A verdade que se desmancha no ar

Por Carlos Brickmann

A experiência se realizou no Campus Party, em São Paulo: um blogueiro, para demonstrar o poder das redes sociais, divulgou a falsa notícia da morte do Seu Barriga, personagem de TV do seriado Chaves. Muita gente acreditou, retuitou, e em poucos instantes estava entre as notícias internacionalmente mais divulgadas do Twitter (na linguagem tuiteira, segundo lugar entre os trending topics). A experiência continuou: alteraram até a página da Wikipédia sobre o ator. E ninguém pôs em dúvida a notícia. Até portais de grandes empresas se limitaram a transcrevê-la, sem qualquer tipo de verificação. Continuar lendo

Vulcões: o fogo mortal

Existem no mundo 700 vulcões ativos, mas apenas 60 deles entram em erupções todos os anos e fazem os seus estragos. Mais de 240 mil pessoas já morreram por causa de suas explosões. Vulcões são responsáveis por várias histórias trágicas da humanidade. Eles podem matar até uma cidade inteira, mas são tão venerados que a décima parte da população mora nos arredores de algum deles

por Priscila Gorzoni*

O relato a seguir é baseado em fatos reais e foi retirado do documentário Desastres Naturais, da Discovery.

“A minha casa ficava aqui, mas em 1981 ela foi arrastada pela lava. Saí aquela noite e quando voltei já não havia mais nada. Vi o policial civil e o cumprimentei e fui em frente. Quando ele me olhou e disse, não precisa ir mais à frente, lá não existe mais nada, guardei as chaves de casa. Às vezes, venho até aqui e me lembro que um dia já tive uma casa.” Esse é o relato de um sobrevivente do vulcão Etna, na Sicília. Continuar lendo

Os calendários

Os calendários possuem uma origem muito antiga que vem desde o início das atividades agrícolas humanas, onde havia a necessidade de se prever as estações do ano e os melhores períodos para o plantio

por Valter Cassalho*

Pintura de um Calendário Romano, antes da reforma juliana. Uma curiosidade é a presença dos meses Quintilis e Sextilis, e a possibilidade de inserção de um mês intercalar.

Pintura de um Calendário Romano, antes da reforma juliana. Uma curiosidade é a presença dos meses Quintilis e Sextilis, e a possibilidade de inserção de um mês intercalar.

O homem passou a observar o céu e pôde perceber a regularidade da posição e transcursos dos astros e outros corpos celestes, principalmente a lua, com uma contagem de tempo entre duas luas novas com um período de vinte e nove dias e meio, estabelecendo assim nossa primeira noção de mês. Continuar lendo

As duas faces do Estado

É possível falar em nome do bem público, do que é o bem público, e, ao mesmo tempo, apropriar-se dele. Esse é o princípio do “efeito Janus”: há pessoas que possuem acesso ao privilégio do universal, mas não é possível ter o universal sem ao mesmo tempo monopolizar o universal

por Pierre Bourdieu

Descrever a gênese do Estado é descrever a gênese de um campo social, de um microcosmo social relativamente autônomo no interior de um mundo social abarcador, onde se joga um jogo particular, o jogo político legítimo. Um exemplo é a invenção do Parlamento, lugar onde os problemas que opõem grupos de interesses conflitantes são alvo de debates públicos realizados segundo formatos e regras específicas. Marx analisou apenas os bastidores: o recurso à metáfora do teatro, à teatralização do consenso, mascara o fato de que existem pessoas que manipulam os cordéis das marionetes, e que as verdadeiras apostas, os poderes de fato, estão em outro lugar. Retomar a gênese do Estado é retomar a gênese do campo onde a política se desenrola, se simboliza, se dramatiza em suas formas características. Continuar lendo

A Estratégia de Defesa e o Pré-Sal

A arrogante e desnecessária demonstração de força por parte da Grã-Bretanha, ao deslocar seu mais poderoso destroier, o “HMS Dauntless”, e um submarino nuclear da classe Trafalgar (o “HMS Tireless” ou o “HMS Turbulent”), armado com mísseis Tomahawk, para as Ilhas Malvinas, deve ser cuidadosamente analisada pelo Ministério da Defesa do Brasil e seus estrategistas navais. Além de buscar humilhar a debilitada Armada argentina e a própria nação irmã, a provocação britânica atinge também os interesses brasileiros, ao militarizar aquela área do Atlântico Sul e ameaçar toda a região.

É sempre bom lembrar que o transporte marítimo responde por mais de 95% de nosso comércio exterior e 90% do petróleo brasileiro é prospectado no mar, demandando um enorme esforço da Marinha do Brasil no controle e proteção desta gigantesca área, denominada “Amazônia Azul”. Para tal é de fundamental importância a atualização dos seus meios navais. A sociedade deveria estar engajada como um todo no apoio a implantação da Estratégia Nacional de Defesa. O programa do submarino nuclear brasileiro deveria ser incrementado, antecipando a entrada em serviço da 1ª embarcação, hoje prevista para 2025!

O artigo a seguir, do Comandante e Engenheiro Antonio Didier Vianna, de 2010, porém atual, associa a importância dos recursos do Pré-sal, para a viabilização dos nossos meios de defesa naval. Continuar lendo

Todo trabalho merece um salário?

A lógica se aplica a todos, mas não da mesma forma: a “concorrência internacional” impõe a alguns reavaliar suas pretensões salariais; ela autoriza outros a negociar seu “talento” a preço de ouro. E se outra lógica determinasse a definição das remunerações?

por Pierre Rimbert

De tanto avaliar todas as coisas e todas as pessoas de acordo com seu valor monetário – que contribuição você traz para os acionistas? –, era de esperar que um dia a questão se voltasse para os avaliadores, mas de outro ponto de vista: que contribuição você traz para a sociedade?

É a essa inversão de perspectiva que convida um estudo publicado em dezembro de 2009, sob a coordenação da New Economic Foundation.1 Eilis Lawlor, Helen Kersley e Susan Steed, três pesquisadoras britânicas, abordam, não sem alguma malícia, a questão das desigualdades, comparando a remuneração de certas profissões, selecionadas nos dois extremos da escala das rendas, ao “valor social” criado por seu exercício. No caso de um trabalhador da reciclagem, que recebe 6,10 libras esterlinas por hora (R$ 17), as autoras estimam que “cada libra paga em salário gera 12 libras de valor” para o conjunto da coletividade. Em contraposição, “enquanto recebem remunerações compreendidas entre 500 mil e 10 milhões de libras, os grandes banqueiros de negócios destroem 7 libras de valor social por cada libra de valor financeiro criado”. Assim, o saldo coletivo das atividades mais bem remuneradas se mostra às vezes negativo, o que sugere a causa da tempestade financeira iniciada em 2008… Continuar lendo