ESPECIAL NOVA ORDEM MUNDIAL – 1ª PARTE – 4 matérias sobre a Nova Ordem Mundial: suas principais características e formação

Capitalismo e Socialismo da Guerra Fria a Nova Ordem

A velha ordem mundial

As constantes alterações que têm ocorrido no mapa da Europa nos últimos anos são o sinal de que vivemos um período de transição. É a estruturação da chamada nova ordem mundial, que vem substituir a velha ordem, marcada pela oposição entre Estados Unidos e União Soviética, em um período conhecido como Guerra Fria.

A guerra fria começou a se desenhar após a Segunda Guerra Mundial. Mais precisamente durante a Conferência de Potsdam, realizada em julho de 1945, quando em quatro zonas de ocupação, controladas, de leste a oeste, respectivamente, por União Soviética, Inglaterra, Estados Unidos e França. A capital alemã, Berlim, também foi ocupada, fincando dividida entre os russos a leste, e franceses, ingleses e americanos a oeste.

A partir de então, a bipolaridade que marcou o cenário geopolítico internacional no pós-guerra já estava configurada. Isto porque as duas grandes potências vencedoras – a capitalista, representada pelos Estados Unidos, e a socialista, representada pela União Soviética – tinham projetos antagônicas, não só a Alemanha como também para toda a Europa.

O antagonismo ficou claramente expresso a partir de 1947, quando o presidente americano Harry Turman declarou a expansionistas soviéticos no território europeu e, posteriormente, no território asiático.

Devido ao importante papel da União Soviética na derrota do exército nazistas pelo front oriental, desde de fevereiro de 1945 os soviéticos transformaram todo o leste europeu em uma grande área ocupada, alegando a necessidade de manter a segurança junto as suas fronteiras. Desde esse momento já estava estabelecida a chamada “cortina de ferro”, com a divisão da Europa em duas regiões geopolíticas: a Europa Ocidental, sob a influência dos Estado Unidos, e a Europa Oriental, sob a influência da União Soviética.

Para dar conta do Projeto de contenção da influência Soviética, os Estados Unidos financiaram a reconstrução e o fortalecimento econômico da Europa, através do Plano Marshal e dos países do Leste e Sudeste asiáticos, através do Plano Colombo. Instalaram um arsenal nuclear nos países da Europa Ocidental e envolveram-se em guerras localizadas, onde existia a oposição Capitalismo – Socialismo, como as guerras da Coréia (1950-1953) e do Vietnã (1930-1973)

Por seu lado, já em 1948 a União Soviética transformou as áreas de ocupação do Leste em governos pró-soviéticos, controlando-os de forma absolutamente autoritária, e também criou mecanismos de auxílio e cooperação econômica no interior do bloco socialista, através doComecon.

Do ponto de vista do equilíbrio do poder, a guerra fria também se consolidou com a criação de duas grandes Organizações militares: a Otan, em 1949, e o Pacto de Varsóvia, em 1955, que tinham como principal objetivo impedir a expansão dos sistemas socialistas e capitalistas, respectivamente.

Essas organizações, bem como as guerras localizadas entre as duas superpotências, foram expressão clara de como o controle mundial efetivou-se através do chamado “equilíbrio do terror”. A corrida tecnológica que colocou os dois países em posição militar de destruir o mundo todo, principalmente através das armas nucleares, serviu como eficaz mecanismo de controle mundial.

Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, essa velha ordem mundial começava a ruir. Construído em 1961, para consolidar a divisão da capital, evitando a fuga de alemães oriental para o lado capitalista, o muro foi o grande símbolo da bipolaridade, da disputa ideológica e militar entre os dois grandes vencedores da Segunda Guerra Mundial.

No entanto, a nova ordem que começou a ser construída desde então não representa uma completa ruptura com o passado. Pelo contrário, só pode der compreendida a partir dos elementos da velha ordem, que continuam presentes.

