Mulheres na construção civil

Para suprir a demanda do mercado superaquecido, a força de trabalho feminina assume tarefas antes masculinas e se destaca pelo perfeccionismo

Maurício Barroso

O ingresso cada vez maior de mulheres no mercado da construção civil está sendo impulsionado pela falta de mão de obra masculina e pela demanda crescente da indústria. São serventes, carpinteiras, ajudantes de obra, pedreiras, soldadoras, técnicas em segurança do trabalho e engenheiras. Elas se misturam aos homens com naturalidade e em condições de realizar as tarefas com tanta competência quanto os trabalhadores.

MÃO DE OBRA FEMININA
De acordo com dados do Ministério de Trabalho e Emprego (MTE), o número de mulheres que exercem atividades na construção civil aumentou 65% na última década. Em 2000, 83 mil mulheres atuavam na área. Em 2008, o número subiu para quase 2 milhões.
CONSTRUÇÃO CIVIL
A atividade do setor de construção civil fechou o ano de 2012 com crescimento de 4% em relação a 2011, segundo projeção do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP). Para 2013, a estimativa é de que o setor cresça entre 3,5% e 4%. Se esta previsão for correta, o resultado é um recuo, já que, em 2012, o incremento foi de 4,8%.Fonte: Valor Econômico

Existem diferentes levantamentos sobre o tema, mas o crescimento da força de trabalho feminina no setor é evidente em todos eles. Para o analista de Recursos Humanos da MIP Edificações, Fabrício Antônio Bicalho, a movimentação de mão de obra feminina é natural. “No atual cenário econômico na construção civil, percebe-se a escassez de mão de obra masculina e, em contrapartida, vemos uma ascensão das mulheres nesses diversos setores”, observa.

Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em 2010, as mulheres já somavam mais de 200 mil trabalhadoras com carteira assinada no País, quase o dobro do registrado em 2006, e 8% do total da construção civil.

Para o diretor de operações da MIP Edificações, Márcio Afonso Pereira, a contratação de mulheres na empresa surgiu para suprir a falta de mão de obra masculina e o resultado superou as expectativas. “As mulheres são atenciosas, detalhistas, cuidadosas ao manusear os equipamentos e se adaptaram bem nesse mercado, que era exclusivamente masculino”, destaca.

CIDADE DA SOLDA

 
Funcionando desde 2005, a Cidade da Solda de Betim (MG), coordenada pela Instituição Social Ramacrisna, tem o objetivo de formar soldadores(as) e maçariqueiros para atender a demanda do mercado. Nos últimos três anos, 23 mulheres se formaram no curso de soldadores. Em 2009, 6 mulheres fizeram o curso; em 2010, 9 mulheres; em 2011, 8 mulheres; e, em 2012, 11 mulheres vão se formar no curso. A expectativa é de que esse número cresça devido à grande procura feminina por esse mercado.

Segundo o instrutor de processos de soldagem da Cidade da Solda, Marcos Vinícius da Silva, a procura das mulheres pelo curso de soldagem cresceu e a participação feminina nas salas de aula fica em torno de 40% a 50%.

Para a aluna da Cidade da Solda, Stephany da Silva Mendes, o curso de soldador tem agregado muito na sua área, já que ela é estudante de engenharia mecânica: “Sempre tive facilidade com desenhos e cálculos, por isso escolhi essa profissão”. Ela acredita que as mulheres estão, sim, conquistando o mercado e acabando com o preconceito de que determinadas profissões só podem ser exercidas por homens.

MAIS DE 1 MILHÃO DE MULHERES EMPREGADAS EM 2011 
Em 2011, 1,41 milhão de mulheres ingressaram no mercado formal de trabalho pela primeira vez. O número de admissões para primeiro emprego nesse período mostra expansão e força da mão de obra feminina, pois, em 2010, 1,32 milhão de trabalhadoras tinham sido contratadas pela primeira vez, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O número de mulheres no mercado de trabalho tem crescido, conforme mostram os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do MTE. Em 2002, o mercado contava com 11.418.562 mulheres formalmente empregadas e, em 2011, passou para 19.206.197.

Os maiores aumentos de salário de admissão das mulheres por grau de instrução ocorreram nos níveis de escolaridade mais baixos, de analfabetas (4,9%) até ensino fundamental completo (2,96%). Quanto à média salarial, as mulheres tinham remuneração média de R$ 1.271,95, em 2002, e de R$ 1.553,44 em 2010.

REGIÃO GEOGRÁFICA 
Em 2010, a Rais mostra que o Estado de São Paulo contava com o maior número de mão de obra feminina dentre todas as unidades da Federação: 5.343.083 mulheres com vínculo formal de trabalho, em um universo formado por mais de 18 milhões de trabalhadoras em todo o País. Nesse Estado, 2.330.756 trabalhadoras estavam empregadas no setor de serviços; 1.074.239 no comércio; 992.360 na administração pública; 807.928 na indústria da transformação; 66.653 na agropecuária; 50.438 na construção civil; 18.743 em serviços industriais e de utilidade pública; e 1.966 no extrativismo mineral.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

Fonte: http://conhecimentopratico.uol.com.br/geografia/mapas-demografia/48/mulheres-na-construcao-civil-para-suprir-a-demanda-do-279776-1.asp

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