ESPECIAL DIVISÃO DO PARÁ – seis matérias e um vídeo sobre a polêmica divisão do Estado do Pará em três novas unidades da federação

Plebiscito para divisão do Pará deve ter a participação de toda a população do estado, decide STF

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (24) que toda a população de um estado tem que ser consultada em plebiscito sobre a divisão de seu território e não apenas os cidadãos que vivem na área a ser desmembrada. A decisão da Corte foi por unanimidade.

A ação julgada foi proposta em 2002 pela Assembleia Legislativa de Goiás, mas a decisão afeta diretamente o plebiscito que decidirá sobre a divisão do Pará para criação dos estados do Tapajós e de Carajás.

O relator da ação, ministro José Dias Toffoli, argumentou que a população das áreas remanescentes do estado a ser dividido também precisa ser ouvida em respeito à soberania e cidadania. “Não posso desprezar parte dessas populações. O desmembramento de um estado da Federação afeta uma multiplicidade de interesses que não podem ser exclusivamente atribuídos à população da área que se vai desmembrar”.

O ministro Carlos Ayres Britto lembrou que a divisão de um estado afeta também a população da parte remanescente, o que legitima o direito de participação dessa parcela no plebiscito. “Como um estado, sem ser ouvido por toda sua população, vai se privar, se desfalcar de parte de sua população? O plebiscito é consulta eleitoral, é modalidade de democracia direta, participativa. A vitalidade do processo plebiscitário será maior quanto mais alargada for a consulta”, defendeu.

No caso do Pará, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia definido que toda a população do estado participará do plebiscito. No dia 11 de dezembro, os paraenses vão às urnas para decidir sobre a divisão do estado. Os eleitores responderão a duas perguntas: “Você é a favor da divisão do estado do Pará para a criação do estado do Tapajós?” e “Você é a favor da divisão do estado do Pará para a criação do estado de Carajás?”.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-08-24/plebiscito-para-divisao-do-para-deve-ter-participacao-de-toda-populacao-do-estado-decide-stf

Campanha para plebiscito sobre divisão do PA tem 5 frentes

Começou nesta terça-feira no Pará a campanha oficial para o plebiscito sobre a proposta de divisão do Estado. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram registradas cinco frentes que serão responsáveis pela propaganda na TV e no rádio, que começará em 11 de novembro e vai até o dia 9 de dezembro. As informações são da Agência Câmara.

No dia 11 de dezembro, os eleitores paraenses irão às urnas decidir se aprovam a criação dos Estados de Carajás e Tapajós. Pela proposta, o Tapajós ficará com toda a área do oeste paraense, enquanto Carajás será formado com o atual sudeste do Pará. De acordo com cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os custos anuais de manutenção dos dois Estados ficarão em torno de R$ 5 bilhões.

O deputado Giovanni Queiroz, (PDT-PA) defende a divisão. Segundo ele, já existe o precedente favorável da divisão de Goiás que deu origem ao atual Estado de Tocantins. “O que queremos é aquilo que já ocorreu em outros momentos. Quando criaram o Tocantins ou há 33 anos quando Mato Grosso e Mato Grosso do Sul foram separados se implantou aí um laboratório e posso dizer que todos eles tiveram um crescimento extraordinário”, afirma.

Queiroz também questiona a viabilidade administrativa de um Estado com as dimensões do Pará. “O Pará tem hoje 1.248.000 km². Como pode funcionar um governador lá na ponta norte estendendo seu braço de Estado para atender nós do sul do Pará que ficamos às vezes a 1.200 km de distância. Não tem bom governante que dê conta”, afirmou.

Já para o deputado Arnaldo Jordy, (PPS-PA), os problemas do Pará não serão resolvidos com a divisão. Segundo ele, os problemas do Estado são na verdade regionais. “Eles são causados pela deformação do pacto federativo. A Amazônia e o Pará são vítimas de um modelo concentrador de renda”, disse.

Na opinião do parlamentar, mesmo hospedando boa parte da biodiversidade do planeta e produzindo quantidades cada vez maiores da energia nacional, os paraenses são muito pouco beneficiados pelas suas riquezas. “O Pará é almoxarifado do desenvolvimento alheio.”