Fonte: http://www.algosobre.com.br/geografia/capitalismo-e-socialismo-da-guerra-fria-a-nova-ordem.html

A NOVA ORDEM MUNDIAL

O que é uma ordem [geopolítica] mundial? Existe atualmente uma nova ordem ou, como sugerem alguns, uma desordem? Quais são os traços marcantes nesta nova (des)ordem internacional?

Esse tema é clássico na geografia política, na geopolítica, na ciência política e nos estudos de relações internacionais. Um dos mais importantes (pelo número de citações que recebeu e ainda recebe) teóricos a abordar esse tema foi o geógrafo e geopolítico inglês Halford J. MacKinder, que produziu várias obras sobre o assunto no final do século XIX e no início do século XX. A idéia de uma ordem mundial pressupõe logicamente um espaço mundial unificado, algo que só ocorreu a partir da expansão marítimo-comercial européia (e capitalista) dos séculos XV e XVI. Daí os autores clássicos, em especial aqueles do século XIX, terem cunhado a expressão “grande potência” ou “potência mundial”, indissociavelmente ligada à idéia de ordem mundial. Esta normalmente é vista como uma situação de equilíbrio (sempre instável ou provisório) de forças entre os Estados. (Afinal é o Estado quem atua nas relações internacionais e executa tanto a diplomacia quanto a guerra).

E como esses atores privilegiados no cenário global, os Estados, são equivalentes apenas na teoria — pois há alguns fraquíssimos, em termos de economia, de população e de poderio militar, e alguns poucos outros extremamente fortes –, o conceito de potências (médias ou regionais e principalmente grandes ou mundiais) é essencial na medida em que expressa algo que ajuda a definir ou a estabilizar a (des)ordem mundial. Como assinalaram Norberto BOBBIO e Outros (Dicionário de Política, editora Universidade de Brasília, 1986, pp.1089-1098), cada Estado possui a sua soberania ou poder supremo no interior de seu território, não estando portanto submetido a nenhuma outra autoridade supraestatal, o que em tese redundaria numa espécie de “anarquia internacional”. Mas a existência das grandes potências e a própria hierarquia entre os Estados introduz um elemento estabilizador, uma “ordem” afinal, nessa situação em que não há um poder global ou universal, isto é, acima das soberanias estatais.

É exatamente essa hierarquia que vai dos “grandes Estados” — a(s) grande(s) potência(s) — até os “pequenos”, esse sistema de países onde na prática há o exercício do poder pela diplomacia (ou, no caso extremo, pela força militar) e pelas relações cotidianas (comerciais, financeiras, culturais…), o que se convencionou denominar ordem mundial. Por esse motivo, via de regra se define uma ordem mundial pela presença de uma ou mais grandes potências mundiais: ordem monopolar, bipolar, tripolar, pentapolar, multipolar etc. Como podemos perceber, não se avança muito quando se nega a idéia de uma (nova) ordem e se enfatiza o termo desordem, pois toda ordem mundial é instável e plena de conflitos e de guerras. Estas normalmente, salvo raras exceções, são explicáveis pela lógica que preside a ordem mundial e, portanto, não a denegam. Podemos dizer, assim, que o conceito de ordem mundial não é positivista (no sentido de ordem = ausência de contestações e de conflitos) e sim, na falta de um conceito melhor, dialético (no sentido de ordem = algo sempre instável e na qual as disparidades, as tensões e os conflitos são “normais” ou inerentes).

