ESPECIAL CHIFRE DA ÁFRICA – coletânea de matérias da ONU, um vídeo e um mapa sobre a epidemia de fome que assola o Chifre da África

Entenda a maior e mais severa crise de insegurança alimentar dos últimos 20 anos

As Nações Unidas declararam uma epidemia de fome nas regiões de Bakool do Sul e Baixa Shabelle, no sul da Somália, em 20 de julho. Duas semanas depois, mais três regiões já haviam sido afetadas: Shabelle Central, Corredor de Afgoye e a capital, Mogadíscio. No dia 5 de setembro, a crise foi oficialmente anunciada também na costa sul do país.

Outras áreas do país podem ser atingidas pela crise nos próximos dois meses se não houver uma ampla intervenção humanitária. Para isto, são necessários 2,481 bilhões de dólares e, até o momento, os doadores disponibilizaram 1,034 bilhão. Dezenas de milhares de pessoas morreram e estimativas de agosto apontam que 750 mil podem padecer nos próximos quatro meses se não houver resposta adequada.

Quase metade da população – 3,7 milhões de pessoas – precisa de assistência humanitária. Isto representa um aumento de 35% desde o início do ano, quando havia 2,4 milhões de necessitados.

A pior seca dos últimos 60 anos agrava o sofrimento de um povo atingido também por conflitos. Os preços dos cereais alcançaram o nível mais elevado da história e algumas commodities subiram até 270%. No sul do país, o custo da cesta básica aumentou 50%.

Cerca de 13 milhões de pessoas carecem de ajuda em todo o Chifre da África e este número pode aumentar 25% em três ou quatro meses. Djibuti e Quênia também estão entre os países atingidos. Apesar de o maior número de necessitados estar na Etiópia – 4,7 milhões – a situação é especialmente difícil na Somália.

As Nações Unidas declaram epidemia de fome quando pelo menos 20% das famílias enfrentam escassez extrema de alimentos com limitada capacidade de reverter o quadro, as taxas de desnutrição aguda entre as crianças excedem 30% e mais de duas em 10 mil crianças morrem por dia.

No sul da Somália, há 2,8 milhões de desnutridos, dos quais 1,25 milhão são crianças. Em áreas agropastoris, até 13 a cada 10 mil crianças com menos de 5 anos morrem diariamente e o índice de desnutrição infantil aguda chega a 50%.

Cresce o número de deslocados e refugiados

A Somália tem aproximadamente 1,875 milhão de deslocados internos e refugiados. Nos últimos dois meses, mais de 100 mil chegaram à Mogadíscio em busca de assistência. Apesar dos conflitos armados que assolam a região, já há 470 mil pessoas em cem acampamentos que surgiram espontaneamente.

Cerca de 800 mil pessoas fugiram para Quênia (423 mil), Iêmen (188 mil) e Etiópia (140 mil), além de Djibuti, Egito, Eritréia, Tanzânia e Uganda.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), o influxo de refugiados somalis na Etiópia e no Quênia continua. Diariamente, cerca de 2,3 mil pessoas chegam exaustas aos acampamentos.

Acompanhe o financiamento da operação de emergência e o que é feito com as doações clicando aqui. Veja como ajudar.

Mapa da região: a seca

As cores representam a seca no Chifre da África. Vai desde a área verde (pouca ou nenhuma seca) até a área em vermelho escuro, onde foi declarada epidemia de fome.

Os números em fundo preto representam a estimativa do número de pessoas que estão sofrendo com a insegurança alimentar.

Fonte: http://www.onu.org.br/chifredaafrica/

Maioria dos refugiados somalis na Etiópia são crianças, afirma ONU

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) afirmou hoje (06/09) que crianças constituem a maioria dos refugiados somalis nos campos da Etiópia. Na área de Dollo Ado, 80% dos 121 mil refugiados são crianças e jovens com menos de 18 anos, enquanto no campo Kobe a proporção de crianças chega a 88,6% entre os mais de 25 mil refugiados.

Segundo o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, a maioria das famílias nos campos são chefiadas por mulheres com um grande número de crianças. As mulheres relataram a funcionários da agência que muitos homens permanecem na Somália por temerem ataques de grupos armados no caminho para os campos de refugiados. Além disso, muitos deles preferem permanecer em suas vilas para tentar proteger suas propriedades e cuidar daqueles que estão muito frágeis para viajar.

Edwards afirmou que é preocupante também o número de crianças separadas de suas famílias ou desacompanhadas – o número pode chegar a 2.500 crianças nos quatro campos da Etiópia. Ele disse que está sendo realizado um rastreamento nos campos em Dollo Ado para haver um maior entendimento da dimensão do problema e para determinar o que seria melhor para estas crianças.

Enquanto isso, o ACNUR continua fornecendo itens de emergência para as pessoas que têm recebido ajuda alimentar de outras agências em áreas atingidas pela epidemia de fome no sul da Somália. De acordo com o representante da agência no país, Bruno Geddo, é essencial que a ajuda seja distribuída em grandes quantidades e o mais rápido possível no interior da Somália, para manter o recente decréscimo no número de refugiados chegando à Etiópia e ao Quênia.

Fonte: http://www.onu.org.br/chifredaafrica/maioria-dos-refugiados-somalis-na-etiopia-sao-criancas-afirma-onu/

Número de pessoas precisando de ajuda humanitária no Chifre da África chega a 13,3 milhões

As Nações Unidas anunciaram hoje (09/09) que o número de pessoas precisando de ajuda humanitária no Chifre da África aumentou em um milhão – chegando a um total de 13, 3 milhões de pessoas – enquanto o financiamento para salvar as vidas enfrenta um déficit de quase um bilhão de dólares. Agências da ONU têm acelerado seus esforços pela região, especialmente para ajudar as milhares de centenas de refugiados somalis.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), o aumento do número de pessoas deve-se ao impacto da seca, agravado pela alta dos preços dos alimentos, bem como ao conflito e à insegurança na Somália. A epidemia de fome no país já se espalhou para uma sexta região, e o número de pessoas necessitando de ajuda humanitária chegou a 4 milhões.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), por sua vez, anunciou que está reforçando seu apoio nutricional para as crianças e mães em toda a região. O objetivo é alcançar mais de 9,6 milhões de pessoas nas próximas semanas – 2,2 milhões a mais do que o número de pessoas que receberam ajuda desde julho.

Participando de um encontro em Nairóbi (Quênia), o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu para que haja uma “abordagem corajosa para assegurar tanto a recuperação como a resiliência”, levando em conta, entre outras coisas, o meio ambiente, a pressão popular, a boa governança e a necessidade de evitar a dependência. “Gastar na redução de risco recupera o investimento em muitas vezes”, acrescentou.

Fonte: http://www.onu.org.br/chifredaafrica/numero-de-pessoas-precisando-de-ajuda-humanitaria-no-chifre-da-africa-chega-a-133-milhoes/

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