Fonte: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5347096-EI7896,00-Campanha+para+plebiscito+sobre+divisao+do+PA+tem+frentes.html

Divisão do Pará pode criar mais de 60 cargos políticos

Cada unidade deve ter três senadores e, no mínimo, oito deputados federais e 24 estaduais

Amanda Polato, do R7
O Brasil pode ganhar dois novos Estados em breve, o Tapajós e o Carajás. Neste mês, o Congresso aprovou a realização de plebiscitos para que a população decida se quer ou não desmembrar o Pará em três unidades.Caso os Estados sejam criados, o país vai precisar mexer nas cadeiras da Câmara e Senado e, com isso, mudar as forças de cada região no Legislativo. No mínimo, será preciso criar 61 novas vagas nas esferas federal e estadual.Uma lei complementar de 1993 diz que a Câmara pode ter, no máximo, 513 deputados. A quantidade de vagas por Estado é definida considerando o tamanho da população de cada um: os mais populosos têm direito a mais representantes, até o máximo de 70. A última alteração na divisão foi em 1994, quando a bancada de São Paulo pulou de 60 para 70 parlamentares.

Com a criação de dois Estados, a região do atual Pará teria de ter ao menos 24 deputados, mas tem apenas 17 atualmente. Ou seja, vão faltar sete cadeiras para a conta fechar. O que fazer, se a lei já definiu a quantidade máxima de deputados?

– Ou não aprovam os Estados ou será preciso aumentar o número total de deputados e senadores.

A explicação é de Valeriano Mendes Ferreira Costa, cientista político da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Segundo ele, é “quase impossível” que o Congresso aceite tirar vagas de outros Estados para abrigar os representantes das novas unidades.

– Não há a menor hipótese de o Congresso aprovar a redução no número de deputados por Estado. Poderia, por exemplo, reduzir o piso para todo mundo, passar [de oito] para quatro. Seria preciso fazer uma mexida geral, o que é quase impossível.Em relação ao Senado, não haverá tanta discussão, porque a Constituição determina que sejam eleitos três senadores por Estado. Se desmembrado, o atual Pará ganharia, então, seis novos parlamentares na Casa.Além disso, o Carajás e o Tapajós teriam direito a 24 deputados estaduais, no mínimo. A Constituição diz que o número de cadeiras nas assembleias legislativas corresponde ao triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados. Mas isso só vale se a conta não ultrapassar o número 36. Quando atinge essa quantidade, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) soma a ela o número de deputados federais acima de 12. Por exemplo, Santa Catarina tem 16 deputados federais. Multiplicando por três, seriam 48 estaduais. No entanto, como a conta muda a partir do número 36, o Estado acabou ficando com 40 deputados estaduais (já que tem quatro federais acima de 12).

Cada deputado federal recebe, por mês, R$ 26.723,13. Ao todo, os parlamentares ganham 15 salários durante o ano, e contam com verbas de gabinete, passagens aéreas, moradia, plano de saúde e gastos administrativos pagos pelo Congresso. Os seis novos senadores de Carajás e Tapajós sairiam por cerca de R$ 10,8 milhões por ano. Já os novos deputados federais custariam um pouco menos, R$ 10,5 milhões.

Só com salários dos parlamentares, as duas novas assembleias legislativas gastariam juntas R$ R$ 11,5 milhões por ano, tomando como base a remuneração dos atuais deputados do Pará (R$ 20 mil por mês).

Novas forças

Juntos, o Norte e o Nordeste já têm bancadas expressivas no Senado e na Câmara. Com a criação de novos Estados esse poder aumenta ainda mais, explica Rodrigo Estramanho de Almeida, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

– As regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste já têm mais de 70% da representação do país, considerando os três senadores por cada Estado.

Segundo ele, em algumas unidades pouco povoadas, a exigência de oito deputados significa uma hiper-representação.

O professor Valeriano Costa diz que, com a aprovação de Carajás e Tapajós, o desequilíbrio vai aumentar.

– O argumento do pessoal do Norte e Nordeste é que a representação política compensa a desigualdade econômica. Dizem que São Paulo já é rico e o que compensaria esse poder do Sul e Sudeste é o maior número de representantes [de outros Estados]. Com a maioria no Congresso, seria possível garantir mais políticas para beneficiar os moradores desses Estados e isso equilibraria a federação.

Costa diz que o Sul e Sudeste, onde está concentrada a maior parte da população do país (56,5%, de acordo com o Censo 2010), não são bem representados, já que cresceram nos últimos anos. Segundo ele, “São Paulo já deveria ter cerca de 120 deputados e tem 70”.