A atual ordem internacional, nascida com a ruína da bipolaridade — que foi o mundo da guerra fria e das duas superpotências, que existiu de 1945 até 1989-91–, ainda suscita inúmeras controvérsias e costuma ser definida ora como multipolar (por alguns, provavelmente a maioria dos especialistas), ora como monopolar (por outros) ou ainda como uni-multipolar (por Huntington). Aqueles que advogam a mono ou unipolaridade argumentam que existe uma única superpotência militar, os Estados Unidos, e que a sua hegemonia planetária é incontestável após o final da União Soviética. E aqueles que defendem a idéia de uma multipolaridade não enfatizam tanto o poderio militar e sim o econômico, que consideram como o mais importante nos dias atuais. Eles sustentam que a União Européia já é uma potência econômica tão ou até mais importante que os EUA — e continua se expandir — e tanto o Japão (que logo deverá superar a sua crise) quanto a China (a economia que mais cresce no mundo desde os anos 1990) também são economias importantíssimas a nível planetário. Além disso, raciocinam, a Rússia ainda é uma superpotência militar, apesar de sua economia fragilizada; a China vem modernizando rapidamente o seu poderio militar; e as forças armadas da Europa, em especial as da Alemanha, França, Itália e Reino Unido, tendem a se unificar com o desenrolar da integração continental.

Até mesmo os momentos de crise (Guerra do Golfo, em 1991, conflitos na Bósnia e no Kosovo, em 1993 e 1999, a luta contra o terrorismo, em 2001, e a ocupação do Iraque, em 2003) são vistos sob diferentes perpectivas por ambos os lados. Os que insistem na monopolaridade pensam que essas crises exemplificam a hegemonia absoluta e sem concorrentes dos Estados Unidos, enquando que os que advogam a multipolaridade explicam que essa superpotência em todos esses momentos críticos necessitou do imprescindível apoio da Europa, em primeiro lugar, e até mesmo da ONU, além de ter feito inúmeras concessões à Rússia e à China em troca do seu suporte direto ou indireto nesses bombardeios contra o Iraque, contra a Sérvia e contra o Afeganistão.

Mas, independentemente do fato de ser uni ou multipolar — ou talvez uni-multipolar, uma fórmula conciliatória que admite uma monopolaridade militar (mesmo que provisória) e uma multipolaridade econômica –, a nova ordem mundial possui outros importantes traços característicos: o avançar da Terceira Revolução Industrial, ou revolução técnico-científica, e de uma globalização capitalista junto com uma nova regionalização que lhe é complementar, isto é, a formação de “blocos” ou mercados regionais. A revolução técnico-científica redefine o mercado de trabalho (esvaziando os setores secundário e primário e ao mesmo tempo exigindo cada vez mais uma mão-de-obra qualificada e flexível) e reorganiza ou (re)produz o espaço geográfico (com novos fatores sendo determinante para a alocação de indústrias: não mais matérias primas e sim telecomunicações e/ou força de trabalho qualificada, dentre outros). Ela é condição indispensável para a globalização na medida em que esta não existe sem as novas tecnologias de informática e de telecomunicações. Ela influi até mesmo na guerra, pois permite a construção de armas “inteligentes”, que destroem alvos específicos sem ocasionar matanças indiscriminadas (e são mais precisas que as armas de destruição em massa, o que significa que não é mais necessário o transporte de grande quantidade delas) e torna as informações algo estratégico para a supremacia militar. Esta última deixa de ser ligada ao tamanho da população ou mesmo à quantidade de soldados (existe uma tendência no sentido de haver menos militares, só que com maior qualificação) e passa a depender da economia moderna, da tecnologia avançada.

PARA SABER MAIS: Como sugestões de leituras sobre o tema, indicamos os seguintes livros bastante acessíveis (e que contêm no final uma vasta bibliografia):
 Ascenção e queda das grandes potências, de Paul Kennedy (editora Campus, 1989). Um exaustivo estudo sobre as “grandes potências mundiais” desde o século XVI até o final dos anos 1980. Ele procura mostrar como era a ordem mundial em cada período e dá uma ênfase especial à ordem bipolar de 1945 até 1989-91.
– A nova ordem mundial, de José William Vesentini (editora Ática, 1996). Um sucinto texto paradidático sobre as razões da crise da bipolaridade e as características da nova ordem mundial dos anos 1990 e do início do século XXI.
– Novas geopolíticas, de José William Vesentini (editora Contexto, 2000). Uma análise crítica sobre as principais representações geopolíticas sobre o mundo pós-guerra fria: o conflito de civilizações, a universalização da democracia liberal, a nova geoestratégia, o mundo visto como caos ou desordem, etc.
– Nova Ordem, Imperialismo e Geopolítica global, de José William Vesentini (editora Papirus, 2003). Um estudo sobre a pertinência (ou não) das categorias imperialismo e império para a ordem internacional do início do século XXI, com novas reflexões sobre as desigualdades internacionais e sobre a uni-multipolaridade das relações de poder no espaço mundial.

