ESPECIAL CONFLITOS NO ORIENTE MÉDIO – 4ª PARTE – 5 matérias e 2 vídeos sobre a Invasão do Iraque em 2003

A Guerra do Iraque 2003

A Invsão do Iraque em 2003,(de 20 de Março a 1 de Maio de 2003) foi liderada pelos Estados Unidos, conjuntamente com o Reino Unido e pequenos contigentes da Austrália, Dinamarca, Polónia e Espanha.

Quatro países participaram com tropas durante a fase inicial da invasão, que decorreu de 20 de Março a 1 de Maio. Os Estados Unidos tinham no teatro de operações (248,000)tropas, Reino Unido(45,000),Austrália(2,000), e a Polónia(194). 36 outros países foram envolvidos após a primeira fase. A invasão marcou o inicio da actual da Guerra do Iraque. Na preparação para a invasão, 100,000 tropas norte-americanas foram colocadas em 18 de Fevereiro no Kuwait. Os Esstados Unidos forneceram a grande parte das forças invasoras, mas também recebiam apoio pelos rebeldes kurdos do Kurdistão Iraquiano.

De acordo com o então Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush e o Primeiro Ministro do Reino Unido, Tony Blair, as razões para a invasão eram “desarmar o Iraque de armas de destruição em massa, acabar com o apoio de Saddam Hussein ao terrorismo, e libertar o povo iraquiano.”

De acordo com Blair, o Iraque tinha falhado a “oportunidade final” para se desarmar de armas nucleares, químicas, e biológicas. Embora algumas destas armas de produção anterior a 1991 terem sido encontrado após o final da guerra, o governo americano confirmou que não foram essas armas que levaram os Estados Unidos para a guerra. Em 2005, a CIA realizou um relatório no qual dizia que não foram encontradas armas de destruição em massa no Iraque.

Em Janeiro de 2003 uma sondagem da CBS mostrava que 64% dos americanos tinham aprovado a acção militar contra o Iraque, contudo 63% preferia que o Presidente Bush tivesse encontrado uma solução diplomática em vez da guerra, e 62% acreditavam  que a ameaça do terrorismo directamente contra os Estados Unidos podia aumentar como consequência da guerra. A invasão do Iraque teve a oposição forte de alguns aliados tradicionais dos Estados Unidos, incluíndo os governos da França, Alemanha, Nova Zelândia, e Canadá. Os seus líderes argumentaram que não existiam provas sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque e que invandindo o país não era justificado no contexto do relatório da UNMOVIC de 12 de Fevereiro de 2003. Em 15 de Fevereiro de 2003, um mês antes da invasão, ocorreram por todo o mundo protestos contra a guerra no Iraque, incluíndo três milhões de pessoas em Roma, facto que ficou registado no Guinness Book of Records como a maior manifestação anti-guerra de sempre. De acordo com o Académico francês Dominique Reynié, entre 3 de Janeiro de 12 de Abril de 2003, 36 milhões de pessoas em todo o globo participaram nos mais de 3,000 protestos contra a Guerra do Iraque.

A Invasão foi precedida por um ataque aéreo ao Palácio Presidencial de Saddam Hussein em 19 de Março de 2003. No dia seguinte as forças da coligação lançaram uma incursão na Província de Bassorá a partir de um ponto na fronteira  entre o Iraque e o Kuwait. Comandos lançaram assaltos anfíbios a partir do Golfo Pérsico para segurar Bassorá e cercar os campos de petróleo, o braço principal da invasão moveu-se para o Sul do Iraque, ocupando a região e entrando em batalha em Nasiriya em 23 de Março. Os ataques aéreos aconteciam por todo o país contra os centros de comando e de controlo do exército iraquiano para prevenir uma resistência efectiva. Em 26 de Março a 173rd Airborne Brigade foi lançada perto do norte da cidade de Kirkuk onde juntaram forças com os rebeldes kurdos para combaterem em muitas acções contra o exército iraquiano para conquistar o norte do país.

A força principal da coligação continuava o seu caminho pelo coração do Iraque encontrando pouca resistência. A maior parte da máquina de guerra iraquiana era derrotada fácilmente, Baghdad foi ocupada em 9 de Abril. Outras operações tiveram lugar contra focos de resistência do exército iraquiano incluíndo a captura e ocupação de Kikurk em 10 de Abril e o ataque e captura de Tikrit em 15 de Abril . O Presidente iraquiano Saddam Hussein e grande parte da sua equipa escondeu-se, as forças da coligação completaram a ocupação do país. A 1 de Maio foi declarado o fim das maiores operações de combate , acabando o período de invasão iniciou-se o período da ocupação militar.

