Universo das classes

Estudo publicado pelo Banco Mundial define a classe média como o grupo formado por aqueles que não correm mais o risco de retornar à pobreza

Alcides Leite

O Banco Mundial lançou recentemente a publicação Economic Mobility and the Rise of the Latin American Middle Class, dos autores Francisco H. G. Ferreira, Julian Messina, Jamele Rigolini, Luis-Felipe Lopez-Calva, Maria Ana Lugo e Renos Vakis.

Esta publicação, que, em tradução livre, se intitula Mobilidade Econômica e Crescimento da Classe Média Latino-Americana, mostra que, após décadas de estagnação, a classe média na América Latina cresceu a ponto de atingir o mesmo tamanho da classe dos pobres.

O estudo define a classe média como o grupo formado por aqueles que não correm mais o risco de retornar à pobreza. A este conceito os autores chamam de “seguridade econômica”. Segundo eles, existem quatro classes sociais na América Latina: os ricos; a classe média; os vulneráveis; e os pobres. Os vulneráveis são aqueles que estão em condição de renda média, mas podem retornar à pobreza a qualquer momento. A base do rendimento da classe média foi definida como US$ 14 mil anuais para uma família de quatro membros e a possibilidade de redução deste rendimento tem que ser menor do que 10%.

POBRES E EXTREMAMENTE POBRES
O Bolsa Família considera extremamente pobres as famílias com renda domiciliar per capita de até R$ 70 por mês; e pobres, aquelas com até R$ 140. O Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC-LOAS) beneficia idosos e deficientes com rendimento mensal domiciliar per capita inferior a um quarto de salário mínimo.
QUANTO MENOR A CIDADE, PIOR A SITUAÇÃO
O Censo 2010 detectou que a incidência de pobreza era maior nos municípios de porte médio (10 mil a 50 mil habitantes), independentemente do indicador. Enquanto a proporção de pessoas que viviam com até R$ 70 de rendimento domiciliar mensal per capita era, em média, 6,3% no Brasil, nos municípios de 10 mil a 20 mil habitantes esse percentual era o dobro (13,7%), com metade da população nesses municípios vivendo com até meio salário mínimo per capita.
INFERIOR AO SALÁRIO MÍNIMO
O Censo Demográfico 2010 indica que, apesar de uma média de R$ 668, 25% das pessoas tinham rendimento médio nominal mensal domiciliar per capita de até R$ 188 e metade da população recebia até R$ 375, valor inferior ao salário mínimo em 2010 (R$ 510). Enquanto cerca da metade da população urbana recebia, em média, até R$ 415, nas áreas rurais esse valor era de, aproximadamente, R$ 170.

ANÁLISE 
Segundo o estudo, as razões do crescimento da classe média na América Latina são o crescimento econômico (sustentado pelo crescimento da economia mundial, a alta do preço das commodities, a expansão do crédito e a redução das taxas de juros) e o sucesso na implantação de programas de redução da desigualdade nos diversos países da região. Estas condições levaram 43% da população a mudar de classe social nos últimos 15 anos.

Apesar do sucesso das políticas implantadas para reduzir a desigualdade, ainda não foi alcançada na região a principal condição para garantir a ascensão socioeconômica da população: a melhoria das condições de instrução. A mudança intergeracional na área da educação ainda é restrita. Os que conseguem atingir um grau mais elevado de instrução ainda vêm de famílias cujos pais também possuem bom nível de escolaridade.

O trabalho termina afirmando que, para continuar progredindo socialmente, os países da América Latina precisam aproveitar o crescimento da classe média para implantar um contrato social que garanta a sustentabilidade de uma política mais inclusiva e com melhores condições de qualidade do serviço público. Os membros da nova classe média devem exigir maior eficiência por parte do Estado.

Ao apresentar o trabalho, o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Augusto de La Torre, afirmou que a classe média latino-americana tende a se afastar dos serviços públicos, como ensino, segurança e saúde, assim que aumenta sua renda. De acordo com La Torre: “Essas pessoas optam por não usar os serviços públicos, ao contrário do que é observado na classe média dos Estados Unidos, e isso é uma fonte de preocupação”.

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

ALCIDES LEITE é economista e professor da Trevisan Escola de Negócios.

Fonte: http://conhecimentopratico.uol.com.br/geografia/mapas-demografia/48/universo-das-classes-estudo-publicado-pelo-banco-mundial-define-279774-1.asp

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s