Fonte: http://www.geocritica.com.br/geopolitica03.htm

A Nova Ordem Mundial

          Nos últimos anos, principalmente de 1989 a 1991, o mapa-múndi político sofreu transformações radicais. Novos estados-nações (países) surgiram e outros desapareceram.

          Como exemplo disso, podemos citar a antiga Alemanha Oriental, hoje uma província da Alemanha reunificada. Ou antiga Tchecoslováquia, hoje em dois novos estados-nações: a República Tcheca e a Eslováquia. Contudo, as mudanças mais surpreendentes aconteceram na Iugoslávia e na União Soviética. A Iugoslávia, além de ter sido dividida em cinco novos países(Croácia, Eslovênia, Bósnia, Macedônia e Iugoslávia), conheceu uma sangrenta guerra civil pela partilha da Bósnia-Herzegóvina. A União Soviética, por sua vez, viu-se obrigada a fragmentar-se em 15 nações independentes.

          Do ponto de vista geopolítico, é possível comparar esse período a um outro do nosso século, quando também aconteceram mudanças profundas no mapa-múndi, por ocasião da segunda guerra mundial. Nesses dois momentos ocorreram não apenas mudanças geopolíticas, mas também uma crise de uma ORDEM MUNDIAL e a emergência de uma outra.

          Antes da segunda guerra mundial havia uma ordem multipolar, ou seja, com base em vários pólos ou centros de poder que disputavam a hegemonia internacional: Inglaterra, ex-grande e exclusiva potência mundial no século XIX, em decadência hegemônica; a França e em especial a Alemanha, grandes concorrentes no continente europeu; os EUA, grande potência da América; o Japão, que se lançava numa aventura imperialista no leste e sudeste asiático; e por fim a imensa Rússia, fortemente militarizada. O final da grande guerra trouxe um novo cenário: as potências européias estavam arrasadas e conseqüentemente seus impérios na Ásia e África; o Japão, igualmente arrasado, perdeu as áreas que havia conquistado no extremo oriente(Coréia, Manchúria, partes da Sibéria, etc.). Duas novas potências mundiais – EUA e União Soviética – lotearam o mundo entre si. Foi a época da BIPOLARIDADE, a nova ordem mundial, que durou cerca de 45 anos, desde o final da segunda guerra até meados de 1991.

          O mundo bipolar foi marcado pela eterna disputa entre capitalismo e socialismo, tendo os EUA e a União Soviética de cada lado, respectivamente. Os EUA, líderes político-econômicos do mundo capitalista . A União Soviética, a guardiã e o exemplo a ser seguido no mundo socialista.

          Esse Status que começou a ser mudado com a ascensão do Japão e da Europa Ocidental, que passaram a disputar a supremacia internacional com os EUA, e ao esgotamento do modelo soviético.

A Regionalização do Espaço Mundial

          Existem inúmeras divisões do espaço geográfico mundial, mas podemos separar duas formas de regionalização mais conhecidas e utilizadas. Uma é a setorização da Terra por critérios naturais, em especial pelos continentes. A outra é a divisão do espaço mundial por critérios sociais ou político-econômicos: o Norte(países ricos e industrializados) e o Sul(países pobres ou subdesenvolvidos).

          A primeira classificação tem como base a geologia, ou seja, o resultado de uma divisão natural operada ao longo do tempo geológico, que separou os continentes.

          A segunda forma de classificar toma como referência a sociedade. É uma divisão do espaço com base em elementos político-econômicos. O homem aqui é visto como agente principal, transformando o seu meio natural.