Fonte: http://www.enciclopedia.com.pt/articles.php?article_id=1362

Invasão do Iraque completa cinco anos em meio a dúvidas sobre avanços

Ação dos EUA deixou entre 90 mil e 1 milhão de civis iraquianos mortos. Iraquianos enfrentam o caos, mas se livraram do ditador Saddam Hussein.

Cinco anos depois de as forças norte-americanas e britânicas terem invadido o Iraque e derrubado do poder Saddam Hussein, muitos iraquianos se perguntam se valeu a pena enfrentar tanta violência e caos responsáveis por virar de cabeça para baixo suas vidas.

O custo humano da empreitada iniciada em 20 de março de 2003 é assustador – algo entre 90 mil e 1 milhão de civis iraquianos foram mortos, segundo várias estimativas; quase 4.000 soldados dos EUA perderam suas vidas; e 4 milhões de iraquianos fugiram de suas casas.

Pelo lado positivo, o país livrou-se de um dos ditadores mais cruéis do século XX. E atualmente os iraquianos realizam eleições livres e possuem uma nova Constituição.

Para os moradores do país, decidir sobre se a invasão valeu ou não o sacrifício depende parcialmente da vertente religiosa ou da etnia a que pertencem e do local onde moram.
Saddam, um sunita, perseguiu os xiitas, majoritários no Iraque, e os curdos. Os xiitas hoje controlam o país ao passo que os sunitas, antes no poder, passaram à margem.

Capital

Em Bagdá, epicentro de uma guerra sectária em 2006 e 2007 que quase dividiu o Iraque, os moradores anseiam pela segurança com que contavam na era Saddam. Já no sul xiita, os habitantes não precisam mais temer os carrascos do ditador, mas facções xiitas rivais começaram a entrar em conflito.

No norte, a economia em grande parte autônoma do Curdistão expande-se. Os curdos chamam a região de “o outro Iraque”.

Segundo o ministro iraquiano das Relações Exteriores, Hoshiyar Zebari, que é curdo, o Iraque caminha na direção certa. Os convencidos de que a invasão foi um erro deveriam lembrar-se das atrocidades de Saddam, afirmou.

Zebari disse que uma prova do apoio da maioria dos iraquianos à deposição de Saddam havia sido a participação deles nas eleições de 2005.

Paciência

“A brutalidade do regime de Saddam deformou a sociedade de tantas formas que temos de ser pacientes”, afirmou o chanceler em uma entrevista concedida à agência de notícias Reuters.

“Comparada com a experiência de outros países, acho que nos saímos bastante bem. Mas, é verdade, esse tem sido um processo profundamente custoso.”

Um Khalid, 40, cabeleireira em Bagdá, disse que a violência chegou a ser tão aleatória que todos acreditaram na possibilidade de tornar-se a próxima vítima.

“Não, não, não. O que aconteceu não valeu a pena. Os que dizem que a situação melhorou estão mentindo”, afirmou.

Invasão

Muitos iraquianos lembram-se vivamente dos meses de caos que se seguiram à invasão, iniciada na madrugada de 20 de março de 2003 [hora de Bagdá] e cujo símbolo maior foi a derrubada da estátua de Saddam na região central da capital.

A euforia dos iraquianos, alimentada pelas novas liberdades e pela esperança de que os EUA transformassem o país em mais uma rica nação do golfo Pérsico, perdeu fôlego quando os sunitas investiram contra os novos governantes e carros-bomba transformaram os mercados e as mesquitas do Iraque em campos da morte.

Guerra civil

Em fevereiro de 2006, supostos militantes da al-Qaeda explodiram uma mesquita xiita importante da cidade de Samarra, provocando uma onda de violência sectária em meio à qual ser um sunita ou um xiita no bairro errado poderia significar uma pena de morte.

“Antes de 2003, vivíamos sob um regime duro, ninguém pode negar isso”, afirmou Abu Wasan, 55, ex-brigadeiro-general do Exército e membro do Partido Baath, de Saddam, uma legenda extinta com a invasão.

