Quanto custa a moeda

Entenda a variação do câmbio e suas consequências

A Índia é um dos países que utilizam o câmbio fixo, ou seja, a taxa de câmbio é definida pelas autoridades monetárias nacionais

A Índia é um dos países que utilizam o câmbio fixo, ou seja, a taxa de câmbio é definida pelas autoridades monetárias nacionais

O câmbio é a relação do valor da moeda de um país em comparação com o valor da moeda de outro. Sua variação está presente no dia a dia de consumidores de todo o mundo, interferindo no preço de produtos. A moeda é como uma mercadoria qualquer, explica Fabrício Gandra, especialista em mercado de BM&F Bovespa, da MBK Vermont Investimentos. “Sua volatilidade acontece de acordo com a oferta e a demanda, a longo e médio prazos”, diz.

Em se tratando de comércio internacional, o câmbio é uma das variáveis mais importantes da macroeconomia.

Quando o valor de uma moeda aumenta em comparação a outra – por exemplo, o dólar fica mais barato em relação ao Real –, costuma-se dizer que “o dólar caiu” ou que “o Real subiu”, como explica o professor de economia Olavo Gomes. “Neste caso, recorrente nos dias atuais, houve a depreciação do dólar e a apreciação do real.”

A moeda é um ativo financeiro usado como meio de troca no comércio mundial

A moeda é um ativo financeiro usado como meio de troca no comércio mundial

 Consequências

É normal que a valorização cambial torne as importações mais baratas no país em que a moeda está em alta. “É só observar o que vivemos hoje no Brasil. São necessários menos Reais para adquirir os dólares para comprar produtos estrangeiros. Assim, a demanda por produtos importados aumenta”, diz Gomes. Por outro lado, com a moeda forte, as exportações ficam mais caras. “Os importadores precisarão de mais dólares para adquirir produtos brasileiros. Quando isso acontece, normalmente procuram outros países fornecedores. Há, então, uma perda de competitividade nas exportações”, esclarece.

Quando o país passa a importar mais do que exporta, cria-se um déficit comercial na economia nacional. Porém, o professor conta que, em um regime de taxas de câmbio flutuante, a tendência é que haja um equilíbrio quase automático. “Com a valorização do real, as importações aumentam e as exportações diminuem. Com o crescimento das importações, a demanda por dólares aumenta. Ao mesmo tempo, a diminuição das exportações reduz a oferta de dólares no mercado. Isso aumenta a cotação do dólar, reduzindo a demanda por produtos importados. O inverso também acontece quando há a desvalorização da moeda. O ciclo da economia conduz ao equilíbrio”, explica.

Assim como acontece com qualquer produto, a volatilidade da moeda surge de acordo com oferta e demanda

Assim como acontece com qualquer produto, a volatilidade da moeda surge de acordo com oferta e demanda

Câmbio fixo e flutuante

Praticamente todas as grandes economias utilizam a política do câmbio flutuante – em que o valor é determinado no mercado por meio do movimento de oferta e demanda por ativos em moeda estrangeira.

Porém, alguns países como China, Índia e Vietnã utilizam o câmbio fixo. Neste regime, a taxa de câmbio é definida pelas autoridades monetárias nacionais, que decide o valor mais adequado para seus objetivos de política econômica.

O Brasil, hoje, trabalha com o câmbio flutuante, mas, não foi sempre assim. Quando o Plano Real foi implantado em 1994, vigorou no País a taxa de câmbio fixa. “Isso aconteceu porque era necessário ter uma referência junto à moeda. Mas, o câmbio fixo não dá resultados, foi uma medida de extrema necessidade, apenas temporária”, explica Gandra. Segundo ele, o câmbio flutuante mostra o real valor da moeda. “É mais justo”, opina.

Márcio Cardoso, diretor da Título Corretora, afirma que o câmbio flutuante é muito mais interessante para as grandes economias atuais. “Os países têm mercados muito grandes, com muitas ofertas de produtos. A globalização permite uma flutuação muito maior”, diz.

Quando o euro surgiu, pensou-se que a moeda iria para substituir o dólar no comércio mundial

Quando o euro surgiu, pensou-se que a moeda iria para substituir o dólar no comércio mundial

Emergentes
O dólar é a moeda usada como referência quando o assunto é câmbio. Porém, há a possibilidade de mudança nesse cenário. Com o enfraquecimento da economia americana, é provável que moedas de países como China, Índia e Brasil apareçam mais no mercado. “No período de 2009 a 2011, o dólar estava com queda bem definida, caiu 8,65 pontos. O foco da crise era nos Estados Unidos, então, o capital estrangeiro começou a procurar moedas emergentes”, diz Gandra.

Segundo ele, o Brasil ainda tem uma economia muito crua. Contudo, sua estrutura política e econômica permite um crescimento cada vez maior, atraindo investidores externos. “Hoje, é muito mais fácil o Brasil crescer 10% ao ano do que os EUA crescerem 2%, porque eles já atingiram o limite de suas possibilidades”, afirma.

A economia é cíclica. Porém, apesar do peso de outras moedas, é muito difícil haver uma substituição do dólar, pelo menos em um futuro próximo. “Há sempre essa discussão. Pensou-se, inclusive, que o euro seria o substituto do dólar. Mas a moeda, para ser usada como referência mundial, não depende apenas do câmbio, de estar valorizada ou não. É uma questão cultural, precisa ser aceita nos diversos países e não se faz isso de um dia para o outro. O dólar tem um histórico recente de desvalorização, mas ainda há confiança na moeda. Continua sendo o meio de negociação mais simples e é provável que seja assim por um longo futuro”, finaliza.

Fonte: http://operacoescambiais.terra.com.br/noticias/pessoa-fisica-3/quanto-custa-a-moeda-205

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