          De forma simplificada, podemos afirmar que aqueles estudos que têm na Terra(natureza) o seu referencial, fazem parte da chamada geografia tradicional.

          Por outro lado, também simplificando um pouco, podemos dizer que aqueles estudos que referenciam-se na sociedade, enquadram-se na chamadageografia crítica. Trata-se de uma geografia que entende o espaço geográfico como produto da atividade humana.

Dos Três Mundos à Oposição Norte/Sul

          A regionalização do espaço mundial com base em critérios sociais sempre está ligada ordem internacional que prevalece num certo momento, ao equilíbrio instável dos países e os grupos de países, à disputa (ou cooperação) entre as grandes potências mundiais. Após 1945 o mundo dividiu-se em três “mundos” ou conjuntos de países: o primeiro mundo(países capitalistas desenvolvidos); o segundo mundo (países socialistas ou de economia planificada); e o terceiro mundo (áreas periféricas ou subdesenvolvidas, com freqüência marcadas por disputas entre capitalismo e socialismo).

          Para entendermos a regionalização atual, dos anos 90 e início do século XXI, temos que estudar a crise do segundo mundo e como essa crise vem reforçando a oposição entre o Norte e o Sul.

Os Sistemas Sócio-Econômicos

          Capitalismo e socialismo são dois tipos de sistemas bastante diferentes entre si. Podemos dizer que o capitalismo caracteriza-se por apresentar umaeconomia de mercado e uma sociedade de classes. O socialismo, por sua vez, basicamente constitui-se por uma economia planificada e uma sociedadeteoricamente sem classes.

          A sociedade capitalista é dividida basicamente em duas classes sociais: a burguesia, composta pelos capitalistas, donos dos meios de produção(fábricas, bancos, fazendas, etc.), e o proletariado(urbano e rural), que vive de salários, trabalhando para os donos do capital. No entanto, existem indivíduos que não se enquadram em nenhuma destas classes, como por exemplo os profissionais liberais (advogados com escritório próprio, médicos c/consultório particular, etc.).

          Na economia planificada, o elemento principal do funcionamento do sistema econômico (produção, consumo, investimentos, etc.) é o plano e não o mercado. Nesse sistema os meios de produção são públicos ou estatais, quase não existindo empresas privadas.

   Teoricamente, não deveria haver estratificação social nesse sistema, mas o que se verificou na prática foi o surgimento de uma elite burocrática que dirigia o sistema produtivo, constituindo-se em nova classe dominante.

O Reforço das disparidades entre o Norte e o Sul

          Com a crise do mundo socialista, aumenta a oposição entre o Norte e o Sul. Isso, porque deixa de haver o conflito LESTE/OESTE, ou seja, entre osocialismo real o capitalismo.

          As duas superpotências das últimas décadas tinham um poderio avassalador e nenhum conflito importante no plano mundial deixava de ter a participação direta ou indireta delas.

          Nessa época, a oposição entre o Norte rico e o Sul pobre nunca transparecia claramente, porque estava sempre abafada pelo conflito LESTE/OESTE.

          O segundo mundo chegou a abranger cerca de 32% da população mundial no início dos anos 80, mas hoje ele praticamente não existe mais. Assim, colocando-se os antigos países socialistas mais pobres ou menos industrializados (China, Mongólia, Camboja, Vietnã, Cuba, etc.) no Sul subdesenvolvido, e os mais industrializados (Rússia, Hungria, Polônia, República Tcheca, etc.) no Norte, temos a oposição entre o Norte desenvolvido, com 23% da população mundial, e o Sul com 71% desse total demográfico. Esta é a principal oposição mundial dos anos 90.