“Mas, pelo menos, nunca ouvimos falar sobre corpos sendo jogados no lixo só porque a pessoa tinha um nome xiita ou sunita.”

O pior da carnificina sectária encerrou-se, ao menos por enquanto. Um ano atrás, a polícia costumava achar até 50 corpos ao dia nas ruas de Bagdá. Esse número caiu para menos de dez, e isso por causa do envio, pelos EUA, de um contingente adicional de soldados e por causa dos acordos de cessar-fogo selados pelos militantes xiitas e sunitas.

De outro lado, em muitas áreas de Bagdá, as operações de limpeza étnica já não teriam mais nada para fazer.

As cifras mais recentes, fornecidas pelo renomado grupo de defesa dos direitos humanos Iraq Body Count, afirmam que 89 mil civis foram mortos no país desde 2003. Uma pesquisa realizada por um dos maiores grupos de pesquisa da Grã-Bretanha, no entanto, calcula o número de mortos em algo próximo do 1 milhão.

O número de baixas sofridas pelas Forças Armadas dos EUA se aproxima rapidamente de 4.000.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL350079-5602,00.html

Invasão americana ao Iraque

No ano de 2003, os Estados Unidos realizaram uma ocupação ao território iraquiano sob a alegação de que o presidente Saddam Hussein mantinha um arsenal de armas químicas que ameaçavam a paz mundial. Mesmo não provando a existência do arsenal bélico iraquiano, o governo norte-americano conseguiu promover o julgamento e a posterior condenação do ditador Saddam Hussein.

O novo governo empossado ainda não conseguiu legitimar-se e seu poder se mantém com o auxílio direto de tropas militares internacionais que chegam a um contingente de 150 mil soldados estrangeiros. Ao invés de afugentar os grupos radicais do cenário político iraquiano, a intervenção dos EUA incentivou o crescimento dos grupos fundamentalistas islâmicos do Oriente Médio.

De acordo com alguns analistas, o governo norte-americano tinha outras intenções com o processo de ocupação. Segundo estes, vários acordos financeiros foram criados para que os Estados Unidos garantissem a posse sob as reservas de petróleo daquele país. Passados mais de cinco anos da invasão, o Iraque ainda sofre com um grande problema de infra-estrutura que, depois da guerra, se tornou ainda mais grave.

A população civil parece viver uma situação ainda mais complicada. Depois da invasão, os vários atentados contra civis colocam o país sob ameaça terrorista. Algumas estimativas dizem que a presença norte-americana já foi responsável por mais de 40 mil mortes. Ainda assim, os Estados Unidos comemoraram a prisão de alguns importantes lideres de organizações terroristas escondidas no Iraque.

Nos Estados Unidos e em outros países algumas manifestações se colocam contra a presença norte-americana no Oriente. Várias nações aliadas aos EUA já fizeram a retirada de suas forças dos territórios iraquianos. Enquanto isso, os conflitos se estendem e as incertezas distanciam a autonomia política das instituições e da população iraquiana sob seu país.

Fonte: http://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/invasao-americana-no-iraque.htm

Pentágono admite que não existiam laços entre Saddam e al-Qaeda

A suposta ligação foi o argumento usado por George W. Bush para invadir o Iraque. Os militares limitaram a distribuição do estudo, disponível apenas por encomenda.

Um amplo estudo do Pentágono, publicado com extrema discrição, confirmou a inexistência de vínculos diretos entre o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e a rede al-Qaeda, pretexto que foi utilizado pelo presidente George W. Bush para justificar a invasão ao Iraque.

Os militares americanos limitaram a distribuição desse estudo, disponível apenas por encomenda e enviado pelo correio, ao invés de divulgá-lo na internet.

Cinco anos depois do início da guerra no Iraque, o relatório, baseado na análise de 600 mil documentos oficiais iraquianos e milhares de horas de interrogatórios de ex-colaboradores do ex-governante iraquiano, “não encontrou qualquer conexão direta no Iraque entre Saddam e al-Qaeda.”

Outros informes, dirigidos pela comissão investigadora dos ataques de 11 de setembro de 2001 ou pelos serviços do inspetor-geral do Pentágono em 2007, haviam chegado à mesma conclusão, mas nenhum dos estudos anteriores havia tido acesso a tantas informações.

