14000). A conscientização precisa ser igual nos setores público e privado. Entretanto, por razões operacionais, os resultados alcançados pelas organizações privadas têm sido melhores.

OS 3 Rs
1. Reduzir a geração de resíduos.
2. Reutilizar no mesmo estado em que se encontram.
3. Reciclar quando o material serve de matéria-prima para novo ciclo industrial, como as latinhas de alumínio dos refrigerantes.

ROBERTO NAIME é graduado em Geociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mestre em Geociências pela mesma instituição. É doutor em Geologia Ambiental pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e, atualmente, é professor do curso de gestão ambiental e do programa de pós-graduação (mestrado e doutorado) em Qualidade Ambiental na Universidade Feevale.

Fonte: http://conhecimentopratico.uol.com.br/geografia/mapas-demografia/49/desenvolvimento-sustentavel-na-pratica-para-geocientista-exercer-a-sustentabilidade-290244-1.asp

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