O pesquisador diz que o Brasil é um país ainda em desenvolvimento e que tem poucos parlamentares em relação a países europeus, que são menos populosos.

– O Brasil é um país em desenvolvimento, que ainda está sendo ocupado […] Toda a região Norte ainda está sendo ocupada, é a expansão da fronteira do Brasil […] Eu diria que não precisa aumentar muito [o número de parlamentares], mas, se precisar aumentar a quantidade de Estados e isso for uma demanda da população, faz sentido.

Para ele, o custo dos deputados e senadores não é tão alto, considerando o Orçamento trilionário da União.

Fonte: http://noticias.r7.com/brasil/noticias/divisao-do-para-pode-criar-mais-de-60-cargos-politicos-20110528.html?question=0

Divisão do Pará levaria para Carajás royalties do ouro de Serra Pelada

Prefeito de Curionópolis apoia divisão; secretário estadual é contra.
Garimpo deverá ser reaberto, de forma mecanizada, a partir de 2012.

Iara LemosDo G1, em Serra Pelada

Se aprovada no plebiscito marcado para 11 de dezembro, a divisão do Pará em três estados colocaria Serra Pelada dentro do estado de Carajás – os outros dois, se houver a divisão, seriam o próprio Pará (com uma área menor) e Tapajós.

Nessa hipótese, o pagamento dos royalties da mineração atualmente destinados ao estado do Pará iria para os cofres de um eventual novo estado de Carajás, que teria a mineração como principal atividade econômica da região. Uma parceria entre a cooperativa local de garimpeiros e uma empresa canadense deve permitir a reabertura no ano que vem do garimpo de Serra Pelada, desta vez com extração feita de forma mecanizada.

Em 17 e 18 de agosto, o G1 esteve em Serra Pelada e mostra em uma série de reportagens o projeto e a estrutura da nova mina, o cotidiano da localidade e a esperança dos que ainda não desistiram do sonho de encontrar ouro.

Os recursos chegariam ao novo estado por meio da Compensação Financeira pela Exploração dos Recursos Minerais (CFEM), uma espécie de imposto calculado sobre o valor do faturamento líquido do produto mineral vendido.

O acordo firmado entre a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) e a empresa de mineração Colossus, do Canadá, que deverá permitir a reabertura do garimpo de Serra Pelada a partir de 2012, agora de forma mecanizada, prevê a extração de cerca de 50 toneladas de minérios em dez anos.

Dos três minérios que têm extração prevista – ouro, paládio e platina –, o ouro é o mais valorizado no mercado.

A unidade internacional de medida, a onça troy, equivale a 31,10 gramas de ouro. Para cada ano de exploração da nova mina de Serra Pelada, a Colossus espera extrair até três toneladas de ouro, o equivalente a R$ 285 milhões por ano. No caso do ouro, a CFEM calculada é de 1% do valor arrecadado com a venda.

Segundo a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, desse total, 65% seriam destinados diretamente para o município de Curionópolis, onde está localizada a mina de Serra Pelada. Outros 23% seriam destinados aos cofres do novo estado de Carajás, caso o plebiscito determine a divisão do Pará. Os 12% restantes seriam pagos pela empresa para a União.

“Nossa região é muito carente de poder público devido à extensão do Pará, que é muito grande. Se houver a divisão, passaremos a ter força política e de investimentos. O dinheiro que é gerado aqui, será revertido para investimentos na própria população”, afirma o prefeito de Curionópolis, Wanderson Chamon (PMDB), um dos principais defensores da campanha de independência do estado de Carajás.

Por lei, a verba recebida por meio da CFEM precisa ser revertida em investimentos em infraestrutura, qualidade ambiental, saúde e educação da comunidade.

Se for criado, o novo estado de Carajás terá 39 municípios e uma população estimada de 1,5 milhão de habitantes, que poderiam ser beneficiados com os investimentos, na análise da prefeitura.

O prefeito de Curionópolis afirma que, devido à escassez de recursos da administração municipal, a empresa Colossus acaba suprindo necessidades da comunidade de Serra Pelada em áreas como saúde, educação e infraestrutura.

“A população de Serra Pelada viveu jogada durante 30 anos, sem esperança de ter melhores condições de vida. Querendo ou não, a empresa que chegou ali está melhorando as condições de vida da população”, afirmou Chamon.

