Os calendários

Os calendários possuem uma origem muito antiga que vem desde o início das atividades agrícolas humanas, onde havia a necessidade de se prever as estações do ano e os melhores períodos para o plantio

por Valter Cassalho*

Pintura de um Calendário Romano, antes da reforma juliana. Uma curiosidade é a presença dos meses Quintilis e Sextilis, e a possibilidade de inserção de um mês intercalar.

Pintura de um Calendário Romano, antes da reforma juliana. Uma curiosidade é a presença dos meses Quintilis e Sextilis, e a possibilidade de inserção de um mês intercalar.

O homem passou a observar o céu e pôde perceber a regularidade da posição e transcursos dos astros e outros corpos celestes, principalmente a lua, com uma contagem de tempo entre duas luas novas com um período de vinte e nove dias e meio, estabelecendo assim nossa primeira noção de mês.

A variação da altura do Sol no horizonte permitiu uma nova descoberta, os equinócios, esta periodicidade foi calculada em 365 dias, aproximadamente doze vezes a duração do mês lunar. Este cálculo levaria mais tarde à divisão do ano em doze meses, totalizando 365 dias.

Como esta conta não era exata, cada povo da Antiguidade tentou solucionar o problema ao seu modo, os egípcios criaram doze meses com trinta dias (12×30=360) acrescendo cinco dias extras no final de cada ano; os babilônios e gregos acrescentaram a cada período de 19 anos um décimo terceiro mês.

Com as conquistas romanas, os calendários passaram por diversas combinações e dado à extensão do império, iniciou-se um processo de uniformização na contagem do tempo.

Os romanos estabeleceram um calendário de dez meses no século VII a.C., mas somente no ano 46 a.C. Júlio César encarregou o grego Sosígenes de efetuar um calendário mais preciso, para Roma. O novo calendário baseado no egípcio ficou com a denominação de Juliano, com um ano de 365 dias dividido em doze meses de 30 e 31 dias, menos fevereiro que passou a ser bissexto.

Todavia, a translação em torno do Sol é de 365 dias, 6 horas, 9 minutos e 10 segundos, esta pequena diferença começou a interferir na exatidão do calendário depois de decorridos mais de 1500 anos.

Para corrigir esta diferença, o Papa Gregório XIII, em 1582, reformou o calendário Juliano, suprimindo dez dias de diferença que haviam se acumulado durante estes séculos, estipulando ainda a supressão de três anos bissextos a cada 400 anos, para evitar nova defasagem.

Inicia-se aqui o nosso calendário, ou seja o Gregoriano, mantendo os mesmos nomes dos meses do calendário Juliano.

A contagem dos anos, até século VI, não era a partir do nascimento de Cristo e sim da posse do Imperador Diocleciano. Em 525, o abade Dionísio passou a estudar uma nova forma de contagem dos anos, determinando o ano 01 a partir do nascimento de Cristo e não mais referente a um Imperador Romano anticristão.

Para isso, ele partiu da data de fundação de Roma e foi somando os anos de todos os governos desta época, chegando a 726 anos, desde a fundação da cidade até a posse do imperador Augusto. Pois Jesus teria nascido aos 27 anos deste reinado durante o governo de Herodes na Palestina; somando tudo, obteve 753 anos até o nascimento de Jesus.

A partir dessa data, foi considerado o ano UM da Era Cristã, pois na matemática romana não existia o número zero. Mas, de acordo com o astrônomo e matemático Orthon Winter, da Universidade Estadual Paulista, autor do livro Fim de Milênio, Dionísio provavelmente não contou os quatro anos em que Augusto César governou com o nome de Otávio; isso é confirmado ainda pelo fato de Herodes ter mandado matar Jesus quando este ainda era bebê. Sabe-se que Herodes morreu no mês de um eclipse lunar; segundo os astrônomos, ocorreu um eclipse lunar no ano 4 a.C.

Mas não devemos nos esquecer que os calendários são apenas convenções humanas. Só para ilustrar, também não podemos esquecer que essas datas dizem respeito a uma parcela da população mundial; para os judeus, os muçulmanos e os chineses a contagem é outra.

 

Calendário com números de ouro, dias de festa, ocupações de meses, horas de luz e trevas e tabela com dias bons e ruins. Noruega, 1636.

Calendário com números de ouro, dias de festa, ocupações de meses, horas de luz e trevas e tabela com dias bons e ruins. Noruega, 1636.

Os meses e seus significados: 
Janeiro Homenagem ao deus Jano, deus dos inícios, da primeira hora do dia e primeiro mês do ano; Fevereiro Refere-se a Februália, ritual da purificação e oferendas aos mortos em Roma; Março Homenagem ao deus da guerra Marte; Abril Aperire, que significa abertura das flores e é dedicado à deusa Afrodite; Maio Homenagem à deusa Maia, mãe do deus Mercúrio; Junho Homenagem à deusa Juno, protetora das mulheres; Julho Inicialmente, era chamado de Quintilis e foi rebatizado com este nome para homenagear Júlio César; Agosto Inicialmente Sextilis, rebatizado com este nome para homenagear César Augusto; Setembro Do latim septem (sete), antes do calendário de Pompílio era o sétimo mês; Outubro Octo, era o oitavo mês; Novembro Nove, era o nono mês do ano; Dezembro Decem, era o décimo mês do ano no antigo calendário romano.

*Valter Cassalho é professor, folclorista e membro da Associação Paulista de Folclore.

 

Fonte: http://conhecimentopratico.uol.com.br/geografia/mapas-demografia/41/os-calendarios-os-calendarios-possuem-uma-origem-muito-antiga-249867-1.asp

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