Segundo um resumo do novo estudo do Pentágono, que pode ser lido num link no site do canal ABC, Saddam Hussein apoiava grupos terroristas e o terrorismo de estado havia se tornado uma rotina útil para manter seu poder, mas “os alvos privilegiados deste terror de Estado eram os cidadãos iraquianos.”


Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL349504-5602,00-PENTAGONO+ADMITE+QUE+NAO+EXISTIAM+LACOS+ENTRE+SADDAM+E+ALQAEDA.html

INVASÃO DO IRAQUE: UMA SUCESSÃO DE ERROS

A vergonha de confessar o primeiro erro leva a cometer muitos outros. (Jean de la Fontaine)

A constante adoção de medidas equivocadas em relação à questão iraquiana, por parte do governo norte-americano, está levando o desespero ao mundo inteiro. O ataque ao prédio da ONU em Bagdá, com a perda de várias vidas, dentre as quais a do brasileiro Sergio Vieira de Mello, é um exemplo disso.

Por Tatyana Scheila Friedrich
Consultor Jurídico

A iniciar pela falsa justificativa para o início da guerra, quando se insistiu no argumento da existência e produção de armas de destruição em massa pelo governo de Saddam Hussein, as quais não foram em momento algum encontradas. Também não foram provadas as alegadas relações do ditador com a Al Qaeda e o terrorista Osama Bin Laden.

A condução dos ataques ao Iraque também demonstrou uma série de equívocos pois não houve preocupação com a observância das regras do direito humanitário, que proíbem ataques à população e prédios civis, determinam o respeito aos prisioneiros e feridos e exigem a preservação da história e cultura do país inimigo.

No período imediatamente pós-guerra, os iraquianos esperavam uma rápida retirada das tropas da coalizão que, a cada dia, demonstraram-se inaptas e ineficazes para restauração da normalidade. O caos tomou conta do Iraque e o transformou na terra sem autoridade, sem lei, sem ordem.

Diante de tantas agressões sofridas, a reação dos iraquianos tornou-se inevitável. A população se revoltou, grupos de ex-aliados de Saddam foram formados, milícias e tendências religiosas que já existiam se reorganizaram. Guerrilheiros e terroristas de outras partes do mundo se sentiram atraídos para a região. Formou-se uma ampla frente de resistência.

Inicialmente os alvos foram os soldados norte-americanos, que sofreram mais perdas no período pós-guerra do que durante os conflitos. Passou-se então a atacar alvos locais como oleoduto e central de distribuição de água, em relações aos quais os EUA tinham grande interesse econômico e comercial. Em seguida, o foco passou a ser localidades diplomáticas como a Cruz Vermelha, que pouco pôde fazer pelos milhares de iraquianos feridos durante a invasão; a sede da embaixada da Jordânia, país da região que não tomou posição em defesa do Iraque; e agora o hotel Al-Qanal em Bagdá, onde funcionava a sede da ONU.

A ONU, apesar de ter resistido e não ter aprovado a resolução do Conselho de Segurança que daria respaldo legal à invasão, não foi capaz de evitá-la, contribuindo ainda mais para seu descrédito perante a população iraquiana que, mesmo antes da invasão, já a entendia como a responsável pelo desarmamento do Iraque e pela pobreza ali instaurada – em decorrência do embargo econômico por ela imposto.

O mundo inteiro hoje é concebido pela população iraquiana como um grande inimigo. O que realmente foi feito para evitar a guerra? Quais as iniciativas pacíficas que foram efetivamente tomadas pela comunidade internacional para retirar Saddam Hussein e se iniciar um governo democrático no Iraque? De que adiantou, para a população iraquiana que sofreu os ataques, tanta manifestação e comoção pela paz em diversos países do mundo, no início de 2003?

A opção pela guerra foi o erro inicial. O primeiro de muitos que sucederam. O presidente Bush não levou em consideração o ensinamento de um dos seus antecessores na Casa Branca, J. F. Kennedy, que alertava: “aqueles que tornam impossível uma revolução pacífica tornam inevitável uma revolução violenta.” O Iraque realmente precisava de uma grande revolução, capaz de torná-lo um Estado Democrático de Direito, com governo pluralista, pautado pelos direitos fundamentais da pessoa humana. Mas tal revolução deveria ter sido pacífica, para agora não termos que conviver com essa reação violenta, sanguinária, que até o Brasil já atingiu.


Fonte: http://www.relatorioalfa.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=208


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