Crônica sobre a possível Primavera Brasileira

Protestos em 2000 contra o G8

Algo une novos protestos aos Fóruns Sociais Mundiais: é a noção de que lutas podem colocar direitos acima do capital
Por Marília Moschkovich

Episódio um: 500 anos de qual Brasil?

No início do ano 2000 eu tinha 13 anos. A economia do Brasil era um pouco capenga (embora já bem melhor do que uma década antes) e devíamos muito dinheiro ao Fundo Monetário Internacional. Fazia pouco tempo que tínhamos alcançado a universalização da educação básica, e o número de analfabetos ainda era maior do que hoje. A desigualdade social e o desemprego também eram maiores. Nesse contexto, que era relativamente dramático, “celebrava-se” os supostos “500 anos” do Brasil.

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Síria: uma guerra de todos contra todos

Eleição do moderado Rowhani no Irã complica guerra civil na Síria, onde EUA e al-Qaeda estão do mesmo lado

Por Roberto Cattani

Até agora, sob a presidência de Mahmoud Ahmadinejjad, o Irã era o principal suporte econômico e financeiro do regime de Bashar al-Assad, o grande aliado estratégico, e o maior fornecedor de armas, por intermediário do movimento xiita libanês Hezbollah.

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O preço do progresso e os dois Brasis

Manifestantes interrompem obra, em protesto contra a usina de Belo Monte

Protestos foram enorme surpresa internacional. Para entendê-los, deve-se examinar as agendas interrompidas no governo Dilma – e a que se impôs

Por Boaventura de Sousa Santos

Com a eleição da Presidente Dilma Roussef, o Brasil quis acelerar o passo para se tornar uma potência global. Muitas das iniciativas nesse sentido vinham de trás mas tiveram um novo impulso: Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente, Rio +20, em 2012, Campeonato do Mundo de Futebol em 2014, Jogos Olímpicos em 2016, luta por lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, papel ativo no crescente protagonismo das “economias emergentes”, os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) Continuar lendo

Manifestações no Brasil e a lógica do capitalismo hoje

O recurso à violência e a luta pelo real significado da palavra “democracia” parecem despontar como algumas das questões que envolvem os protestos pelo país

No sentido de uma crise generalizada do contexto sócio-econômico nacional e mundial, podemos afirmar que as manifestações iniciadas contra o aumento das passagens de ônibus, em diversas cidades do Brasil, são “políticas”. No entanto, parece não ser este o sentido outorgado a elas, ao menos pelos gestores estaduais. Alarmados com a força demonstrada pela articulação popular (iniciada pelo Movimento Passe Livre), os governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro, Geraldo Alckmin (PSDB) e Sérgio Cabral (PMDB), apressaram-se em tachar os protestos, na última quinta-feira, de “políticos”: querendo significar, entretanto, que se tratam na verdade de estratégias partidárias e não de “mobilizações espontâneas”.

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Lo que no se dice sobre Bangladesh

Artículo analiza las causas de la pobreza en Bangladesh, cuestionando muchas de las argumentadas de los medios

Cuando usted vaya a comprarse una camisa o cualquier producto textil, mire donde está hecho el producto. Verá que la gran mayoría procede de países mal llamados pobres (en realidad tienen grandes cantidades de recursos, por lo general, controlados por intereses financieros y económicos extranjeros) donde los seres humanos que los producen viven y trabajan en condiciones misérrimas. Continuar lendo

Chuvas de monção já mataram 575 pessoas em junho na Índia

Soldados das Forças Armadas que participam dos trabalhos de resgate evacuaram nos últimos dias 73 mil pessoas

O número de mortes causadas pelas chuvas de monção que afetaram neste mês o estado indiano de Uttarakhand subiu neste sábado para 575, enquanto 20 mil pessoas continuam isoladas à espera de resgate. “Na realidade foram recuperados muitos mais corpos, mas estamos mais preocupados em salvar as pessoas que em contabilizar os mortos”, disse à Agência Efe por telefone o secretário de Interior de Uttarakhand, Om Prakash.

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Via Crúcis de imigrantes subsaarianos à Europa é marcada por violência e descaso

Histórias de espancamento e assassinatos de africanos se proliferam a cada ano na fronteira entre o continente e a Espanha

A história de Gastón poderia, à primeira vista, parecer uma dessas milhares de histórias que a cada ano – desde que em 2005 as Forças Auxiliares Marroquinas se transformaram oficialmente nos vigilantes da fronteira sul da Europa e muitas vezes nos policiais do descumprimento sistemático dos convênios internacionais e dos direitos humanos – acontecem entre as cercas que separam Melilla e Ceuta.

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Número de refugiados e deslocados no mundo supera 45 milhões, diz ONU

De acordo com relatório das Nações Unidas, uma pessoa se torna refugiada a cada quatro segundos no mundo

O número de refugiados e deslocados no mundo bate recorde em quase vinte anos e alcança uma cifra de 45,2 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas, que alerta para a crise na Síria como um dos principais fatores de deslocamento global.

Segundo o Relatório Tendências Globais 2012, divulgado nesta quarta-feira, (19/06), de 2011 para 2012, 2,6 milhões de novos refugiados e deslocados se somaram aos já existentes 42,5 milhões (2011). Dos quais, 28,8 milhões de pessoas foram forçadas a fugir dentro das fronteiras de seus próprios países e 15,4 milhões obtiveram o status de refugiado em outros países.

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Anonymous quem?

Quantos diferentes personagens estão por trás da máscara pop de Guy Fawkes, do filme ‘V de Vingança’

Rosto branco, fino e ovalado, bochechas rosadas, cavanhaque estilo cafajeste e bigode debochado, olhos puxadinhos, sobrancelhas arqueadas e um sorriso de Monalisa um tanto cruel e sarcástico. Esse personagem poderia ser eu, poderia ser você, poderia ser a torcida do Corinthians acampada no Zuccotti Park em euforia semelhante à primeira conquista da Libertadores. Você já viu esse rosto. Seria um personagem esquecido, fosse tão identificável quanto um discreto Wally perdido nas coloridas multidões. Ao contrário, porém, tem uma face muitíssimo pop: Guy Fawkes (1570-1606).

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A revolta do gás lacrimogêneo (em sete capítulos)

As semanas que mudariam a história da política brasileira começaram com um protesto desinteressante. Os outros atos se sucederam com novidades: jovens dispostos a resistir à PM, arregimentados em redes sociais, lidando com o despreparo das autoridades

1º PROTESTO (quinta-feira, dia 6): Eram só cerca de 150 meninos do Movimento Passe Livre (MPL) e estudantes ligados ao PSOL e PSTU em frente à Prefeitura. Eles já haviam feito manifestações semelhantes em outros anos. Sem novidades.

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