As Disparidades tendem a aumentar

          A oposição entre o Norte e o Sul tem ainda um outro motivo para se acentuar: as desigualdades internacionais, que vêm aumentando desde os anos 80 e devem se agravar ainda mais até o início do século XX. O PNB dos ricos sempre tem aumentado, enquanto os de grande parte dos países pobres tem diminuído, especialmente na África. De forma resumida, podemos dizer que isso se deve ao seguinte: enquanto as economias mais avançadas estão atravessando a chamada Revolução técnico-científica, com substituição de força de trabalho desqualificada por máquinas, com a expansão da informática, etc., os países mais pobres só têm duas coisas a oferecer – matérias-primas e mão de obra barata -, e esses elementos perdem valor a cada dia. Somente os países com uma força de trabalho qualificada (resultado de um ótimo sistema educacional) e tecnologia avançada é que possuem condições ideais para o desenvolvimento..

O Subdesenvolvimento

          De forma sucinta, podemos definir o subdesenvolvimento como uma situação econômico-social caracterizada por dependência econômica e grandesdesigualdades sociais.

Subordinação ou dependência econômica

          Todos os países do Sul ou do terceiro mundo são economicamente dependentes dos países desenvolvidos. Tal dependência manifesta-se de três maneiras:

I. Endividamento externo – normalmente, todos os países subdesenvolvidos possuem vultosas dívidas para com grandes empresas financeiras internacionais.

II. Relações comerciais desfavoráveis – geralmente, os países subdesenvolvidos exportam produtos primários (não industrializados), como gêneros agrícolas e minérios. As importações, por sua vez, consistem basicamente de produtos manufaturados, material bélico e produtos de tecnologia avançada (aviões, computadores, etc.). Esta relação comercial revela-se terrivelmente desvantajosa , pois os artigos importados têm valor agregado bem maior do que os exportados, e ainda se valorizam mais rapidamente.

III. Forte influência de empresas estrangeiras – nos países subdesenvolvidos, boa parte das principais empresas industriais, comerciais, mineradoras e às vezes até agrícolas é de propriedade estrangeira, possuindo a matriz nos países desenvolvidos. São as chamadas multinacionais. Uma grande parcela dos lucros dessas empresas é remetida para suas matrizes, o que provoca descapitalização no terceiro mundo.

Grandes Desigualdades Sociais

          Em todos os países subdesenvolvidos, a diferença entre ricos e pobres é muito mais acentuada do que nos países desenvolvidos. Por exemplo, na Colômbia, 2,6% da população possui 40% da renda nacional; no Chile, 2% dos proprietários possuem 50% das terras agrícolas. Dessa forma, a população de baixa renda acaba sofrendo de sérios problemas de subnutrição, falta de moradias, atendimento médico-hospitalar inadequado, insuficiência de escolas, etc.

Como Definir a Nova Ordem?

          A nova ordem costuma ser definida como multipolar. Isso quer dizer que existem vários pólos ou centros de poder no plano mundial. Hoje temos três grandes potências mundiais de poderio econômico, tecnológico e político-diplomático: EUAJapão e a União Européia.

          Assim, o século XX começou com uma ordem multipolar, passou para a bipolaridade e termina com uma nova multipolaridade. Que diferenças existem entre a multipolaridade deste fim de século e aquela do início?

          A primeira grande diferença é que no início do século havia somente um agente no cenário internacional: o Estado Nacional (como, por exemplo, Inglaterra, Alemanha, etc.) e tudo girava ao redor de suas relações econômicas e político-militares. Já nos dias hodiernos há um relativo enfraquecimento do estado-nação e um fortalecimento de outros agentes internacionais – a ONU, em primeiro lugar, e também as empresas multinacionais e as diversas organizações mundiais (governamentais e não-governamentais) que atuam nas áreas ambiental, econômica, cultural, técnica, etc.

          Em segundo lugar, no início do século vivia-se uma situação de pré-guerra: as rivalidades entre potências conduziam inevitavelmente a conflitos bélicos entre si, o que ocorreu efetivamente de 1914 a 1918 e novamente de 1939 a 1945. Hoje isso é extremamente improvável de acontecer, pois no lugar de uma disputa acirrada pela hegemonia mundial, existe uma crescente cooperação , uma interdependência, inclusive com a criação de mercados regionaisou blocos econômicos. Dessa forma, as três grandes potências são ao mesmo tempo rivais e associados, possuem alguns interesses conflitantes e inúmeros outros em comum.

