A nova era do terrorismo individual

Em Paris, um homem fere gravemente um militar. Em Londres, dois islamitas radicais matam um soldado. A ameaça se tornou interna

Policiais isolam área em Woolwich, em Londres, onde ocorreu o crime nesta quarta-feira 22

No sábado, 25, o militar do programa antiterrorista Vigipirate, Cédric Cordier, recebeu uma facada na nuca, no bairro de La Défense, o distrito de finanças a leste de Paris. Cordier sobreviveu.

Semana passada, o soldado britânico Drummer Lee Rigby foi assassinado a facadas por dois islamitas em Woolwich, sudeste de Londres.

Indivíduos desequilibrados ou manipulados pela literatura radical islâmica ou pelos próprios islamitas radicais agem por conta própria.

O novo quadro dificulta o trabalho da polícia, visto que não há nem grupos e nem movimentos que possam ser identificados e, por tabela, suas atividades não podem ser monitoradas pelas autoridades.

Personagens do alto escalão da política francesa, como o presidente François Hollande, foram cautelosos: não quiserem definir o ato como aquele perpetrado por um terrorista, pelo menos por ora.

Felizmente, o ministro francês do Interior, Manuel Valls, disse alto e claro: “Podemos comparar o ataque em Paris com aquilo que aconteceu em Londres”.

A ameaça se tornou interna.

Yves Camus, analista político do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), também foi objetivo: “Omodus operandi nos dois casos (Londres e Paris) foi o mesmo. Um ataque terrorista sempre engatilha ações ou tentativas similares”, disse Camus ao diário francês Libération.

Ano passado, Mohamed Merah, em Toulouse, matou três soldados franceses com passagem pelo Afeganistão e, em uma escola, mais três crianças judias e um rabino.

No sábado 25, o militar Cédric Cordier, de 23 anos, fazia, com dois colegas do programa antiterrorista Vigipirate, do qual fazem parte 450 soldados, trabalhava na estação de metrô em La Défense.

Um homem de origem africana, barbudo e com cerca de 1,90m de altura, segundo testemunhas, o esfaqueou pelas costas. Em seguida, se desfez de seu djellaba, robe largo e com mangas compridas, e se inseriu no meio da multidão. Os colegas de Cordier não tiveram tempo para reagir.

O terrorismo entra em uma nova fase.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/internacional/a-nova-era-do-terrorismo-individual-4055.html

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