Na análise do economista Célio Costa, que foi professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC) e é autor de um estudo sobre a viabilidade da criação do estado de Carajás, a divisão do estado melhoraria a vida das comunidades mais isoladas.

Serra Pelada, que desde o começo dos anos 80 se transformou em um ponto de peregrinação para os garimpeiros que buscavam o ouro da região, integra hoje uma região que tem uma carência de cerca de mil médicos e 1,1 mil policiais, segundo mostra o estudo do economista, feito em parceria com a prefeitura da cidade.

“O Brasil precisa entender que, se houver a divisão, aumenta a eficiência da máquina arrecadadora, e com isso diminuem as desigualdades sociais. Existe hoje uma desigualdade muito grande na região, e quem perde com isso é a população”, avalia o professor.

Rua principal da localidade de Serra Pelada, na região sul do Pará, onde não há asfalto em nehuma das ruas e o esgoto corre à céu aberto.  (Foto: Vianey Bentes/TV Globo)

Rua principal da localidade de Serra Pelada, na região sul do Pará, onde não há asfalto em nehuma das ruas e o esgoto corre à céu aberto. (Foto: Vianey Bentes/TV Globo)

Secretário estadual critica
Para Sérgio Leão, secretário especial de Infraestrutura e Logística para o Desenvolvimento Sustentável do estado do Pará, se o plebiscito confirmar a divisão do estado, a região de Carajás não conseguirá se estruturar tendo como base os recursos oriundos da exploração mineral, principal fonte da economia da região.

“A visão que temos é que os projetos de mineração são pouco agregadores de valor, já que os produtos não são industrializados. Os produtos são exportados de forma primária, o que acaba reduzindo os valores que são repassados para a região”, afirmou.

Para o secretário, o valor dos royalties da mineração seria pequeno para auxiliar na manutenção da região. “Não acho que a estrutura mineral seja uma boa saída para a economia municipal […] Fazer a separação não vai resolver o problema. O custo administrativo é muito pesado em relação ao PIB que os municípios têm. A separação não será boa para nenhum dos estados. Todos sairiam fracos”, disse o secretário.

Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/09/divisao-do-para-levaria-para-carajas-royalties-do-ouro-de-serra-pelada.html

Especialistas divergem sobre a divisão do Pará

Fonte: Diário do Pará


Qual o futuro para o Pará se houver a divisão para criação dos Estados do Carajás e Tapajós? E os dois novos Estados quais as projeções econômicas e sociais? O DIÁRIO entrevistou dois cientistas sociais e um economista para ouvir suas opiniões. O cientista social Roberto Corrêa elabora estudo, a partir dos dados econômicos da população paraense, levando em consideração informações do IBGE e do Ipea. Previamente, a pesquisa aponta redução do Produto Interno Bruto (PIB) dos três Estados, o que para o pesquisador, já demonstra uma inconsistência de sustentabilidade das possíveis unidades federativas.

Já o cientista social Edir Veiga alega que há muito preconceito dos estudiosos do tema. Ele acredita que os dois argumentos são muitos fortes, tanto dos que querem a permanência do território unido quanto dos que vislumbram a divisão. Já o economista Ramiro Nazaré afirma que se a divisão se consolidar o futuro será a frustração, oriunda da inviabilidade de sustentação das novas federações.

Segundo o economista, não há nenhum convencimento técnico ou ocorrência mundial similar que ateste existir correlação entre território menor e nível de bem-estar social, como defendem as frentes pró-criação dos novos Estados.

Ele aponta que o Brasil tem quase 5.700 municípios, que é um recorde no mundo. Quase 80% vieram de desmembramentos. Desse total de desmembrados, 2/3 vivem em condição de penúria, de acordo com Ramiro Nazaré.

O economista acredita que a população do Pará sofrerá as consequências da diminuição dos projetos constantes do PPA do governo atual. Carajás e Tapajós não ficarão nem mais pobres nem mais ricos.

MEDIDA

Ele também alega que o PIB é apenas uma medida de contabilidade social da nação, dos estados ou municípios, tem mais validade em comparações internacionais. Ramiro Nazaré cita como exemplo a Venezuela, que por causa do petróleo tem um dos mais altos PIB’s da América Latina, mas o povo em sua grande maioria vive dos subsídios do governo, sem capacidade de investir, importando até palito de dentes.