          A ordem mundial era tida como dicotômica ou dualista, ou seja, predominava a oposição entre o bem e o mal, entre o capitalismo e o socialismo. A nova ordem é pluralista, ou seja, possui várias frentes de oposição, como RICOS/POBRES; CRISTÃOS/MUÇULMANOS(ISLÂMICOS); INTERESSES MERCANTIS/CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA, etc.


Fonte: http://www.geomundo.com.br/geografia-30130.htm

Nova Ordem Mundial

Por Emerson Santiago
O termo Nova Ordem Mundial  tem sido empregado em vários momentos da história para indicar um rompimento radical na forma e conteúdo como estão organizadas as relações internacionais entre as nações, com destaque para o equilíbrio de poder entre as potências mundiais no momento, ou seja, a paz e a coordenação entre os países mais desenvolvidos militar e economicamente, exercendo em conjunto diretrizes que estabelecerão o caminho seguido pelas outras sociedades menos desenvolvidas.A nova ordem mundial existente em nossos dias (pois, como já foi dito, houveram outras “novas ordens mundiais” anteriores) caracteriza-se pela unipolaridade, o controle dos destinos do mundo por uma única superpotência, sobrevivente da Guerra Fria, os Estados Unidos, sendo este apoiado por potências menores porém ainda influentes (Europa e Japão).

Acredita-se que o fenômeno da globalização e da nova prdem mundial são intercomunicáveis, cada um resultando em causa e consequência do outro, pois estaria se configurando um domínio do império norte-amnericano sobre a economia de mercado ajudado pelo fenômeno chamado de “balcanização”, que consiste na fragmentação de vários antigos estados soberanos onde predominava a convivência de várias etnias e culturas diferentes. Tal fenômeno ajudaria na manutenção do predomínio econômico e político norte-americano, pois a soberania dos outros estados estariam sendo cada vez mais limitadas, condicionadas, enfim, inibidas. Com isso, assume-se que nesta nova ordem mundial, o estado nacional como conhecíamos até algumas décadas atrás entra definitivamente em decadência, resultando com isso que boa parte da população mundial retroceda a uma convivência com protetorados de fato, países fracos, sem representatividade, sustentados apenas pela ideia de unidade étnica e cultural.

Há também que se destacar não só a decadência da grande maioria dos estados nacionais mas também das organizações internacionais, (que são, junto aos estados, o outro sujeito de direito internacional). Tal afirmativa ficou evidente na decisão unilateral dos EUA em invadir o Iraque, sem considerar antes o parecer da Organização das Nações Unidas, literalmente passando por cima desta organização que deveria primar pelo equilíbrio e respeito à soberania de todos os seus membros, e além disso, primordialmente, preservar a paz e encontrar soluções pacíficas como resolução de todo e qualquer conflito.

Mas, a pior face da nova ordem liga-se mesmo à falência do estado nacional, que, sob um manto de respeito à cidadania e aos direitos fundamentais do cidadão, cada vez mais torna a política interna dos países inócua, afastando o povo dos assuntos políticos (basta ver no mundo todo a abstenção cada vez maior em eleições nacionais, na maioria das democracias). Assim, uma ditadura de discurso inócuo, liberal domina os países democráticos, e os submetem à política de livre economia de mercado orientada aos interesses da superpotência remanescente, os Estados Unidos. Os interesses das nações em si são assim preteridos, e o desemprego e o fim da livre iniciativa no campo econômico atingem patamares assustadores. O cidadão contemporâneo cada vez mais é pressionado pelo mercado e vem perdendo no mundo atual seus direitos a educação, saúde, emprego, saneamento básico, enfim, serviços públicos de qualidade, para poder desfrutar dos mesmos só quando os pode pagar devidamente.

Fonte: http://www.infoescola.com/historia/nova-ordem-mundial/


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