Já o cientista social Edir Veiga aponta que os argumentos sociais e econômicos são os mais considerados e que fortalece o sentimento de separação das regiões oeste, sul e sudeste paraenses. “Os governos estaduais têm sido governos da Região Metropolitana de Belém”, enfatiza Veiga.

Oeste é a região mais relegada, diz professor

Os investimentos têm sido escassos, aponta Veiga, principalmente na região oeste, que historicamente tem sido relegada a pequenos projetos. Especialmente, afirma o professor, a partir da Lei Kandir – aprovada em 1996 e que desonera as importações – que atingiu em cheio as regiões. “Os grupos que querem manter o Pará unido se usarem os dados econômicos como argumento perderão o debate”, alerta Edir Veiga.

Ele acentua que o movimento pela criação do Tapajós é secular e pelo Carajás bem mais recente, de uns 20 anos para cá. “Os governos abandonaram estas regiões. Para integração é preciso uma visão estratégica, mas o que se percebe é que nunca houve integração nem econômica nem cultural”, ressalta Edir Veiga.

Mas para o professor Roberto Corrêa, embora o estudo que realiza ainda esteja inconcluso, já há certeza de que Tapajós, Carajás e Pará sofrerão choques fiscais para implantação das novas unidades federativas. Haverá perdas de tributos, aumento de despesas administrativas, sobretudo para os dois novos Estados. Neste aspecto, como já constataram outros estudos realizados por outras instituições, Tapajós terá o maior déficit, menor PIB e já nascerá “no vermelho”.

Com relação ao Estado Carajás, segundo o professor, o estudo também aponta, que embora seja uma região de maior arrecadação, com a redivisão deverá ficar com atividade do agronegócio e mineral, isso quer dizer que não haverá sacrifício da população dos municípios locais. (Diário do Pará)

Fonte: http://www.geodireito.com/Conteudo/Geojuridicas.asp?notCodigo=4092&acao=DetalheNoticia

A quem interessa a divisão do Pará?

Matéria retirada do portal Brasil de Fato

Uma chuva atípica em pleno verão amazônico fez a cidade de Marabá receber um frescor especial na manhã posterior à divulgação do plebiscito que pode dividir o estado do Pará.

No dia 11 de dezembro de 2011, os paraenses vão decidir se aceitam a divisão do estado em “Pará remanescente”, o estado de Tapajós e o de Carajás.

Se a chuva refrescou a cidade, que nesse período do ano chega a ter uma temperatura deaproximadamente 40 graus, com a notícia do TSE os marabaenses esquentaram ainda mais em debates fervorosos, que perpassam a universidade, as mesas de boteco e as reuniões dos movimentos sociais da região.

Esperança e desconfiança

Na capital do eventual estado de Carajás, Marabá, que em menos de cem anos mudou seu cenário de uma vasta floresta para construção de seu primeiro shopping, e, atualmente, vê amaioria de suas ruas fétidas com esgotos a céu aberto, a esperança e a desconfiança dividem aopinião das pessoas sobre a criação da nova unidade federativa.

“Meu voto é sim, embora não esteja confiante. Pode ser uma utopia nossa achar que com adivisão do estado, o sul do Pará vai melhorar em educação, saúde e transporte”, disse aestudante Nilce Silva do curso de pedagogia da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Sua colega de curso, Cecília Guimarães é mais incisiva. “Meu voto é sim, na esperança de umamelhor distribuição de renda”, afirmou.

Ainda andando pelo Tapiri – uma imensa oca que fica na parte central da UFPA de Marabá – percebe-se realmente que o assunto principal dos estudantes não são os trabalhos acadêmicos.Ali, opiniões contrárias à criação do estado surgem. “Sou contra a divisão, isso só vai centralizar poder a um grupo de políticos da região”, diz a estudante do curso de Educação do Campo Claudenir Assunção.

Extrapolando os muros da universidade, o vendedor ambulante Marcelo Vieira, num andarapressado, suado e oferecendo aos banhistas na praia DVDs e CDs piratas com bandas de melody, um ritmo musical da região, ao ser perguntado sobre a divisão do estado pensa e diz: “moço, eu sou contra, vai ser mais político para roubar”.

Já o açougueiro Odvam Lopes, entre uma martelada e outra para desossar uma peça de carne, diz rapidamente: “Sou a favor da divisão, vai melhorar nossas estradas e vêm mais empregos para nós”. Sobre Tapajós, a esperança também vem à tona e o assunto também dita o ritmo de Belterra, cidade que fica a 45 km da possível futura capital Santarém. “Na realidade o que agente fica recebendo aqui são migalhas que vêm do Estado, do governo do estado lá em Belém.”, reclama o aposentado Sergival Pantoja.

“Há uma distorção na distribuição de verbas para questões públicas e de infraestrutura. Essadivisão é necessária tanto para Tapajós quanto Carajás”, diz Wilson Teixeira, assistente social e historiador, membro da comissão de articulação e mobilização da campanha pró Carajás e Tapajós.

Para quê? E para quem?

Mas se a esperança e a desconfiança estão presentes nas ruas, para muitos, antes de qualquer debate precisa-se perguntar quem seriam realmente os principais interessados na divisão doestado do Pará. Residente em Marabá, Rogério Paulo Hohn, da coordenação nacional doMovimento dos Atingidos por Barragens (MAB) discorda da forma como vem sendo abordado oassunto. “Em vez de dizermos se somos favor ou contra, temos que discutir: Carajás e Tapajós para quê? E para quem? Num debate muito mais político”.

Sentado numa mesa do Tapiri, o professor do departamento de sociologia da UFPA Cloves Barbosa remete à história do estado paraense para elucidar a alguns alunos sobre os interesses inclusos nessa divisão. “Esta região já passou por fragmentações e fusões desde aépoca do império, tanto português, quanto nacional com os governos de Pedro I, Pedro II e Princesa Isabel. No início, o território que hoje é denominado de estado do Pará já fez parte daprovíncia do Grão-Pará. Esta província abrangia os estados do Maranhão, do Pará e do Tapajós.A reorganização territorial da República, e mesmo antes, redimensionou os territórios e chegou-se à atual configuração geopolítica”.

E diz aos alunos que tem verdadeira clareza sobre os que querem fazer a divisão do estado. “É uma fração da classe composta pelas pessoas que exercitam o agronegócio. A razão para isto é que as exportações brasileiras vêm enfrentando uma série de restrições, principalmente daregião do euro, que é composta de boa parte de pessoas que são sensíveis às questões ecológicas e fitossanitárias”. Com a criação, especificamente do estado de Carajás, o professor diz que seria uma forma de isentar preocupações com os impactos de suas atividades sobre a fl oresta amazônica. “Estes agentes poderão dizer que no estado de Carajás não existem mais remanescentes de floresta nativa, e que a região é de pastagens e de extrativismo mineral. Trata-se, portanto, de um negócio puramente burguês”, explana.

Vale e Dantas

Falando em mineração, a principal transnacional da região, a Vale, isenta-se de qualquer debate sobre o assunto, e por e-mail apenas respondeu a reportagem: “Não temos comentários sobre este assunto”. Mas Barbosa alerta, “pode ser que seja mais fácil para a empresa realizar negociações com um estado iniciante e necessitando de recursos do que com uma máquinaadministrativa estabelecida e que apresenta seus interesses específicos já bem definidos”.

Mas nem só a Vale poderá ser beneficiada com o surgimento de duas novas federações. O grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas, seria um dos principais interessados, sobretudo, na criação de Carajás. Segundo relata o diretor regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Jandir Merla, Marabá seria uma capital provisória e acapital definitiva seria construída entre os municípios de Eldorado dos Carajás, Xinguara, Sapucaia e Rio Maria. “É justamente nessa faixa do estado paraense que Dantas mais comprou terras nos últimos tempos, vejo o gado como fachada, pretexto. Para mim, o grupo de Dantas por ser muito forte teve informações privilegiadas e sabia que a nova capital de Carajás poderiaser construída naquela região”, diz.

Tanto que parte dessas terras de Dantas, no momento litigado pelo Incra, para desapropriação para fi m de reforma agrária, é negada veementemente pelo grupo de advogados que defende o banqueiro. “O grupo Santa Bárbara oferece outras terras que estão fora dessa área, mas essas ele não aceita vender para o Incra”, revela Merla.

Vai caindo a noite em Marabá. Antes de o professor Cloves levantar-se para ir embora, dá o último aviso aos alunos: “trata-se de uma grande jogada, e que, se vitoriosa, exigirá que os trabalhadores do campo e da cidade repensem e redimensionem as suas lutas por um mundoigualitário”.

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